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Máscaras: como escolher?

Saiba como distinguir as máscaras cirúrgicas, respiratórias (FFP1, FFP2 e FFP3) e sociais ou comunitárias. O risco de infeção não desaparece, sobretudo, se as outras medidas de prevenção forem esquecidas. Neste momento, ainda não há recomendações oficiais para preferir um tipo de máscaras em detrimento de outras, por causa das novas variantes do vírus.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço, Filipa Nunes e Sílvia Nogal Dias
28 janeiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Deonilde Lourenço, Filipa Nunes e Sílvia Nogal Dias
Máscara social para proteção da covid-19

iStock

O uso de máscara é obrigatório, a partir dos 10 anos, "na maioria dos espaços fechados, seja qual for a ocupação, e também em espaços abertos, incluindo vias públicas, sempre que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de saúde se mostre impraticável". Na Região Autónoma da Madeira, o uso de máscara é obrigatório a partir dos 6 anos, em espaços públicos fechados e abertos. 

Usar uma máscara é sobretudo um benefício superior para a comunidade, pois previne que alguém infetado, mesmo sem sintomas de covid-19, seja um veículo de transmissão do novo coronavírus. 

Três tipos de máscara

A máscara pode ajudar a reduzir a propagação da infeção na comunidade, minimizando a expulsão de gotículas de saliva produzidas pela tosse ou espirro, por indivíduos infetados, que podem não ter disso conhecimento. A etiqueta respiratória – a cobertura da boca e do nariz com um lenço de papel ao tossir, ou fazê-lo para o antebraço – também visa limitar a disseminação do vírus. 

Máscara cirúrgica

 

É usada maioritariamente pelos profissionais de saúde. Quem já apresenta sintomas ou suspeita estar infetado, assim como os seus cuidadores, também deve recorrer à máscara cirúrgica. 

Cobre a boca e o nariz e funciona como uma barreira para minimizar a transmissão direta de agentes infecciosos entre pessoas. Estes dispositivos médicos filtram essencialmente “de dentro para fora”. Se usadas corretamente, as máscaras cirúrgicas têm uma elevada capacidade de proteger quem rodeia o utilizador, embora também garantam alguma proteção a quem as usa.

As máscaras cirúrgicas devem cumprir os requisitos essenciais da Diretiva Europeia n.º 93/42/CEE, de 14 de junho de 1993, sobre dispositivos médicos, e a norma EN 14683:2019, bem como apresentar marcação CE. Existem 3 tipos de mascaras cirúrgicas:

  • tipo I, com filtração maior ou igual a 95%;
  • tipo II, com filtração maior ou igual a 98%;
  • tipo IIR, com filtração maior ou igual a 98%. Com uma pressão diferencial menor que 60 Pa/cm2, esta é menos respirável do que as do tipo I ou II, que apresentam pressão diferencial menor que 40 Pa/cm2.

As máscaras cirúrgicas não são reutilizáveis e devem ser deitadas ao lixo depois de usadas. Surgiram notícias de testes realizados em Itália e França sobre a lavagem de máscaras cirúrgicas, que indicavam que os dispositivos mantêm a capacidade de filtração após um determinado número de lavagens a 60 graus. As máscaras cirúrgicas são dispositivos médicos descartáveis, pelo que não devem ser reutilizados ou lavados. Também o indicou o Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P., em resposta ao nosso pedido de esclarecimento: não recomenda a reutilização de máscaras de uso único e salienta que a lavagem das máscaras representa "um uso contrário às instruções do fabricante ".  

Máscara respiratória ou autofiltrante (FFP1, FFP2 e FFP3)


máscara respiratória

Destina-se, sobretudo, a profissionais de saúde e protege-os de potenciais riscos para a sua saúde e segurança. É um equipamento de proteção individual (EPI) e deve obedecer ao Regulamento (UE) 2016/425, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 2016, que consta do Decreto-Lei n.º 118/2019, de 21 de agosto. Tem de exibir a marcação CE. 

