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Pedir um crédito pessoal ou usar o dinheiro da conta a prazo: o que compensa mais?

Precisa de dinheiro para obras urgentes ou para uma despesa inesperada? Será mais vantajoso pedir um crédito pessoal ou mobilizar o depósito a prazo, mesmo com penalização de juros? A DECO PROteste comparou custos, taxas de juro e impacto financeiro, e ajuda a escolher a solução mais económica.

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27 fevereiro 2026
Homem a rever documentação com funcionária do banco

iStock

Quando surge uma necessidade urgente de liquidez — obras inadiáveis, despesas inesperadas ou falta temporária de dinheiro — muitos consumidores recorrem ao crédito pessoal. No entanto, para quem tem poupanças num depósito a prazo, essa pode não ser a solução mais económica.

Mobilizar o depósito a prazo implica, regra geral, perda total ou parcial de juros. Ainda assim, o custo pode ser inferior ao de um crédito pessoal, sobretudo quando se considera a TAEG (valor que reflete os custos totais do empréstimo), as comissões e o prazo de reembolso.

A DECO PROteste comparou os custos das duas opções e explica, com base em contas concretas, se compensa pedir crédito ou se faz mais sentido usar as poupanças.

Taxas de juro dos depósitos a prazo pouco rendem

Atualmente, as taxas de juro das aplicações financeiras sem risco, em termos líquidos, raramente conseguem ultrapassar os valores da inflação, o que significa que rendem pouco mais do que migalhas.

É dinheiro praticamente parado e a perder valor por conta da inflação, ou seja, rende menos do que a subida do custo de vida. A taxa de inflação estimada pelo Banco de Portugal para este ano é de 2,1%, e a taxa de juro média líquida dos novos depósitos a particulares é de 1 por cento.

O melhor depósito do mercado, segundo o mais recente estudo da DECO PROteste Investe sobre este tipo de produtos, e o único que supera a inflação, rende 2,2% líquidos. É o Super Depósito, do Banco BiG. Porém, trata-se de uma taxa promocional a 3 meses, para atrair novos clientes. Ou seja, não renova no final do prazo.

Conheça todos os depósitos disponíveis no mercado no comparador de depósitos a prazo e contas poupança da DECO PROteste Investe e veja por si.

Mas eis que surge a tal obra lá em casa que não dá mesmo para adiar. Que fazer? Resgatar o dinheiro do depósito a prazo, perdendo juros, por mais parcos que sejam, ou pedir um crédito pessoal?

Perder ou pagar juros?

Antes de o consumidor conseguir ter uma resposta clara, há que analisar as ofertas de crédito pessoal. A DECO PROteste sondou o que o mercado nacional tem para oferecer, e apresenta as Escolhas Acertadas de crédito pessoal para dois cenários em concreto.

Veja os resultados completos do estudo e faça a sua simulação no simulador de crédito pessoal da DECO PROteste. 

Recolheu-se informação de 18 instituições financeiras e analisaram-se, no total, mais de 30 produtos de crédito pessoal sem finalidade específica, considerando os dois cenários de financiamento. Os dados são de janeiro deste ano.

O primeiro cenário teve em conta os valores médios por contrato que constam do Relatório do Banco de Portugal de 2024: um crédito de 7 mil euros, a 36 meses (3 anos). O segundo cenário faz as contas a um valor de financiamento maior, 20 mil euros, a reembolsar em 60 meses (5 anos).

TAEG abaixo de 11% só com Escolhas Acertadas

Para ambos os cenários do estudo, o protocolo da DECO PROteste com a Unicre, para subscritores, é o mais competitivo, com as únicas TAEG (que refletem os custos totais com o financiamento) abaixo dos 11 por cento. Em ambos os cenários, a Unicre nada cobra de comissões iniciais com o processo.

Para não-subscritores, as TAEG já vão além dos 11%, muito por conta das comissões iniciais.

No cenário do empréstimo de 7 mil euros, a 36 meses, o ActivoBank consegue vencer a concorrência, ao oferecer o produto mais competitivo.

No caso do crédito de 20 mil euros, a 60 meses, o Banco BPI é a melhor opção para não-subscritores.

Veja as prestações e as poupanças com as Escolhas Acertadas para subscritores e não-subscritores.

