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Covid-19: quantos dias de isolamento?

O período de isolamento passou para cinco dias para quem testa positivo para a covid-19 e é assintomático ou tem doença ligeira. Se contactar com um caso positivo, as medidas aplicadas vão depender do grau de risco, mas todos devem fazer teste até ao terceiro dia. Explicamos as diferentes situações.

08 julho 2022 Arquivado
pessoa em isolamento ou quarentena por covid-19 olha através de uma persiana de uma janela

iStock

Uma pessoa que tenha testado positivo à covid-19 tem alta clínica e pode sair de casa ao fim de cinco dias desde que não apresente febre ou tenha uma melhoria dos sintomas há mais de três dias, sem ter necessidade de apresentar um teste negativo. A duração da infecciosidade, ou seja, do tempo em que pode estar contagioso, depende sobretudo da gravidade da doença desenvolvida e da competência da resposta imunitária, pelo que doentes graves ficam 20 dias em isolamento, podendo este período ser reduzido para dez dias se entretanto tiver obtido resultado negativo a um teste rápido de antigénio (TRAg) profissional. Pessoas que desenvolvam doença moderada ficam em isolamento durante dez dias.

Já para os que contactaram com alguém com covid-19, as medidas a implementar vão depender se foi considerado um contacto de alto ou baixo risco, tendo em conta vários critérios, entre eles o estado do esquema vacinal (com ou sem reforço).

Qual o período de contágio de quem testa positivo à covid-19?

É do conhecimento científico que o facto de se testar positivo, ou seja, de ser detetado ácido ribonucleico (RNA) viral num teste molecular usado para pesquisa do novo coronavírus (RT-PCR), não significa necessariamente que a pessoa possa transmitir o vírus. Alguns dos fatores que determinam o risco de contágio são a capacidade de replicação do SARS-CoV-2 (ou seja, se o vírus é ou não competente), se o paciente tem sintomas (como tosse, que pode disseminar gotículas contaminadas), a gravidade da doença e o comportamento do doente aliado a fatores ambientais (por exemplo, se consegue manter o distanciamento social e se frequenta ou não espaços fechados que sejam devidamente arejados).

Além disso, sabe-se que entre a exposição ao SARS-CoV-2 e o início dos primeiros sintomas existe um período de um a três dias durante o qual a carga viral vai aumentando e que, mesmo na ausência de sintomas, há já a possibilidade de transmissão do vírus. Neste tempo, a pessoa pode nem sequer desconfiar que está contaminada porque o corpo não mostra qualquer sinal. Quando surgem os primeiros sintomas de contaminação por covid-19, já a carga viral está próxima do seu limite máximo. Nesta fase, a pessoa não só é portadora do vírus como este tem um potencial de contágio galopante. O risco de transmissão é maior quando começam os sintomas ou nos dias mais próximos do início dos sintomas e nos primeiros cinco dias depois de a doença se ter manifestado.

Fonte: "Virology, transmission, and pathogenesis of SARS-CoV-2", The BMJ, 2020 (adapt.).

Os dados apontam também que, cinco a dez dias depois do contágio, o corpo da pessoa infetada inicia gradualmente a produção de anticorpos. Considera-se expectável que esses anticorpos tenham um efeito gradualmente neutralizante face ao vírus, o que reduzirá o risco de transmissão do mesmo.

Nos estudos efetuados, em pacientes com formas ligeiras a moderadas da doença, o vírus competente (com capacidade para se replicar e transmitir) não foi detetado dez dias depois do aparecimento dos primeiros sintomas. Segundo ficou documentado, em algumas pessoas com manifestações severas da doença, o sistema imunitário não reagiu de forma tão expedita, tendo sido possível detetar formas competentes do vírus 10 a 20 dias depois do aparecimento dos primeiros sinais. De acordo com os dados disponibilizados pela CDC (Centers for Disease Control and Prevention), ao décimo dia, o risco de transmissão em assintomáticos era de 1,4 por cento.

Assim, de acordo com as normas da DGS, o tempo mínimo preconizado de isolamento é, regra geral, de:

  • cinco dias nas pessoas assintomáticas, contados desde a data de realização do teste laboratorial que confirmou o diagnóstico. Recomenda-se ainda o uso de máscara nos cinco dias seguintes ao período de isolamento;
  • cinco dias nas pessoas que desenvolvem doença ligeira, contado desde o dia de início dos sintomas ou desde a data de realização do teste de diagnóstico nos doentes com incapacidade de datação do dia de início de sintomas. Têm de estar sem febre (sem tomar antipirético) ou com uma melhoria de sintomas durante três dias consecutivos. Recomenda-se ainda o uso de máscara nos cinco dias seguintes ao período de isolamento;
  • dez dias nas pessoas que desenvolvem doença moderada, ou seja, que tenha desenvolvido pneumonia (febre, tosse, dispneia e taquipneia), mas sem grande comprometimento da saturação do oxigénio (de valor maior ou igual a 90%);
  • 2 dias após o período de isolamento para evitar a prestação profissional de cuidados diretos a pessoas vulneráveis, nomeadamente em estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde ou em estruturas residenciais para pessoas idosas (ERPI);
  • 20 dias nas pessoas que desenvolvem doença grave ou dez dias se entretanto tiver obtido resultado negativo a teste rápido de antigénio (TRAg) profissional;
  • nas pessoas com imunodepressão grave, o período de isolamento deve ser dedicido caso-a-caso pelo médico assistente.

