Vírus do Nilo Ocidental: como se transmite, quais os sintomas e como prevenir?
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido principalmente pela picada de mosquitos infetados e, na maioria dos casos, não provoca sintomas. No entanto, uma pequena percentagem das pessoas infetadas pode desenvolver complicações neurológicas graves. Saiba como se transmite o vírus, quais os principais sintomas da doença e que medidas ajudam a reduzir o risco de infeção.
Neste artigo
- O que é o vírus do Nilo Ocidental e como se transmite?
- Onde circula o vírus do Nilo Ocidental?
- Quais são os sintomas de infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
- Quando pode tornar-se grave?
- Existe tratamento para infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
- Como prevenir uma infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido sobretudo pela picada de mosquitos infetados do género Culex, que se alimentam de aves infetadas. Ao contrário da maioria das infeções deste tipo, em que há uma ou duas espécies de mosquito envolvidas, este pode ser transmitido por mais de 50 tipos. Embora a maioria das infeções decorra sem sintomas, algumas pessoas podem desenvolver doença, e, em casos raros, podem surgir complicações neurológicas graves.
Embora seja um vírus originário de climas quentes, como África e Ásia tropical ou mediterrânica, desde 1990 as suas características epidemiológicas sofreram alterações, o que tem contribuído para o surgimento de mais surtos noutras zonas. Desde o início da época de transmissão de 2026 e até 29 de julho, foram identificadas áreas afetadas pelo vírus do Nilo Ocidental em vários países europeus, incluindo Itália, Grécia, Roménia, Macedónia do Norte, Espanha, França e Alemanha.
Em Portugal, foram diagnosticados dois casos em 1999, outros dois em 2004 e em 2010 um novo caso, pelo que os especialistas pensam ser possível que o vírus se instale no Sul do País. Os surtos surgem geralmente em função das rotas das aves migratórias (que são o hospedeiro do vírus) e da quantidade de mosquitos existente nos locais de passagem. Pessoas que trabalham ou realizam atividades ao ar livre estão mais expostas a picadas de mosquitos e, consequentemente, a contrair o vírus.
Voltar ao topoO que é o vírus do Nilo Ocidental e como se transmite?
O vírus do Nilo Ocidental é um vírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos do género Culex infetados, mas pode ser transmitido por mais de 50 tipos de mosquitos. Na natureza, mantém-se num ciclo de transmissão entre os mosquitos e as aves, que constituem o principal reservatório do vírus.
Os seres humanos, os cavalos e outros mamíferos podem ser infetados quando são picados por um mosquito infetado. No entanto, são considerados hospedeiros acidentais, uma vez que não desenvolvem níveis de vírus suficientes para transmitir a infeção a novos mosquitos e perpetuar o ciclo de transmissão.
Além da picada de mosquito, em situações raras, a transmissão pode ocorrer através de transfusões de sangue, transplantes de órgãos, da mãe para o filho durante a gravidez, o parto ou a amamentação.
Voltar ao topoOnde circula o vírus do Nilo Ocidental?
O vírus do Nilo Ocidental está presente em várias regiões do mundo, incluindo:
- África;
- Europa;
- Médio Oriente;
- Ásia;
- América do Norte;
- Austrália.
Em Portugal, têm sido identificados casos esporádicos em seres humanos, cavalos e aves.
Voltar ao topoQuais são os sintomas de infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
Cerca de 80% das pessoas infetadas pelo vírus do Nilo Ocidental não desenvolvem sintomas. Quando a doença se manifesta, a maioria não valorizará os sintomas, pois pensará tratar-se de uma simples gripe.
Sintomas mais frequentes
O período de incubação é de dois a 14 dias. Nas pessoas sintomáticas, os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- dores nas articulações;
- fadiga;
- náuseas;
- vómitos;
- erupções cutâneas;
- gânglios linfáticos aumentados.
Na maioria dos casos, a recuperação ocorre sem complicações.
Voltar ao topoQuando pode tornar-se grave?
Menos de 1% das pessoas infetadas desenvolve doença neuroinvasiva, uma forma grave da infeção que pode afetar o sistema nervoso central.
As principais manifestações clínicas incluem:
- encefalite;
- meningite;
- paralisia flácida aguda.
Estes casos incluem febre alta, dor de cabeça, torcicolo, confusão, coma, tremores, convulsões, dormência e paralisia, que podem durar várias semanas. Cerca de 10% das pessoas com sintomas neurológicos acabam por morrer.
O risco de desenvolver doença grave é maior nas pessoas com idade mais avançada e naquelas com o sistema imunitário comprometido.
Voltar ao topoExiste tratamento para infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
Não existe um tratamento específico para a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental. O tratamento baseia-se no alívio dos sintomas e em cuidados de suporte.
Nos casos ligeiros, as recomendações incluem:
- repouso;
- hidratação adequada;
- medicamentos para aliviar a febre e as dores, quando necessário.
Quando a doença evolui para formas neuroinvasivas, pode ser necessário internamento hospitalar, de modo a fazer reposição intravenosa de líquidos, manejamento das vias aéreas e prevenção de infeções secundárias.
Voltar ao topoComo prevenir uma infeção pelo vírus do Nilo Ocidental?
Como não existe uma vacina para a infeção pelo vírus do Nilo Ocidental, a prevenção centra-se na redução do contacto com os mosquitos.
As seguintes medidas devem ser adotadas.
- Aplicar repelente de insetos nas zonas expostas da pele, de acordo com as instruções do fabricante.
- Usar roupa que cubra a maior parte do corpo, como camisas de manga comprida e calças.
- Privilegiar alojamentos protegidos contra a entrada de mosquitos, com redes mosquiteiras ou ar condicionado.
- Evitar permanecer no exterior durante os períodos de maior atividade dos mosquitos, sempre que possível.
- Eliminar recipientes com água parada nas áreas envolventes da habitação, reduzindo os locais de reprodução dos mosquitos.
Quem deve ter cuidados acrescidos?
Embora qualquer pessoa possa ser infetada, as pessoas com um sistema imunitário enfraquecido ou com doenças crónicas (cancro, diabetes, doenças cardíacas, por exemplo), bebés muito pequenos e indivíduos com mais de 60 anos apresentam maior risco de desenvolver formas graves da doença. Nestes casos, é especialmente importante cumprir as medidas de proteção contra as picadas de mosquito.
| Aspeto | Informação |
|---|---|
| Agente causador | Vírus do Nilo Ocidental. |
| Transmissão | Picada de mosquitos, principalmente Culex infetados; raramente, por transfusão de sangue, transplante de órgãos, da mãe para o filho. |
| Reservatório principal | Aves selvagens. |
| Sintomas principais | A maioria das infeções é assintomática; quando existem sintomas, incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações, fadiga, náuseas, vómitos e erupções cutâneas. |
| Casos graves | Meningite, encefalite e paralisia flácida aguda. |
| Tratamento | Não existe tratamento específico; são recomendados cuidados de suporte. |
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