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Medicamentos para a tosse: o que funciona

Entre xaropes, pastilhas, comprimidos e granulados para solução oral, as farmácias estão repletas de produtos que prometem um alívio rápido e eficaz da tosse. No entanto, os benefícios demonstrados são modestos ou incertos para muitos produtos. Saiba o que funciona.

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20 julho 2026
Xarope

iStock

A tosse é um mecanismo de defesa do organismo que ajuda a manter as vias respiratórias desobstruídas, facilitando a eliminação de secreções, partículas irritantes e microrganismos. Para quem tem este sintoma, o impulso mais frequente é o de procurar um medicamento rápido e eficaz.

Os produtos para a tosse existem em diferentes formas farmacêuticas: pastilhas, granulados e, sobretudo, os clássicos xaropes que prometem aliviar a tosse de alguma maneira. Alguns medicamentos, como os antitússicos, atuam suprimindo o reflexo da tosse. Outros, como expetorantes e mucolíticos, aumentam o volume das secreções e alteram a consistência do muco, facilitando a sua eliminação. Será que funcionam mesmo?

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Tipos de tosse e causas

A tosse é um reflexo de defesa em consequência da irritação das vias aéreas, em que as causas mais comuns são as infeções respiratórias, como constipações, gripes ou bronquites. Na sua maioria, são infeções de origem viral, que se resolvem espontaneamente em poucos dias ou semanas.

Por norma, distinguem-se duas categorias de tosse: a tosse seca, caracterizada pela ausência de muco, e a tosse produtiva, que é acompanhada de expetoração.

Durante uma infeção, a tosse pode mudar de seca para produtiva ou vice-versa. A ideia generalizada de que a tosse seca deve ser suprimida e a tosse com expetoração deve ser "dissolvida" é uma simplificação excessiva. Muitos medicamentos para a tosse têm eficácia limitada e não tratam a causa subjacente.

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Xaropes para a tosse

Os medicamentos para a tosse, incluindo em xarope, dividem-se em duas grandes categorias, consoante a tosse seja seca ou produtiva.

Os xaropes para a tosse seca contêm princípios ativos com ação antitússica que atuam no sistema nervoso. Desta forma, inibem o reflexo da tosse nas vias respiratórias ou no centro da tosse no cérebro.

Já os xaropes para a tosse produtiva contêm expetorantes que estimulam a produção de secreções abundantes e mais fluidas ou mucolíticos que reduzem a viscosidade do catarro. O objetivo é facilitar a expulsão do muco através da tosse.

Além de xarope, os medicamentos para a tosse também estão disponíveis sob a forma de pastilhas, comprimidos, cápsulas, comprimidos efervescentes, granulado para solução oral ou gotas orais.

Os xaropes e as pastilhas para chupar são formas farmacêuticas que podem proporcionar alívio temporário da irritação da garganta e da vontade de tossir. Atuam através de um efeito calmante local, associado à sua consistência viscosa e ao estímulo da salivação, respetivamente. A escolha da forma farmacêutica depende, sobretudo, da sua preferência, da facilidade de administração e da idade da pessoa.

Xaropes para a tosse seca e com expetoração

Evite os medicamentos que combinam um antitússico e um expetorantepois tornariam a tosse mais produtiva e, ao mesmo tempo, iriam pará-la.

Um antitússico serve para suprimir a tosse, enquanto um expetorante torna o muco mais abundante e fluido, facilitando a sua eliminação ao tossir. E aqui reside a contradição. Por um lado, estes medicamentos tentam desobstruir as vias respiratórias, e, por outro, bloqueiam o mecanismo que o deveria fazer. Além disso, a eficácia desta combinação não foi ainda comprovada.  

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Mezinhas para a tosse

Quando a tosse é ligeira e associada a constipações comuns, geralmente medidas não farmacológicas podem ser suficientes. Mel, chá ou infusões de plantas poderão ser úteis para aliviar a irritação da garganta e reduzir a frequência da tosse.

