Dengue, Zika e chikungunya: quais as diferenças?
Dengue, zika e chikungunya são doenças transmitidas por mosquitos do género Aedes e podem causar sintomas semelhantes, como febre, dores no corpo e erupções cutâneas. No entanto, existem diferenças que ajudam a distingui-las. Conheça quais, saiba quando deve procurar assistência médica e descubra como reduzir o risco de infeção.
A dengue, a zika e a chikungunya são doenças tropicais transmitidas pela picada de mosquitos do género Aedes. Como partilham alguns sintomas, é frequente serem confundidas.
Apesar das semelhanças, existem diferenças que permitem distingui-las. A dengue pode evoluir para formas graves, com risco de hemorragias. A chikungunya caracteriza-se por dores articulares intensas, que podem persistir durante semanas ou meses. Já a zika provoca, na maioria dos casos, sintomas ligeiros ou mesmo ausência de sintomas, mas merece especial atenção durante a gravidez.
| Doença | Principal forma de transmissão | Outras formas de transmissão |
|---|---|---|
| Dengue | Picada de mosquitos do género Aedes infetados. | Gravidez (rara), transfusões de sangue e transplantes de órgãos (muito raros). |
| Zika | Picada de mosquitos infetados do género Aedes, principalmente o Aedes aegypti. | Transmissão materno-fetal, provavelmente por via transplacentária ou durante o parto. Transmissão sexual e transfusão de sangue e derivados. |
| Chikungunya | Picada de mosquitos infetados do género Aedes, sobretudo Aedes aegypti e Aedes albopictus. | Contacto com sangue, transplantes de órgãos e transmissão durante o parto. |
O que têm em comum dengue, zika e chikungunya?
A dengue, a zika e a chikungunya têm em comum o facto de serem transmitidas pela picada de mosquitos do género Aedes. Por esse motivo, são mais frequentes em regiões tropicais e subtropicais.
Outra característica comum é a semelhança entre muitos dos sintomas iniciais. Febre, dores de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e erupções cutâneas podem surgir nas três doenças, o que dificulta o diagnóstico apenas com base nas manifestações clínicas.
Apesar de partilharem alguns sintomas, estas doenças apresentam características próprias. Por isso, é importante confirmar o diagnóstico para orientar o tratamento e o acompanhamento mais adequados, sobretudo porque algumas podem evoluir para complicações ou exigir cuidados específicos em determinados grupos, como as mulheres grávidas.
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Como prevenir dengue, zika e chikungunya?
Como estas doenças são transmitidas pela picada de mosquitos do género Aedes, a prevenção passa sobretudo por reduzir o contacto com estes insetos. Devem ser adotadas várias medidas antes e durante a viagem para diminuir o risco de infeção. Os mosquitos Aedes picam normalmente durante o dia, sobretudo ao princípio da manhã e ao fim da tarde/princípio da noite.
As principais recomendações são:
- procurar aconselhamento numa consulta do viajante antes da partida, sobretudo no caso das mulheres grávidas;
- seguir as orientações das autoridades de saúde no destino;
- usar roupa que cubra a maior parte do corpo, como camisas de manga comprida e calças;
- aplicar repelente de insetos de acordo com as instruções do fabricante e reaplicá-lo nos intervalos recomendados;
- se utilizar protetor solar, aplicar primeiro o protetor e só depois o repelente;
- privilegiar alojamentos com ar condicionado ou, quando tal não seja possível, utilizar redes mosquiteiras;
- evitar a acumulação de água parada em recipientes como vasos ou baldes, locais onde os mosquitos podem depositar os ovos.
Existe uma vacina, a Qdenga, que está aprovada para a prevenção da doença da dengue em indivíduos com idade igual ou superior a quatro anos. A vacinação pode ser considerada em determinadas situações, de acordo com o destino, o tipo e a duração da viagem e as características individuais do viajante.
Voltar ao topoDengue
A dengue transmite-se através da picada de mosquitos do género Aedes infetados com o vírus da dengue, sobretudo o Aedes aegypti. É a doença viral transmitida por mosquitos mais frequente a nível mundial e está presente em mais de 100 países.
A doença não se transmite de pessoa para pessoa. As exceções, consideradas pouco frequentes, incluem a transmissão de mãe para filho durante a gravidez e, mais raramente, através de transfusões de sangue ou transplantes de órgãos.
Existem quatro tipos diferentes do vírus da dengue. Uma pessoa pode ser infetada até quatro vezes ao longo da vida. Depois de ter a doença, fica protegida apenas contra o tipo de vírus que a causou. Se voltar a ser infetada por um tipo diferente, o risco de desenvolver doença grave é maior.
