Malária: quais os sintomas e como prevenir?
A malária continua a ser uma das doenças tropicais com maior impacto em várias regiões do mundo, sobretudo em zonas da África subsaariana, da Ásia e da América Latina. Conheça os principais sintomas e formas de prevenção.
Em Portugal, os casos de malária diagnosticados são importados, ocorrendo em pessoas que viajaram para países onde a doença é endémica. Por este motivo, quem planeia uma viagem para uma dessas regiões deve informar-se antecipadamente sobre as medidas de prevenção mais adequadas, incluindo a eventual necessidade de profilaxia medicamentosa.
O diagnóstico precoce é essencial para reduzir o risco de complicações. Qualquer pessoa que desenvolva febre durante a viagem ou após regressar de uma zona endémica deve procurar assistência médica e informar o profissional de saúde sobre o destino visitado.
O que é a malária e como se transmite?
A malária, também conhecida como paludismo, é uma doença infecciosa causada por parasitas do género Plasmodium, transmitidos ao ser humano através da picada de mosquitos Anopheles infetados.
Existem cinco espécies de Plasmodium capazes de infetar seres humanos. Entre elas, o Plasmodium falciparum é o agente da malária com maior prevalência no continente africano e é responsável pela maioria das mortes associadas à doença.
Em Portugal, os últimos casos de malária desenvolvidos no país foram diagnosticados em 1959. Atualmente, os casos diagnosticados são importados e ocorrem em pessoas que viajaram para países onde a doença é endémica.
Onde existe risco de infeção?
A malária é endémica em várias regiões tropicais e subtropicais de África, Ásia, América Central e América do Sul.
Antes de viajar para um destes destinos, é aconselhável realizar uma consulta do viajante. Nesta consulta, poderá obter informação sobre os riscos para a saúde no destino e aconselhamento sobre as medidas de prevenção a adotar antes, durante e depois da viagem.
É provável que as alterações climáticas venham criar novos habitats para o mosquito vetor de malária em regiões mais frias e de maior altitude, provocando alterações na sua distribuição geográfica e o aumento de surtos epidémicos.
Quais são os sintomas da malária?
Os sintomas da malária surgem, habitualmente, sete dias ou mais após a picada de um mosquito infetado. No entanto, o período de incubação pode variar consoante a espécie de Plasmodium envolvida.
Sintomas iniciais
Os primeiros sinais da doença podem ser confundidos com os de outras infeções, o que dificulta o diagnóstico sem avaliação médica.
Os sintomas iniciais mais comuns incluem:
- febre;
- calafrios;
- suores;
- dores de cabeça;
- dores musculares;
- falta de apetite;
- cansaço;
- náuseas e vómitos.
Algumas espécies do parasita podem permanecer no organismo durante meses ou mesmo anos antes de provocarem sintomas. No caso de malária por P. falciparum, o doente deve ser tratado o mais rapidamente possível, no máximo dentro de 24 horas após o início dos sintomas. Caso contrário, a situação clínica pode evoluir para doença grave, levando muitas vezes à morte.
Quando pode tornar-se grave?
Se não for diagnosticada e tratada rapidamente, a malária pode evoluir para formas graves, sobretudo quando é causada por P. falciparum.
As principais complicações incluem:
- alteração do estado de consciência ou coma;
- fraqueza significativa, de tal forma que a pessoa não é capaz de caminhar;
- incapacidade de se alimentar;
- mais de dois episódios de convulsões em menos de 24 horas;
- descida significativa da pressão arterial;
- respiração descompensada e acumulação de líquidos no pulmão;
- icterícia;
- insuficiência renal;
- sangue na urina;
- hemorragia espontânea;
- hipoglicemia;
- desequilíbrio do metabolismo com alteração do pH e dos iões no sangue;
- anemia grave.
A forma mais grave, a malária cerebral, pode causar alterações da consciência, convulsões, anemia grave e falência de vários órgãos, podendo evoluir para choque e morte. Estas situações exigem tratamento urgente e, em muitos casos, internamento hospitalar.
Qualquer pessoa que apresente sintomas sugestivos de infeção por malária (febre, calafrios, dores de cabeça, dores musculares e mal-estar) durante a viagem ou até seis meses após regressar de uma zona onde a malária é endémica deve contactar a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou procurar assistência médica de imediato e informar o profissional de saúde sobre os países visitados.
Ter malária não confere imunidade para a vida, sendo possível contrair esta doença várias vezes.
Como é tratada a malária?
O tratamento da malária depende da espécie de Plasmodium responsável pela infeção, forma de apresentação clínica, da gravidade da doença e de quimioprofilaxia prévia contra a malária, e do antimalárico realizado. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado o mais rapidamente possível.
A malária é tratada com medicamentos antimaláricos, cuja escolha depende do tipo e da gravidade da doença.
O tratamento de malária grave envolve medidas de apoio que são mais bem realizadas numa unidade de cuidados intensivos onde se possam vigiar os sintomas e administrar os fármacos por via endovenosa.
Como prevenir a malária?
A prevenção da malária combina medidas para evitar as picadas de mosquito com a profilaxia medicamentosa, quando recomendada. Antes de viajar para uma região onde a doença é endémica, é aconselhável realizar uma consulta do viajante para avaliar o risco e definir as medidas preventivas mais adequadas.
Profilaxia medicamentosa
A profilaxia consiste na toma de medicamentos antimaláricos para reduzir o risco de desenvolver a doença. Atualmente, não existe vacina disponível em Portugal que ofereça proteção contra a malária, pelo que a quimioprofilaxia é muito importante para reduzir a probabilidade de contrair a doença.
A escolha do medicamento depende de vários fatores, como:
- o país ou a região de destino;
- a duração da viagem;
- o perfil do viajante;
- a existência de resistência dos parasitas aos medicamentos.
No caso dos viajantes, e uma vez que o efeito protetor não começa logo, devem iniciar a medicação antes da chegada e alguns dias após terem deixado a região (seguindo sempre as indicações do médico).
Medidas para evitar as picadas de mosquito
Quando devidamente tomados, os antimaláricos têm uma eficácia acima de 90% na prevenção da doença. No entanto, para redução do risco de infeção, o seu uso deve sempre ser complementado com medidas de proteção individual contra a picada de mosquitos Anopheles.
É recomendável:
- aplicar repelente de insetos nas zonas expostas da pele;
- usar roupa que cubra a maior parte do corpo, como camisas de manga comprida e calças;
- dormir sob redes mosquiteiras tratadas com inseticida, sempre que necessário;
- optar por alojamentos protegidos contra mosquitos;
- recorrer à pulverização residual de inseticidas em espaços interiores, quando aplicável.
| Aspeto | Informação |
|---|---|
| Agente causador | Parasitas do género Plasmodium. |
| Transmissão | Picada de mosquitos Anopheles infetados. |
| Regiões de risco | Principalmente África subsaariana e algumas regiões da Ásia e da América Central e do Sul. |
| Sintomas principais | Febre, calafrios, suores, dores de cabeça, dores musculares, náuseas, vómitos e cansaço. |
| Tratamento | Medicamentos antimaláricos, ajustados à espécie de Plasmodium e à gravidade da doença. |
| Prevenção | Profilaxia medicamentosa, repelente, roupa adequada, redes mosquiteiras e outras medidas para evitar picadas. |
Questões frequentes
Existe uma vacina contra a malária?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação de crianças que vivem em zonas com transmissão moderada a elevada de Plasmodium falciparum. Para os viajantes, a prevenção baseia-se sobretudo na profilaxia medicamentosa e na proteção contra as picadas de mosquito.
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