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Iodo: para que serve, benefícios e sinais de carência que não deve ignorar

Cansaço, aumento de peso ou problemas na tiroide podem estar ligados à falta de iodo. Descubra para que serve este mineral essencial, as suas funções no organismo e como garantir a dose certa diária.

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28 março 2026
Sal marinho derramado sobre uma mesa azul

iStock

O iodo é um oligoelemento (micronutriente) vital para o organismo, cuja ingestão inadequada pode ter efeitos na saúde. A falta ou excesso pode afetar o funcionamento da tiroide e desregular o metabolismo.

Neste guia completo, descubra para que serve o iodo, quais os sinais de alerta, onde encontrá-lo na alimentação e como garantir a quantidade ideal deste micronutriente para o seu corpo.

Falta de iodo: um problema silencioso que afeta muitos portugueses

Em Portugal, os dados disponíveis são limitados e pouco recentes. Os últimos estudos, que remontam a 2008 e 2012, sugerem que há uma carência em iodo muito expressiva e generalizada. Oito em cada dez grávidas do Continente consomem menos iodo do que o recomendado, e apenas 17% têm valores de iodúria (medição da quantidade de iodo excretada na urina) adequados.

De acordo com os dados, nas regiões autónomas, a carência é ainda mais preocupante. Nos Açores, a percentagem de grávidas com carência ascende a 99 por cento. Na Madeira, 92% revelam níveis inadequados.

Mais recentemente, um relatório de 2024 da Organização Mundial de Saúde e da Iodine Global Network revelou que as crianças em idade escolar apresentam, de forma geral, uma ingestão adequada de iodo. No entanto, em 2025, a Madeira aprovou legislação regional precisamente porque, no arquipélago, há carências, sobretudo nas crianças.

O diploma aprovado cita estudos que revelam que 68% das crianças em idade escolar apresentavam carência em iodo, 49% das quais tinham uma carência ligeira, 15% uma carência moderada e 4% uma carência grave.

Com o objetivo de prevenir défices deste mineral entre a população, passou a ser obrigatório o uso de sal iodado na indústria alimentar, na restauração e em cantinas públicas e escolares.

Quais são as funções do iodo no organismo?

O iodo é indispensável para o bom funcionamento da tiroide, que produz hormonas responsáveis por regular funções vitais do organismo. Apesar de ser necessário em pequenas quantidades, o seu impacto na saúde é enorme, sendo essencial para:

  • produção das hormonas tiroideias (T3 e T4);
  • regulação do metabolismo e produção de energia;
  • crescimento e desenvolvimento global.

A hormona T3, por exemplo, regula processos essenciais como o desenvolvimento neurológico, incluindo a formação e organização dos neurónios e a mielinização, que permite uma comunicação eficiente no cérebro. Além disso, contribui para o desenvolvimento dos músculos, dos ossos e dos pulmões.

Quando a ingestão de iodo é adequada, o organismo utiliza apenas a quantidade necessária, eliminando o excesso sobretudo pela urina. No entanto, uma ingestão insuficiente pode comprometer a produção hormonal da tiroide e afetar o desenvolvimento cognitivo, especialmente em fases críticas como a gestação e a infância.

Consequências da deficiência de iodo

A ingestão inadequada de iodo resulta na produção insuficiente de hormonas da tiroide, com diversas consequências:

  • bócio;
  • hipotiroidismo;
  • atraso mental;
  • cretinismo (forma grave de hipotiroidismo congénito);
  • aumento da mortalidade neonatal e infantil

bócio é uma das manifestações mais comuns da deficiência de iodo. Caracteriza-se por um aumento de tamanho da tiroide, que tenta compensar a falta de iodo, tornando-se mais ativa e passando a produzir mais T3 em vez de T4.

Se este mecanismo de adaptação não funcionar convenientemente e a deficiência em iodo não for muito grave, a consequência será apenas um aumento do volume da tiroide (bócio), mantendo-se a função tiroideia dentro dos valores normais.

Em situações mais severas de deficiência de iodo, ao bócio pode-se associar o hipotiroidismo. O organismo deixa de conseguir produzir hormonas tiroideias suficientes.

Impacto da deficiência de iodo na gravidez

A carência de iodo na gravidez pode ter efeitos sérios tanto para a mãe como para o bebé:

  • aumento do risco de aborto espontâneo;
  • complicações na gravidez;
  • eventual contributo para a infertilidade;
  • comprometimento do fornecimento adequado de hormonas tiroideias ao feto.