Sintomas da dengue
Os sintomas surgem habitualmente entre três e sete dias após a infeção, podendo o período de incubação prolongar-se até 14 dias.
Cerca de 80% das pessoas infetadas não apresentam sintomas ou têm manifestações ligeiras que desaparecem ao fim de uma ou duas semanas. Quando a doença se manifesta, os sintomas mais frequentes são:
- febre elevada de início súbito;
- dores de cabeça intensas, geralmente atrás dos olhos;
- dores musculares e articulares;
- náuseas e vómitos;
- erupções cutâneas.
Em alguns casos, a doença pode evoluir para uma forma grave. Os sinais de alerta incluem:
- vómitos persistentes;
- dores abdominais intensas;
- dificuldade em respirar;
- hemorragias nasais ou nas gengivas;
- sangue nas fezes;
- cansaço.
Se as manifestações de dengue severa forem detetadas de forma precoce e os doentes receberem cuidados médicos adequados, as taxas de fatalidade associadas a estes casos são inferiores a 1 por cento.
Tratamento da dengue
Não existe um tratamento específico para a dengue. O tratamento tem como objetivo controlar os sintomas e a possível evolução da doença para formas graves. As principais recomendações passam por:
- ingerir líquidos para evitar a desidratação;
- descansar;
- recorrer a medicamentos para controlar a febre e a dor, como o paracetamol.
Os anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno e a aspirina, devem ser evitados, uma vez que aumentam o risco de hemorragias. Regra geral, os sintomas desaparecem ao fim de duas semanas.
Voltar ao topoZika
O vírus Zika é transmitido pela picada de mosquitos do género Aedes, o mesmo responsável pela transmissão da dengue, da febre-amarela e da chikungunya.
Embora a principal via de transmissão seja a picada de mosquitos infetados, o vírus Zika também pode ser transmitido da mãe para o bebé durante a gravidez ou o parto, através de relações sexuais e, em casos raros, por transfusões de sangue ou de componentes sanguíneos.
Sintomas da Zika
O período de incubação varia entre três a 12 dias após a picada do mosquito fêmea infetado. A maioria das pessoas infetadas não desenvolve sintomas. Quando existem, são geralmente ligeiros e duram entre dois e sete dias.
As manifestações mais comuns incluem:
- febre baixa;
- erupções cutâneas;
- dores nas articulações;
- conjuntivite;
- dor de cabeça;
- dores musculares.
Com menor frequência, podem surgir problemas gastrointestinais. O agravamento dos sintomas é raro, mas pode justificar hospitalização.
Tratamento
Também não existe vacina nem tratamento específico para a infeção por vírus Zika.
Os doentes devem:
- descansar;
- beber muitos líquidos para evitar a desidratação;
- recorrer ao paracetamol para aliviar a febre e as dores.
O ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides, como o ibuprofeno ou o naproxeno, não devem ser utilizados até ser excluída uma infeção por dengue, devido ao risco de hemorragia.
Recomendações específicas para a Zika
A evidência científica permitiu concluir que existe uma relação causal entre a infeção pelo vírus Zika durante a gravidez (principalmente no 1.º e 2.º trimestres) e o aparecimento de casos de microcefalia e de outras malformações cerebrais em fetos e recém-nascidos.
As mulheres grávidas devem adiar as viagens não essenciais para países afetados com surtos de Zika. Se a viagem não puder ser evitada, devem procurar aconselhamento numa consulta do viajante ou junto do médico que acompanha a gravidez. Se o parceiro viajar para uma área afetada, deve usar preservativo ou abstinência sexual até ao final da gravidez.
As mulheres que planeiam engravidar devem mencionar essa intenção na consulta do viajante e seguir rigorosamente as medidas que lhes forem propostas. Devem também ser informadas que:
- deverão adiar a gravidez durante oito semanas após o regresso;
- se o parceiro também viajar, a gravidez deverá ser adiada durante seis meses.
Chikungunya
A chikungunya é transmitida principalmente pelas picadas dos mosquitos Aedes aegypti, em meio urbano, e Aedes albopictus, em ambientes rurais ou selvagens.
Embora a esmagadora maioria das infeções resulte da picada de mosquitos infetados, pode haver outras formas de transmissão, nomeadamente através de transplantes de órgãos, do contacto com sangue de pessoas infetadas e de mãe para filho durante o parto. A infeção por chikungunya não se transmite diretamente de pessoa para pessoa.
O nome “chikungunya” significa “que se dobra”, e que está associado às dores intensas nas articulações provocadas pela infeção causada pelo vírus e que podem fazer a pessoa ficar curvada.
Sintomas da chikungunya
Nem todas as pessoas infetadas desenvolvem sintomas. Quando surgem, aparecem geralmente entre três e sete dias após a picada de um mosquito infetado.