Xaropes com extratos vegetais

Com frequência, afirma-se que estes xaropes têm propriedades antitússicas ou expetorantes que não foram totalmente comprovadas. Entre os ingredientes estão os extratos de tomilho, hera e pelargónioExistem estudos que sugerem um possível benefício no alívio dos sintomas da tosse para alguns destes extratos, mas a evidência científica disponível é limitada e, em muitos casos, de baixa qualidade. 

Xaropes com mel

Também há xaropes comercializados que contêm mel. No entanto, não há necessidade de investir nestes produtos quando pode dissolver uma colher de mel em água quente ou chá para aliviar a tosse.

Pomadas com mentol, cânfora ou óleo de eucalipto

Os benefícios destas pomadas para a tosse não estão demonstrados. Em crianças pequenas, alguns destes produtos podem causar irritação ou outros efeitos adversos, pelo que devem ser utilizados com precaução. 

Suplementos alimentares

Os suplementos alimentares também estão disponíveis no mercado sob a forma de comprimidos ou pastilhas que, segundo os fabricantes, promovem a saúde respiratória ou a fluidez das secreções brônquicas. Por norma, estes suplementos alimentares contêm os mesmos extratos vegetais dos xaropes acima referidos. Também não existe evidência sólida de que suplementos alimentares previnam ou tratem a tosse. 

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Medicamentos para a tosse funcionam mesmo?

A evidência que sustenta a eficácia dos medicamentos para a tosse é limitada. Vários estudos apresentam pequena dimensão, metodologias pouco rigorosas ou resultados inconsistentes. 

O SNS 24 desaconselha a automedicação e o tratamento da tosse sem conhecer e identificar a sua causa. Como a tosse é um mecanismo de proteção, não é aconselhável suprimi-la. O SNS 24 também alerta que "apesar de os xaropes para a tosse estarem facilmente disponíveis como medicamentos não sujeitos a prescrição médica, estão relatados vários casos de efeitos secundários, alguns graves, associados ao seu uso".

Veja, na tabela, as especificidades de várias substâncias ativas presentes em medicamentos para a tosse. Com exceção da codeína, os medicamentos mencionados não são sujeitos a receita médica.

Princípios ativos, eficácia e efeitos secundários dos medicamentos para a tosse seca

Princípio ativo O que se sabe
Dextrometorfano

Supressor da tosse que alguns estudos sugerem levar a uma redução modesta da frequência e intensidade da tosse. No entanto, a qualidade da evidência é limitada. Tem "ação central", ou seja, no centro da tosse no cérebro. Pode provocar náuseas, vómitos, sonolência, obstipação e, em casos raros, depressão respiratória. Interage com alguns antidepressivos. Não deve ser utilizado por grávidas ou por pessoas com asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica.

Levodropropizina, dropropizina Supressores da tosse de ação periférica. Inibem a vontade de tossir, atuando sobre o sistema nervoso ao nível das vias respiratórias. Dados limitados sugerem que são apenas ligeiramente mais eficazes do que outros supressores da tosse. No entanto, podem causar sonolência, dor de cabeça, distúrbios gastrointestinais, aumento da frequência cardíaca e hipotensão.
Cloperastina, oxolamina e outros supressores da tosse
Embora presentes em xaropes, existe pouca evidência da sua eficácia. Podem causar efeitos secundários como náuseas e problemas intestinais.
Codeína
É apresentado como um supressor da tosse de ação central, mas os poucos estudos disponíveis não demonstram benefício consistente no alívio da tosse. O uso pode provocar náuseas, vómitos, obstipação, sonolência e depressão respiratória, além do risco de dependência. Não é recomendado a crianças com menos de 12 anos.

Supostamente, medicamentos para a tosse com expetoração tornam a expetoração fluida e facilitam a sua eliminação dos brônquios. Mas os expetorantes e os mucolíticos também não parecem ser mais eficazes do que um placebo. Veja os detalhes na tabela.

