Dossiês

Como travar o sobre-endividamento com a DECO

29 janeiro 2020
Dados sobre o sobre-endividamento em Portugal

Aos primeiros sinais de dificuldade, reaja, para não entrar em incumprimento. Em 2019, mais de 29 mil famílias pediram ajuda. 

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Deterioração das condições laborais, desemprego, baixas médicas e situações de penhora podem fragilizar a estabilidade económica de um agregado e levá-lo a uma situação de sobre-endividamento.

Os portugueses continuam a precisar de aconselhamento financeiro para enfrentar um processo de renegociação de contratos de crédito. Até 31 de dezembro de 2019 recebemos mais de 29 mil pedidos de ajuda de famílias em dificuldades financeiras. O número de processos com a nossa intervenção aumentou ligeiramente face ao registado no ano anterior.

Abertura de processos de sobre-endividamento

Ano
20192 787
20182 737
20172 422
20162 715
20152 712
20142 768
20134 034
20125 407
20114 292
20102 838

Pedidos de ajuda de famílias com problemas financeiros

Ano
201929 154
201829 350
201729 000
201629 530
201529 056
201429 006
201329 214
201223 183
201120 023
201011 960

É necessário investir na literacia financeira dos consumidores para que estes possam gerir com eficácia os rendimentos, e ainda há carência de apoios sociais numa elevada proporção da população sobre-endividada.

As causas de sobre-endividamento

Até agora, o desemprego era a causa principal de sobre-endividamento, seguido por deterioração das condições laborais. Em 2019, a situação inverteu-se, com as condições de trabalho a empurrarem mais portugueses para o sobre-endividamento. Atraso no pagamento dos salários, perda de rendimentos, redução de horas extraordinárias ou de comissões e contratos temporários e/ou parciais são alguns exemplos que nos chegam de deterioração das condições laborais. Também a incapacidade para o trabalho (baixa médica) surge como uma das principais causas. As penhoras são o 4.º motivo que mais contribui para a rutura financeira dos orçamentos das famílias.

Cada família que está a ser acompanhada tem, em média, um rendimento mensal de € 1 200 (o equivalente a 2 salários mínimos nacionais) e enfrenta uma taxa de esforço em créditos de 76 por cento. Um valor muito superior ao que recomendamos: 35 por cento. Os gastos mensais com créditos não devem absorver mais de 35% do rendimento mensal.

Em média, cada família que recorreu a este gabinete tem 5 créditos. As prestações ascendem, em média, aos 920 euros. Somados os gastos com telecomunicações, serviços essenciais e alimentação, facilmente se ultrapassa o rendimento disponível.

Ainda que não haja milagres para quem tem pagamentos em falta, existe uma "saída de emergência" para cada caso. Tudo depende do tipo de dívidas que contraiu, da entidade credora e do momento em que deixou de as pagar. O primeiro passo é saber em que situação se encontram os créditos e quais os rendimentos que existem.

Se há muito deixou de cumprir com as prestações, não lhe restam muitas alternativas. Faça um diagnóstico rápido e encontre a opção mais adequada ao seu caso. Poderá ainda recorrer ao Gabinete de Proteção Financeira. Caso esteja a enfrentar as primeiras dificuldades e tenha entre 1 e 3 prestações em atraso, há um conjunto de possibilidades a explorar.