Vírus Nipah: qual o risco e como prevenir a infeção
Doença rara, mas potencialmente fatal, a infeção pelo vírus Nipah tem causado surtos sobretudo na Índia e no Bangladesh. Conheça os principais sintomas e as medidas de prevenção.
A infeção pelo vírus Nipah (NiV) é uma doença rara, mas potencialmente fatal, que tem causado surtos com elevadas taxas de mortalidade no Sudeste Asiático, nomeadamente na Índia e no Bangladesh. O vírus Nipah tem como principal hospedeiro um tipo de morcego que pode contaminar alimentos, outros animais e pessoas.
Vai viajar para o Sudeste Asiático? Veja como se caracteriza esta infeção e saiba que medidas podem reduzir o risco de exposição à doença.
Voltar ao topoO que é o vírus Nipah?
O vírus Nipah é um vírus da família Paramyxoviridae responsável por uma doença zoonótica grave, ou seja, uma infeção viral transmitida de animais para humanos, tal como acontece com o mpox, a dengue ou o SARS-CoV-2. Esta infeção pode ter origem no contacto com um animal infetado com o vírus, no consumo de alimentos contaminados com urina ou saliva do animal infetado, ou no contacto próximo com uma pessoa infetada.
Os morcegos frugívoros são os principais hospedeiros deste vírus e a sua principal fonte de contágio, tanto para animais como para humanos.
O Nipah foi identificado pela primeira vez durante um surto entre criadores de suínos na Malásia, entre 1998 e 1999, quando o vírus se espalhou dos suínos para os humanos. Neste caso, a linhagem do vírus responsável pela infeção era a NiV-M (Malásia), e estava relacionada com o contacto próximo com os porcos infetados. Já a linhagem NiV-B (Bangladesh) advém do contacto direto com os morcegos ou com alimentos contaminados por eles.
As infeções pelo vírus Nipah têm gerado algum alarme ao nível mundial, por serem responsáveis por casos de encefalite mortal, sobretudo no Sudeste Asiático. Desde a sua descoberta, já há registo de centenas de casos de infeção humana por este vírus que resultaram em morte, sobretudo na Índia e no Bangladesh.
Voltar ao topoComo se transmite?
Há três principais fontes de contaminação pelo vírus Nipah (NiV):
- animais infetados (morcegos, porcos ou cavalos);
- alimentos contaminados com urina ou saliva de morcego (por exemplo, fruta ou produtos à base de fruta);
- pessoas infetadas, em contexto de contacto próximo e prolongado, especialmente sem proteção adequada (por exemplo, contacto direto desprotegido com fluidos corporais, como urina ou saliva).
Quais são os sintomas da infeção?
Em algumas pessoas, a infeção pelo vírus Nipah pode ser assintomática. No entanto, a maioria desenvolve alguns sintomas:
- febre;
- dor de cabeça;
- confusão mental;
- dificuldade respiratória ou tosse;
- arrepios;
- fadiga;
- sonolência;
- tonturas;
- vómitos;
- diarreia.
A doença grave pode ocorrer em qualquer doente infetado com o vírus Nipah. Está particularmente associada a pessoas com sintomas neurológicos, que evoluem para encefalite grave, que, frequentemente, pode ser fatal.
Entre a infeção e o início dos sintomas passam, em regra, de 4 a 14 dias, mas o período de incubação pode ser mais alargado (até 45 dias).
Voltar ao topoQuem corre maior risco?
A letalidade do vírus Nipah, a possibilidade de ser transmitido entre humanos e a ausência de tratamento ou vacina aprovados fazem deste vírus uma potencial ameaça para a segurança da saúde global. Ainda assim, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla em inglês), apesar dos casos recentes confirmados da infeção pelo vírus Nipah na Índia, o risco de infeção para pessoas da Europa que viajem para a região afetada ou aí residam é considerado muito baixo.
Além disso, embora a hipótese de o vírus ser importado não poder ser totalmente excluída, é considerada pouco provável. Acresce que, como as espécies de morcegos portadores do vírus Nipah não existem na Europa, o risco de transmissão subsequente após uma eventual importação é considerado muito baixo, no contexto atual. A via mais provável de introdução do vírus Nipah na Europa é através de viajantes infetados ou pessoas em contacto com eles.
- Pessoas expostas a áreas habitadas por morcegos-frugívoros ou a objetos ou locais contaminados por secreções, como poços não utilizados, grutas, pomares, entre outros.
- Pessoas com contacto direto com porcos doentes ou com os seus tecidos contaminados.