A Norma EN 149:2001+A1:2019 refere-se a Equipamentos de Proteção Individual, aplicável aos aparelhos de proteção respiratória filtrantes (APR), nomeadamente aos “respiradores” ou “máscaras autofiltrantes”. Consoante a eficiência de filtração, classifica-os em equipamentos FFP1, FFP2 e FFP3:

  • as FFP1 têm uma eficiência de filtração maior ou igual a 80%; para o interior, a fuga total de gotículas é inferior a 22% ;
  • nas FFP2, também conhecidas como N95 ou KN95, a filtração é superior a 94% e a fuga para o interior não excede os 8%;
  • nas FFP3, a filtração é quase total (99%) e ao interior chegam menos do que 2% das gotículas. 

Neste tipo de máscaras, deve ser dada preferência às que não têm válvula. Os respiradores com válvulas facilitam a expiração do ar e, por isso, são mais confortáveis de usar. No entanto, não filtram o ar expirado pelo utilizador, apenas o inspirado. Essa proteção unidirecional coloca os outros em risco, se o utilizador estiver infetado com covid-19.

O filtro das máscaras FFP2 tem um tamanho físico próximo dos 0,3 micrómetros, mas isso não significa que só possa reter partículas maiores do que esse tamanho. O vírus SARS-CoV-2 tem um tamanho de cerca de 0,1 micrómetros, mas está sempre ligado a algo maior. O vírus liga-se a gotículas de água ou aerossóis (ou seja, gotículas muito pequenas) que são geradas durante a respiração, conversas, tosse, etc. Essas gotículas consistem em água, proteína do muco e outro material biológico e são todas maiores do que um micrómetro. Nunca há vírus “isolados” a flutuar no ar ou libertados pelas pessoas, “viajam” sempre presos a partículas maiores, que são “apanhadas” pelo filtro. Mesmo que as partículas fossem menores do que o tamanho do filtro, o movimento errático das partículas e a atração eletrostática gerada pela máscara leva a que as partículas sejam retidas.

Neste momento, ainda não há recomendações oficiais para preferir um tipo de máscaras em detrimento de outras, por causa das novas variantes do vírus.

Máscara social ou comunitária

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Tal como as máscaras cirúrgicas, a principal função das máscaras comunitárias é proteger todas as pessoas que se aproximam do utilizador, evitando que este lhes transmita gotículas eventualmente contaminadas com o novo coronavírus. Na verdade, constitui também uma ténue barreira física à inalação de partículas que pairem no ar, mas este é um dispositivo de proteção dos outros, mais do que do próprio utilizador.

Classificada como artigo têxtil de uso único ou reutilizável, a máscara social deve permitir quatro horas de uso ininterrupto, sem degradação da capacidade de retenção de partículas, nem da respirabilidade. Apesar de a maioria das máscaras sociais ser reutilizável, a utilização deve obedecer às mesmas regras das máscaras cirúrgicas e respiratórias: não devem ser usadas de forma contínua por mais de 4 horas ou a partir do momento em que fiquem húmidas. Se, por exemplo, se deslocar para o trabalho de transportes públicos, terá de usar duas máscaras: uma para a ida e outra para a volta. 

Existem máscaras sociais com 2 níveis:

  • as máscaras de nível 2 devem assegurar, no mínimo, a filtração de 90% das gotículas, e são indicadas para profissionais com contacto frequente com o público, como empregados de lojas ou repartições;
  • as de nível 3, devem filtrar 70%, pelo menos, e destinam-se à população em geral (exceto se tiver sintomas de covid-19).

Ver teste a máscaras sociais

Ambos os níveis podem ser de uso único ou reutilizáveis e devem assegurar uma respirabilidade máxima de 40 Pa/cm2, a mesma respirabilidade das máscaras cirúrgicas de tipo I e tipo II. 

A oferta de máscaras sociais multiplica-se, mas há que ter alguns cuidados na hora de adquirir este produto, já que as características, a composição e, sobretudo, a segurança podem diferir muito entre modelos. Deve, por isso, garantir que compra produtos testados por laboratórios com competência técnica reconhecida. 

A máscara deve ter a identificação do nível de proteção (nível 2 ou 3) e apresentar informação sobre o processo de reutilização (lavagem, secagem, conservação, manutenção) e o número de reutilizações, se aplicável. Na etiqueta, o utilizador deve, também, ser informado sobre as características de desempenho, sobre o facto de o produto não ser um dispositivo médico ou um equipamento de proteção individual e sobre a composição. O fabrico está sujeito ao cumprimento das normas EN 14683:2019 (Anexo C) ou EN ISO 9237:1995, EN 14683:2019 (Anexo B) ou EN 13274-7:2019. 