Princípios ativos, eficácia e efeitos secundários dos medicamentos para a tosse produtiva

Princípio ativo O que se sabe
Guaifenesina

É um expetorante antigo, mas não se conhecem dados que fundamentem o seu uso. Estudos sugerem equivalência a um placebo. Pode causar efeitos secundários, como náuseas ou vómitos.

Bromexina e ambroxol

São mucolíticos quimicamente relacionados, mas os benefícios observados nos estudos são geralmente modestos, e a evidência científica é limitada. Têm efeitos secundários gastrointestinais reportados. Em casos com frequência desconhecida, mas graves, podem causar reações cutâneas severas e choque anafilático.

Acetilcisteína e carbocisteína
Estes mucolíticos foram testados mais extensivamente em crianças do que em adultos. No entanto, uma revisão de seis estudos em crianças mostra efeitos modestos e inconclusivos. Devido a possíveis reações adversas, como reações alérgicas, distúrbios cutâneos ou problemas gastrointestinais, o NICE (instituto britânico para a Excelência Clínica) desaconselha a sua utilização.
Erdosteína É um medicamento mucolítico e expetorante. A erdosteína pode reduzir exacerbações em alguns doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica, mas a evidência é variável, e o benefício parece mais consistente na doença respiratória crónica do que na tosse aguda.
Sobrerol
Falta investigação sólida que ateste a eficácia desta substância no tratamento da tosse. Em Portugal, só existe um medicamento comercializado que contém esta substância ativa em combinação com outra substância ativa: Carbocisteína + Sobrerol. É um medicamento não sujeito a receita médica.
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Perguntas frequentes sobre medicamentos para a tosse

O que fazer se a tosse persistir e não passar?

A tosse associada a constipação, gripe ou bronquite, por norma, desaparece espontaneamente depois de uma ou duas semanas, mesmo sem medicação, podendo persistir até três ou quatro semanas. No geral, não há motivo para preocupação, pois trata-se de uma consequência frequente da inflamação residual e da maior sensibilidade das vias aéreas após uma infeção respiratória.

Quando a tosse não desaparece e dura mais de oito semanas nos adultos considera-se tosse crónica (mais de dois meses). Deverá consultar o médico quando a tosse se prolonga, for intensa e sem sinais de melhoria por mais de duas a três semanas. O mesmo se aplica caso surjam sinais de alerta, como dificuldade respiratória, dor no peito, sangue no catarro, febre elevada ou prolongada ou perda de peso involuntária.

A tosse por refluxo precisa de xarope?

Uma causa comum de tosse prolongada é o refluxo gastroesofágico. O ácido do estômago reflui para a parte superior do esófago, irritando as mucosas e desencadeando o reflexo da tosse. Nestes casos, os xaropes para a tosse não são úteis. O tratamento depende da avaliação médica e pode incluir alterações do estilo de vida e, em algumas situações, medicamentos que reduzem a produção de ácido gástrico.

O que tomar para a tosse e constipação simultâneas?

Depende dos sintomas. Medicamentos como paracetamol ou ibuprofeno podem ajudar no alívio da febre ou dores associadas a constipação ou gripe. As lavagens nasais com solução salina podem ajudar a aliviar a congestão nasal e a eliminar as secreções.

Para a tosse e dor de garganta, as tradicionais pastilhas ou os sprays à base de benzidamina ou flurbiprofeno mostraram alguma utilidade como analgésicos locais, conferindo alívio mais rápido da dor. Rebuçados duros e beber bastantes líquidos, entre outras medidas não farmacológicas, também são úteis.

Como acalmar a tosse nas crianças de forma segura?

Em geral, as diretrizes médicas não recomendam o uso de xaropes para a tosse de venda livre em crianças, uma vez que a sua eficácia não foi claramente comprovada e que podem apresentar riscos.

Em vez disso, prefira medidas não farmacológicas, como a toma de uma colher de chá de mel (apenas para crianças com mais de um ano de idade), xaropes açucarados, hidratação adequada e lavagens nasais com solução salina.

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