Se estiver positivo, é preciso fazer teste após o isolamento?

O fim das medidas de isolamento não obriga à realização de um teste laboratorial para SARS-CoV-2, ou seja, não é necessário obter um resultado negativo num teste à covid-19 para voltar a sair de casa e retomar a vida normal.

Se estiver assintomático ou não apresentar febre, ou caso tenha uma melhoria dos sintomas há mais de três dias, não será contactado pelo médico de família e pode sair ao fim dos cinco dias de isolamento.

As pessoas que recuperaram de covid-19 e que cumpriram os critérios de fim de isolamento não realizam novos testes laboratoriais para SARS-CoV-2 nos 180 dias subsequentes ao fim do isolamento. A exceção é apenas para quem desenvolva novamente sintomas sugestivos de covid-19: tosse ou agravamento do padrão habitual, febre (temperatura igual ou superior a 38ºC), dificuldade respiratória, e/ou anosmia (perda do olfato), ageusia (perda do paladar) e disgeusia (alteração do paladar), sem outra causa atribuível.

Não fazer o teste à covid-19 representa risco?

Anteriormente, era necessário apresentar dois testes RT-PCR negativos em menos de 24 horas para declarar o fim do isolamento.

A evidência decorrente de estudos de infecciosidade e epidemiológicos, incluindo doentes com covid-19 e seus contactos próximos, indicam que duração da infecciosidade depende sobretudo da gravidade da doença desenvolvida e da competência da resposta imunitária. Assim, a determinação do fim do isolamento assenta numa estratégia baseada nos sintomas e nas variáveis clínicas individuais, conforme avaliação médica, independentemente do contexto demográfico ou profissional.

Tive um contacto com um caso positivo. O que tenho de fazer? 

Se contactou com alguém que está positivo para a covid-19 deve aguardar que essa pessoa o identifique como contacto de risco no questionário epidemiológico. Em alternativa, pode ligar para a linha SNS 24. Tendo em conta diferentes critérios, o contacto será classificado como de alto ou baixo risco.

Um contacto é uma pessoa que esteve exposta a um caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2, dentro do período de transmissibilidade/infecciosidade, que será:

  • em casos sintomáticos, desde 48 horas antes da data de início de sintomas de covid-19 até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento dessa pessoa;
  • em casos assintomáticos, desde 48 horas antes da data da colheita da amostra biológica para o teste laboratorial para SARS-CoV-2 até ao dia em que é estabelecido o fim do isolamento dessa pessoa.

Contacto de alto risco

São considerados contactos de alto risco as pessoas que:

  • coabitam com o caso confirmado;
  • residem ou trabalham em estruturas residenciais para idosos (ERPI) e outras respostas similares dedicadas a pessoas idosas, comunidades terapêuticas e comunidades de inserção social, bem como os centros de acolhimento temporário e os centros de alojamento de emergência, unidades de cuidados continuados integrados na rede nacional de cuidados continuados integrados (RNCCI);
  • sejam profissionais de saúde, que prestam cuidados de saúde diretos e de maior risco de contágio.

Excetuam-se dos pontos anteriores as pessoas que apresentarem esquema vacinal primário completo com dose de reforço, há pelo menos sete dias, ou tiverem recuperado de infeção por SARS-CoV-2/covid-19, cujo isolamento tenha terminado há menos de 180 dias.

Os contactos de alto risco não precisam de fazer isolamento profilático, mas devem realizar, preferencialmente, um teste rápido antigénio de uso profissional (TRAg) o mais precocemente possível. Após um primeiro teste negativo, deve ser feito um segundo teste, entre o terceiro e o quinto dia após a data da última exposição ao caso confirmado. Devem, também, realizar uma vigilância ativa. Ou seja, automonitorizar e registar diariamente sintomas compatíveis com covid-19, bem como medir e registar a temperatura corporal, pelo menos uma vez por dia, e contactar o SNS 24 se surgirem sinais e/ou sintomas compatíveis com covid-19. No caso de surgirem sintomas, podem também por optar por realizar um teste rápido de antigénio de uso profissional (TRAg) antes de ligarem para o SNS 24.

Contacto de baixo risco

Todas as restantes situações em que houve um contacto com um caso confirmado de infeção por SARS-CoV-2 são consideradas de baixo risco. Estão incluídas neste grupo as pessoas que tenham vacinação completa com dose de reforço, ou que estejam no período de recuperação da doença, que sejam coabitantes do caso positivo.

Os casos considerados contactos de baixo risco não necessitam de ficar em isolamento profilático, mas podem realizar um autoteste o mais precocemente possível após a data da última exposição ao caso confirmado.

Todos os contactos (independentemente do grau de risco) devem adotar as seguintes medidas durante 14 dias desde a data da última exposição:

  • utilizar máscara cirúrgica, em qualquer circunstância, em espaços interiores e exteriores;
  • reduzir as suas deslocações ao indispensável (por exemplo, trabalho, escola, casa);
  • limitar as interações com outras pessoas e evitar o contacto com pessoas com condições associadas a maior risco de desenvolvimento de covid-19 grave;
  • manter as medidas preventivas, como o distanciamento social e higienização das mãos;
  • automonitorizar e registar diariamente sintomas compatíveis com covid-19, tais como medir e registar a temperatura corporal, pelo menos, uma vez por dia;
  • contactar o SNS 24 se surgirem sinais e/ou sintomas ou realizar um teste rápido de antigénio de uso profissional (TRAg) antes do contacto com o SNS 24.

 

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