Os fabricantes deverão notificar a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica previamente à colocação no mercado do produto, bem como manter à disposição das autoridades um breve dossiê técnico, com as características da matéria-prima, a descrição do processo de produção, a informação a constar com o produto e os relatórios dos ensaios realizados e da conformidade do produto, emitidos por um laboratório reconhecido. 

Informação sobre composição e utilização é obrigatória

Antes de comprar uma máscara social, confirme se foi testada por um laboratório com competência técnica reconhecida, como o CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário), o Equilibrium ou o ISQ (Instituto de Soldadura e Qualidade), que atribuem selos, como os apresentados em baixo, e se está acompanhada de um folheto informativo.   

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Exemplos de selos que indicam que a máscara foi testada por um laboratório com competência técnica reconhecida.

Se a máscara for reutilizável, depois de usada, deve ser guardada num saco estanque e só pode voltar a ser usada após ser lavada e seca.

A informação sobre a reutilização (lavagem, secagem, conservação e manutenção) e o número de utilizações durante o qual a eficácia é garantida devem constar do folheto informativo ou do rótulo. Como são feitas com diferentes materiais, nem todas as máscaras são higienizadas da mesma maneira.

Por exemplo, uma máscara de nível 3 com a sua qualidade comprovada para 5 lavagens apenas garante a capacidade de filtração de 70% até esse número máximo de lavagens. Depois disso, é aconselhável que deixe de usar essa máscara e a substitua por outra.

Na lavagem, é fundamental que utilize detergente ou sabão, a uma temperatura de, pelo menos, 30ºC, sendo que a maioria aconselha os 60ºC. Confira sempre as indicações da máscara.

Máscaras caseiras e filtros não recomendados

Só as máscaras testadas por laboratórios com competência técnica reconhecida devem ser utilizadas. Além da eficácia não comprovada, as máscaras caseiras apresentam, muitas vezes, problemas ao nível do design, não se adaptando ao rosto dos utilizadores, e da respirabilidade.

Algumas destas máscaras estão preparadas para a utilização de filtros que não dão garantias de proteção. Além disso, a troca dos filtros pode aumentar o risco de contágio, não só pelo contacto com a máscara, cuja superfície pode estar contaminada, mas também porque pode levar a que a máscara seja utilizada por um período mais longo do que o aconselhável. 

Uso correto da máscara

O uso de máscara é aconselhado, sobretudo, para prevenir que pessoas infetadas, nalguns casos assintomáticas, sejam veículos de transmissão da covid-19.

Para que a sua função seja cumprida, é fundamental que manuseie e utilize a máscara corretamente. Esta deve cobrir por completo o nariz e o queixo. Antes e depois de a pôr, deve lavar as mãos com água e sabão ou desinfetá-las com um gel à base de álcool. 

Enquanto a máscara estiver no rosto, puxá-la para o queixo, para falar ao telemóvel, ou simplesmente tocá-la, é altamente desaconselhado.

Como usar máscara

Quando remover a máscara, faça-o por detrás, evitando tocar na parte da frente. O risco de transmissão é maior se a máscara for retirada de modo inapropriado ou se uma pessoa saudável tocar na cara durante a utilização.

Deponha as máscaras não reutilizáveis num contentor de resíduos. Lave as reutilizáveis logo a seguir à utilização, de acordo com as instruções da etiqueta.

 

 

 

 

Autoridades de saúde recomendam usar máscara, mas não só

Além do uso da máscara, há medidas cruciais para o combate à propagação da covid-19, como o distanciamento social e o hábito de lavar ou de desinfetar frequentemente as mãos, cumprir a etiqueta respiratória e não tocar na cara, nos olhos e na boca.   

Viseiras são eficazes?

As viseiras servem como proteção contra a projeção de partículas sólidas e líquidas. Podem ser um complemento útil, mas não podem ser usadas em substituição da proteção respiratória (como máscaras), quando necessário. A sua utilização deverá ser complementada com um método barreira que tape o nariz e a boca.

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