- Pessoas em contacto próximo com um caso suspeito ou confirmado de Nipah, durante a prestação de cuidados em casa, no transporte, em contexto hospitalar ou na partilha do mesmo espaço.
- Pessoas desprotegidas que tenham de tratar do corpo de uma pessoa infetada, por exemplo, no âmbito de cerimónias fúnebres ou cremação.
- Profissionais de saúde que tenham contacto direto e desprotegido com casos prováveis ou confirmados de infeção pelo NiV.
Como se diagnostica?
Os principais sintomas da infeção pelo vírus Nipah podem ser confundidos com o de outras doenças. Para confirmação, podem ser realizados testes laboratoriais, tais como:
- testes RT-PCR a partir de amostras de sangue, urina, tecidos e líquido cefalorraquidiano (que permitem a deteção do material genético do vírus);
- testes serológicos (que identificam anticorpos específicos contra o vírus Nipah e permitem ver se há infeção atual em curso ou registo de contacto prévio com o agente infecioso);
- isolamento do vírus por cultura celular, realizado em laboratórios com nível de biossegurança elevado.
Qual o tratamento?
Apesar de estarem em curso ensaios clínicos para testar várias terapias, atualmente, ainda não há tratamento aprovado para a infeção por vírus Nipah, nem vacina que permita evitar a doença, tanto para pessoas como para animais.
O diagnóstico precoce pode aumentar as probabilidades de sobrevivência das pessoas infetadas, ajudar a reduzir o risco de transmissão e a melhorar a resposta aos surtos.
Tal como acontece com outras infeções virais graves, os principais cuidados médicos incluem:
- identificar eventuais complicações (como edema cerebral, pneumonia ou lesões noutros órgãos);
- adaptar o tratamento às outras condições de saúde do doente;
- administrar oxigénio, quando necessário;
- aplicar terapêuticas de suporte a órgãos específicos, conforme necessário (por exemplo, ventilação mecânica ou diálise renal);
- garantir hidratação e nutrição adequadas, com monitorização frequente.
Viagens para o Sudeste Asiático: 6 dicas para prevenir a infeção
Antes de viajar para uma região onde ocorreram surtos de vírus Nipah, é recomendável realizar uma consulta do viajante e assegurar alguns cuidados básicos.
- Evite contacto com animais domésticos ou selvagens e com os seus fluidos ou dejetos.
- Não consuma alimentos que suspeite que possam estar contaminados por morcegos.
- Consuma apenas alimentos bem cozinhados e frutos que possam ser lavados e descascados.
- Mantenha uma boa higiene pessoal, incluindo a lavagem frequente das mãos com água e sabão ou a utilização de soluções antisséticas com pelo menos 60% de álcool.
- Evite o contacto com porcos e morcegos, bem como com locais de abrigo de morcegos.
- Evite o contacto com sangue ou fluidos corporais de pessoas infetadas com vírus Nipah ou que apresentem sinais de doença.
Infetado pelo vírus Nipah? Veja o que fazer
Caso desenvolva sintomas durante uma viagem a uma área endémica, procure imediatamente aconselhamento médico. Se os sintomas surgirem após o regresso ao País, ligue para a Linha Saúde 24 e exponha a situação. Não se esqueça de mencionar a viagem recente a uma zona de risco.
Voltar ao topoPerguntas frequentes
A infeção por vírus Nipah é uma pandemia iminente?
Não, os surtos de infeção pelo vírus Nipah são localizados.
Qual o período de incubação?
Entre a infeção e o início dos sintomas passam, em regra, de 4 a 14 dias, mas já foram descritos períodos de incubação até 45 dias.
O vírus Nipah transmite-se facilmente?
Não, a transmissão requer contacto próximo com animais infetados, alimentos contaminados ou pessoas doentes.
Há vacina disponível?
Não. Apesar de estarem a ser desenvolvidos esforços nesse sentido, ainda não foi aprovada uma vacina contra o vírus Nipah.
Infeção pelo vírus Nipah pode ser fatal?
A maioria das pessoas que sobrevivem à infeção pelo vírus Nipah recupera totalmente. Contudo foram descritas sequelas neurológicas a longo prazo em cerca de um em cada cinco doentes que recuperaram da doença.
A taxa de mortalidade associada a esta doença ronda os 40% a 75%.
O vírus Nipah existe na Europa?
Não há transmissão endémica na Europa. Os casos registados ocorreram sobretudo no Sudeste Asiático.
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