Dossiês

Bullying: identificar e prevenir

18 novembro 2021
rapariga com as mãos na cara a ser vítima de bullying

A lei permite combater a violência escolar. No trabalho, pode ser motivo de rescisão com justa causa. Em entrevista, o psiquiatra Daniel Sampaio deixa algumas pistas para prevenir e detetar o cyberbullying.

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Quando a intimidação é intencional e frequente sobre alguém que não provoca, mas é mais vulnerável, física ou psicologicamente, fala-se de bullying. Dos insultos aos maus-tratos físicos, do isolamento ao recente cyberbullying, pelo uso do telemóvel e da net: as formas saltaram os muros das escolas e dão nome à intimidação entre adultos, no trabalho ou pela internet, por exemplo.

 

O bullying deixou de ser visto como “dores do crescimento”, normal entre miúdos, e ganhou a atenção dos psicólogos, profissionais e sociedade. A prevenção contínua é essencial e deve envolver alunos, pais, professores e funcionários das escolas.

Daniel Sampaio: "O bullying pela internet é muito silencioso"

Psiquiatra, professor jubilado e escritor, Daniel Sampaio especializou-se em problemas da adolescência. Dá conselhos para prevenir e detetar o cyberbullying, e que consequências poderá ter sobre os jovens.

Daniel Sampaio

Com a pandemia, o fenómeno do cyberbullying agravou-se? Quais foram as principais vítimas?

Com a permanência das pessoas em casa e sem possibilidade de agentes externos poderem intervir (como por exemplo a escola), é natural que o problema se tenha agravado. Ao contrário do bullying físico e presencial, que é facilmente detetável, o bullying através da internet é muito oculto e silencioso. Pode ocorrer durante anos sem que ninguém se aperceba. Por isso, é muito importante estar atento, falar sobre o assunto e evitar as consequências. As vítimas são jovens ou adultos novos com fragilidade emocional, perturbação mental, sobretudo ansiedade e depressão, pessoas com orientação sexual diferente da maioria, ou que são muito fisicamente diferentes da maioria (por exemplo, gordos ou muito magros).

Que consequências psicológicas pode ter este fenómeno?

Dependem da intensidade da provocação e da capacidade de resiliência da vítima, bem como do apoio que esta pode ter. São habituais situações de ansiedade e depressão, insónias, perturbações do apetite, isolamento, quebra do rendimento escolar e profissional. Em certos casos e em pessoas com antecedentes de perturbação mental, nomeadamente depressão, o cyberbullying pode precipitar uma tentativa de suicídio.

Que medidas de precaução aconselha?

Em primeiro lugar, é preciso estar atento ao problema. Discuti-lo em casa e na escola. Deve promover-se uma boa educação, desde os três anos de idade e de acordo com a faixa etária, sobre a utilização das tecnologias. Estar atento aos sinais de alarme referidos acima e verificar se há uma inquietação quando se utiliza o telemóvel ou computador. Vigiar o sono. Na escola, devem criar-se grupos de alunos que possam estudar e intervir no problema. De notar que a intervenção não se deve centrar só nos agressores e nas vítimas, mas sobretudo nos estudantes que sabem o que se passa e nada fazem (a grande maioria). É possível criar “comissões anti-bullying” nas escolas, constituídas por professores, alunos e assistentes operacionais, que promovam a discussão e intervenção sobre o tema.

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