De facto, as hormonas tiroideias são cruciais para o desenvolvimento do cérebro, sobretudo durante o período fetal e nos primeiros dois a três anos de vida. Mesmo uma deficiência ligeira a moderada de iodo pode resultar em:

  • défices cognitivos;
  • diminuição da capacidade de aprendizagem;
  • alterações no desenvolvimento neurológico.

Necessidades diárias de iodo

As necessidades diárias de iodo variam ao longo da vida. De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), a dose diária recomendada (DDR) é a seguinte:

Grupo Dose recomendada
Crianças entre os 0 e os 5 anos 90 μg/dia
Crianças entre os 6 e os 12 anos 120 μg/dia
Adolescentes e adultos 150 μg/dia
Grávidas e lactantes 250 μg/dia

A DGS recomenda que as mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio – 150 a 200 µg/dia, desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo. Contudo, nas mulheres com problemas da tiroide, este suplemento pode ser contraindicado.

Alimentos ricos em iodo

A concentração de iodo nos alimentos depende de inúmeros fatores, tais como o teor de iodo na água e nos solos, utilização de desinfetantes iodados na indústria alimentar e o uso, na agricultura, de fertilizantes ricos em iodo.

Os alimentos que contêm mais iodo na sua composição são, entre outros, os seguintes:

  • sal iodado;
  • algas;
  • peixe, marisco e bivalves;
  • leite e seus derivados;
  • alguns produtos hortícolas.

O sal iodado é a melhor fonte alimentar de iodo, embora o seu consumo deva ser moderado (5 gramas é a quantidade máxima de sal diária recomendada pela OMS).

Condimentar os alimentos com sal iodado é, por isso, uma prática desejável. O seu uso na dieta alimentar é seguro e não produz efeitos adversos, se não for utilizado em excesso.

Um estudo de 2023, com crianças dos seis aos dez anos, realizado na área metropolitana de Lisboa, concluiu que basta uma refeição por dia com sal iodado para atingir os níveis recomendados para uma criança.

Apesar de ser uma boa fonte de iodo de baixo custo, as vendas globais de sal iodado são extremamente baixas no nosso país. De salientar que, apenas com algumas exceções, o sal comestível (cloreto de sódio) não contém iodo. Este é adicionado ao sal marinho de forma a enriquecê-lo.

O peixe e o marisco são, também, uma boa fonte, porque o mar contém um teor de iodo considerável. Já os peixes de água doce refletem o teor do iodo da água onde nadam, que pode ser deficiente.

Se tiver uma alimentação rica em peixe e laticínios, consegue suprir a dose diária adequada (150 µg/dia).

Efeitos do excesso de iodo

Embora o iodo seja essencial para a saúde da tiroide, o seu consumo em excesso pode ter efeitos negativos significativos, alterando o equilíbrio hormonal e aumentando o risco de doenças tiroideias. Este excesso pode resultar de:

  • consumo frequente de alimentos naturalmente ricos em iodo;
  • níveis elevados de iodo na água potável
  • uso de sal iodado com concentrações excessivas ou mal controladas;
  • programas de fortificação mal ajustados

A sobrecarga de iodo de origem alimentar é, no entanto, raríssima. Na maioria dos países, incluindo Portugal, os níveis de iodo no sal são controlados e seguros.

A maioria das pessoas pode tolerar, pelo menos, um miligrama (1000 μg) de iodo por dia sem efeitos adversos. No entanto, em adultos, a ingestão a partir de 1100 μg/dia pode tornar-se prejudicial.

Um consumo elevado pode bloquear temporariamente a produção de hormonas tiroideias (conhecido como efeito de Wolff-Chaikoff). Em pessoas saudáveis, tende a não ter consequências a longo prazo. No entanto, quando o consumo excessivo é prolongado, os riscos aumentam:

  • maior prevalência de hipotiroidismo;
  • aumento do risco de hipertiroidismo;
  • desenvolvimento de doenças autoimunes da tiroide;
  • possível aparecimento de bócio (aumento da tiroide).

O excesso é particularmente relevante em pessoas com predisposição ou doença tiroideia preexistente.

Em resumo, manter uma ingestão adequada — nem insuficiente nem excessiva — é a chave para proteger a saúde da tiroide e o bem-estar geral.

 

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