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Mochilas escolares com peso a mais

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Pesámos 174 alunos do 2.º ciclo e 66% transportavam peso a mais. O caso mais extremo era o de uma criança de 32 quilos que carregava o equivalente a duas paletes de leite (12 pacotes de um litro).

29 agosto 2017
Mochilas continuam a pesar demais

Thinkstock

Uma criança que pese 32,8 quilos e dentro da sacola transporte 11 quilos de material escolar leva às costas cerca de 34% do seu peso corporal. O máximo que a mochila deveria pesar seria pouco mais de três quilos. Imagine-se o sacrifício desta criança que leva para a escola, diariamente ou quase, um peso apenas ligeiramente inferior a duas paletes de leite (12 pacotes de um litro). Este foi o caso mais extremo com que nos deparámos no estudo que conduzimos em seis escolas, públicas e privadas, da grande Lisboa, entre março e maio.

Pesámos 174 crianças e respetivas mochilas e chegámos à conclusão de que 66% dos miúdos da amostra transportava às costas mais peso do que o recomendável. Ou seja, mochilas com cargas superiores a 10% do peso das crianças, um limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela maioria dos especialistas. Já em 2003 tínhamos feito este estudo: pesámos 360 alunos e concluímos que mais de metade (53%) carregavam peso a mais. Entre 2003 e 2017, o total de alunos dos nossos estudos que leva às costas mais de 20% do seu peso corporal aumentou de forma significativa, de 4,5% para 16 por cento.

A relação entre o peso da mochila e o peso corporal das 174 crianças avaliadas no estudo deste ano varia entre 4% e 34 por cento. Usar, repetidamente, uma mochila demasiado pesada numa idade precoce pode levar a alterações de postura e contribuir para o aparecimento de dores, particularmente ao nível dos ombros, do pescoço e da região lombar. A faixa etária do nosso estudo — dos 10 aos 13 anos — é muito “castigada” pelo peso das mochilas. Nestas idades, a formação óssea ainda não está completa e qualquer excesso pode prejudicá-la.

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