As intensas dores articulares nas primeiras 48 horas, principalmente nas mãos, nos punhos, nos pés e nos tornozelos, são o sintoma mais característico da doença e afetam cerca de 90% dos infetados.
Outros sintomas frequentes incluem:
- febre de início súbito;
- erupções cutâneas;
- dor de cabeça;
- dores nas articulações e músculos;
- vómitos e náuseas;
- sensibilidade à luz.
Em 60 a 70% dos casos, as dores articulares prolongam-se durante semanas. Quando persistem por mais de três meses, o doente entra na fase crónica da doença, que pode durar até três anos.
Tratamento da chikungunya
Não existe um medicamento específico para tratar a infeção por vírus chikungunya. O tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas. As principais medidas incluem:
- repouso;
- ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia para evitar a desidratação;
- administração de medicamentos para controlar a febre e aliviar as dores.
Vacina contra o vírus chikungunya
Existem atualmente vacinas para a prevenção desta infeção em pessoas com 12 ou mais anos de idade. A vacinação é indicada, independentemente da duração da estadia, para viajantes em zonas com surtos ou epidemias ativos.
| Característica | Dengue | Zika | Chikungunya |
|---|---|---|---|
| Febre | Habitualmente elevada e de início súbito. | Habitualmente baixa. | Habitualmente elevada e de início súbito. |
| Dores musculares | Frequentes. | Frequentes. | Frequentes. |
| Dores articulares | Presentes. | Presentes, mas leves. | Muito intensas, sobretudo nas mãos, punhos, pés e tornozelos. |
| Erupções cutâneas | Podem ocorrer. | Frequentes. | Podem ocorrer. |
| Conjuntivite | Não é referida como manifestação característica. | Pode ocorrer. | Pode ocorrer. |
| Outras complicações | Pode evoluir para formas hemorrágicas graves. | Risco durante a gravidez e possível associação à síndrome de Guillain-Barré. | Dores articulares prolongadas, que podem persistir durante meses ou anos. |
Qual o risco de complicações?
Muitas infeções por dengue, Zika e chikungunya são ligeiras ou até assintomáticas. A maioria das pessoas recupera sem complicações, mas algumas podem desenvolver formas graves da doença. Alguns grupos têm maior risco de desenvolver complicações e, por isso, devem merecer especial atenção.
Gravidez e infeção por Zika
A Zika é a doença que suscita maior preocupação durante a gravidez. O aumento de casos de microcefalia em bebés cujas mães contraíram o vírus durante a gestação levou as autoridades de saúde a reforçar as recomendações para este grupo.
As mulheres grávidas devem adiar viagens não essenciais para países com surtos de Zika. Caso a deslocação seja inevitável, devem procurar aconselhamento na consulta do viajante antes da partida e cumprir rigorosamente as medidas de proteção contra as picadas de mosquito.
As grávidas que tenham permanecido em áreas afetadas devem informar o médico assistente sobre a viagem, mesmo que não apresentem sintomas.
Dengue grave
Na maioria dos casos, a dengue provoca sintomas ligeiros ou moderados. No entanto, uma pequena percentagem dos doentes pode desenvolver formas hemorrágicas graves, potencialmente fatais, sobretudo se a doença não for reconhecida e tratada precocemente.
O risco de agravamento é maior em pessoas que já tiveram uma infeção anterior por um serotipo diferente do vírus da dengue. Pessoas com doenças crónicas (por exemplo, diabetes, hipertensão...), com mais de 65 anos e grávidas integram os grupos de maior risco para formas graves da doença.
Evolução da chikungunya
A gravidade da doença pode variar. Em algumas pessoas, a infeção causa sintomas ligeiros e desaparece espontaneamente. Noutras, pode provocar complicações graves, incluindo complicações do sistema nervoso, ou evoluir para uma forma crónica com dores nas articulações que podem ser incapacitantes.
60 a 70% dos doentes entram na fase subaguda da doença, caracterizada pela continuação ou agravamento das dores articulares durante várias semanas. Quando estas persistem por mais de três meses, considera-se que a doença entrou na fase crónica, que pode prolongar-se até três anos.
Voltar ao topoQuestões frequentes
A zika é perigosa durante a gravidez?
A infeção por vírus Zika durante a gravidez está associada a riscos para o feto. Por esse motivo, as mulheres grávidas devem adiar as viagens não essenciais para áreas com surtos da doença e informar o médico caso tenham permanecido numa dessas regiões.
Existe vacina para a dengue, a zika ou a chikungunya?
Existe atualmente uma vacina para a prevenção da dengue e vacinas para a prevenção da infeção por chikungunya. Para a zika não existe vacina.
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