Reclamação Formal – Atraso Grave, Falhas de Gestão Clínica e Cancelamento de Cirurgia (Fístula Perianal Complexa)
Exmos. Senhores do Conselho de Administração do SESARAM / Gabinete de Apoio ao Utente,
Venho por este meio apresentar uma reclamação formal relativa ao processo de tratamento de uma fístula perianal complexa (trans-esfincteriana de 8,5 cm), que se arrasta sem resolução definitiva há mais de um ano, com prejuízos gravíssimos para a minha saúde e sobrevivência económica.
A presente reclamação não se foca no direito à greve, situação que compreendo. O objeto central desta queixa é a morosidade inaceitável, a falta de articulação entre profissionais e o facto de, apesar de todos os meus esforços pessoais e financeiros para acelerar o processo, ter sido confrontado com um novo adiamento de dois meses.
Em fevereiro de 2025, fui submetido à colocação de setons, com a promessa de cirurgia definitiva (Laser) em maio de 2025. Devido à ausência da médica assistente por gravidez, o meu processo ficou "esquecido" no sistema sem que o hospital assegurasse continuidade. Só após a minha iniciativa de recorrer à Médica de Famílias(motivada pela queda de um dos setons e agravamento de sintomas)em setembro de 2025 é que o processo avançou.
Fui submetido a uma nova cirurgia a 17 de dezembro de 2025 apenas para recolocação de um seton que havia caído, ficando a operação final agendada para 2026.
Numa consulta a 3 de março de 2026, foi solicitada uma Ressonância Magnética Pélvica. Perante a previsão de 3 meses de espera pelo SNS, e num ato de desespero para resolver a minha situação, paguei do meu próprio bolso uma ressonância numa clínica privada, apesar de estar há quase um ano sem rendimentos por incapacidade laboral.
Entreguei o resultado pessoalmente na secretaria do hospital a 17 de março. No mesmo dia, fui contactado para realizar exames pré-operatórios, que executei de imediato a 18 de março.
O Incidente de 23 de março: Após confirmação telefónica na sexta-feira (dia 20), apresentei-me hoje às 07h30, em jejum e preparado. Fui mandado para casa após duas horas de espera devido à greve, com uma nova previsão apenas para maio de 2026.
Impacto Socioeconómico e Clínico:
Tenho apenas 31 anos e a minha vida está interrompida. Sinto dores constantes que tornam insuportável o simples ato de estar sentado, de pé ou caminhar por períodos prolongados. Fui forçado a desistir de várias propostas de trabalho, incluindo oportunidades no estrangeiro, por incapacidade física. Estar há quase um ano sem trabalhar e ainda ter de suportar custos de exames privados para tentar suprir as falhas do hospital, apenas para ver o processo "voltar à estaca zero", é uma situação insustentável e revoltante.
Solicito que, dada a minha proatividade em entregar exames prontos e o facto de ter o pré-operatório realizado e válido, o meu processo seja acelerado com caráter de urgência máxima.
Reforço que a Ressonância Magnética Pélvica, realizada recentemente por meios privados para agilizar este processo, reflete com precisão o meu estado clínico atual. Este exame garante à equipa médica as condições ideais para intervir de imediato. Adiar a cirurgia por mais dois meses é um risco clínico inaceitável, pois não há garantias de que o meu quadro não se agrave ou que um dos setons não volte a sair, o que invalidaria o exame atual e obrigaria a reiniciar todo este ciclo de espera e sofrimento.
Exijo ser incluído na primeira vaga disponível por desistência .
Na expectativa de uma resposta urgente,
Funchal, 23 de março de 2026