Empréstimo de 7 mil euros a pagar em 36 meses

Subscritores

Unicre | DECO PROteste Crédito Pessoal Exclusivo para Subscritores
TAEG: 10,7 %
Prestação mensal: 226,50 euros
Comissões iniciais: 0 euros
Poupança: 408 euros em 3 anos

Não-subscritores

Activobank Crédito Multiusos
TAEG: 11,0 %
Prestação mensal: 217,54 euros
Comissões iniciais: 182 euros
Poupança: 426 euros em 3 anos

Empréstimo de 20 mil euros a pagar em 60 meses 

Subscritores

Unicre | DECO PROteste Crédito Pessoal Exclusivo para Subscritores
TAEG: 10,2 %
Prestação mensal: 422,74 euros
Comissões iniciais: 0 euros
Poupança: 1841 euros em 5 anos

Não-subscritores

Banco Bpi Crédito Imediato
TAEG:
11,6 %
Prestação mensal: 418,67 euros
Comissões iniciais: 416 euros
Poupança: 1317 euros em 5 anos

Compensa usar o dinheiro da conta a prazo

Pegando nos cenários do estudo sobre crédito pessoal da DECO PROteste, e no melhor depósito a prazo do mercado, segundo a DECO PROteste Investe, a 12 meses (renovável, supõe-se, por mais 24 meses), que rende 1,7% líquidos — o Depósito a Prazo Investe, do Banco BAI Europa, para subscritores da DECO PROteste Investe — , o que acontece se o consumidor quiser resgatar dinheiro que tem a render nesse depósito em vez de optar por pedir um crédito pessoal?

Resgatar 7 mil euros em vez de pedir um crédito pessoal 

Cenário 1: o consumidor tem 7 mil euros num depósito a prazo a render durante 3 anos

Se o hipotético consumidor usar o dinheiro que está no seu depósito a prazo, o do Banco BAI Europa, deixa de ganhar 369,19 euros em juros líquidos, obtidos ao fim de 3 anos. Mas poupa, nos mesmos três anos, 1154 euros em juros e encargos com o crédito pessoal que tem de pedir para resolver as obras lá de casa (a Escolha Acertada protocolo da DECO PROteste com a Unicre, para subscritores).

Resgatar 20 mil euros em vez de pedir um crédito pessoal 

Cenário 2: o consumidor tem 20 mil euros num depósito a prazo a render durante 5 anos

Considerando o mesmo depósito a prazo e a Escolha Acertada de crédito pessoal para subscritores da DECO PROteste, ao consumidor do cenário dos 20 mil euros a 60 meses também compensa resgatar os fundos do depósito a prazo. Se resgatar os 20 mil euros, não optando pelo crédito pessoal, perde 1788,76 euros de juros líquidos ao fim de 5 anos, mas poupa, no mesmo prazo, 5364,39 euros em juros e encargos a pagar pelo crédito.

Cuidados a ter antes de contratar um crédito pessoal

Calcular a taxa de esforço

Somam-se os valores de todas as prestações que já se pagam ao valor da prestação do novo crédito, e divide-se o resultado pelo rendimento líquido mensal. Depois, multiplica-se esse valor por cem. A taxa de esforço recomendada pela DECO PROteste não deve ultrapassar 35% do rendimento líquido mensal.

Comparar propostas de crédito com a TAEG e não com a TAN

A TAEG, taxa anual efetiva global, é o único indicador que reflete todos os custos do crédito, incluindo juros e comissões. É o instrumento-rei para comparar diferentes propostas de crédito. O seu valor está sujeito a limites máximos definidos trimestralmente pelo Banco de Portugal.

A TAN, taxa anual nominal, só dá a conhecer o custo com os juros. Mas é, geralmente, a taxa que tem mais destaque na publicidade e na descrição do produto. Daí que seja um erro olhar apenas para a TAN e para a prestação simulada do crédito.

Comissões iniciais podem ultrapassar os mil euros

Os encargos com a abertura do processo de crédito podem carregar ou aligeirar a TAEG, que dá a conhecer os custos totais com o crédito. Os valores variam muito de banco para banco. Definidos em função do montante solicitado, é com facilidade que atingem as centenas de euros.

Ou mais. No conjunto dos 30 créditos pessoais do estudo da DECO PROteste, as comissões iniciais num crédito de 20 mil euros, quando cobradas, vão dos 312 euros do Abanca aos 1040 euros do Santander.

Evitar as facilidades do crédito online

"Crédito a partir de 500 euros em 48 horas na sua conta. Saiba mais." Muitas mensagens de e-mail chegam assim às caixas de correio eletrónico dos consumidores. Ao abrir, um mundo de facilidades e poucos passos para aceder ao crédito pessoal.

Mas poucas notas, ou nenhumas, sobre a avaliação de risco. E assim se tentam seduzir os consumidores a contratar um financiamento de forma fácil, mas que, na verdade, pode ser desnecessário e, sobretudo, caro.

Os números do crédito pessoal em Portugal

Segundo dados do Banco de Portugal, o crédito pessoal continua a crescer.

  • 344 milhões de euros: valor contratado em novembro de 2025, mais 14,7% do que em igual período de 2024
  • 230 milhões de euros: subida dos valores contratados em 2024, mais 6,6% em relação a 2023
  • 7 mil euros: valor contratado, em média, em 2024, representando mais 300 euros do que em 2023
  • 5 anos: prazo médio de reembolso em 2024

 

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