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Anestesia mal dada

Em curso Pública

Problema identificado:

Outro

Reclamação

S. M.

Para: Hospital da Luz - Oeiras

12/10/2026

Exmo. Senhor, No dia 15 de setembro de 2026, desloquei-me à vossa unidade de saúde, Hospital da Luz Oeiras, para realizar dois exames: Videoendoscopia Digestiva Alta (Esofagogastroduodenoscopia) e Colonoscopia Total com sedação. O exame estava marcado para as 11h20, tendo eu comparecido pelas 10h50. Fui chamada pelo assistente administrativo, a quem entreguei os documentos previamente enviados por email, já devidamente assinados. Alguns minutos depois, fui encaminhada para o quarto, onde me foi explicado como deveria proceder até à chegada da equipa médica. Posteriormente, uma enfermeira tentou colocar o cateter intravenoso, verificando que eu não tinha veias muito salientes. Fui picada uma vez, sem sucesso. De seguida, fui picada no local habitual das análises, no braço direito. Ao iniciar a administração do soro, senti ardor, o que comuniquei de imediato. A enfermeira respondeu que era “normal”. Informei que poderia colocar o cateter no braço esquerdo, pois tinha realizado análises uma semana antes e as veias estavam bem visíveis. A enfermeira respondeu que “não podia ser”, alegando que não era o braço utilizado para o exame. Alguns minutos depois, fui levada para a sala de exames. Já posicionada, a enfermeira começou a administrar a anestesia. A médica, estranhou o facto de eu ainda não estar a dormir. Concluiu-se que a anestesia tinha extravasado da veia, acumulando-se no tecido circundante (extravasamento de propofol). Foi então colocado um novo cateter no braço esquerdo e o exame prosseguiu. Ao acordar, comecei a sentir dores no braço direito e até perguntei se ainda tinha algum dispositivo colocado. Recebi um documento intitulado “Cuidados após extravasamento de propofol”, cujas instruções segui rigorosamente. Pelas 21h20, já em casa e após o jantar, comecei a sentir dores cada vez mais intensas no braço, acompanhadas de vermelhidão. Contactei o número de urgência fornecido, tendo sido atendida pela enfermeira , que me aconselhou a dirigir-me à urgência do Hospital da Luz Lisboa. Desloquei-me ao hospital pelas 22h25, onde dei entrada. Nenhum profissional sabia o que se tinha passado. Na triagem, a enfermeira afirmou que “é normal acontecer”. Fui chamada cerca de uma hora depois. A médica informou que não havia ninguém disponível para realizar ecografia. Recebi: · administração intravenosa de anti-histamínico · administração intravenosa de analgésicos · encaminhamento para consulta de cirurgia cardiovascular Saí do hospital por volta da 01h00 do dia 16 de setembro. Tive de pagar a urgência e a administração dos medicamentos, custos que não deveriam ter sido imputados a mim, dado que tudo resultou de um erro clínico. No dia 16 de setembro, não consegui trabalhar devido às dores e à falta de descanso. No dia seguinte, fui à consulta de cirurgia cardiovascular, onde foi realizado um exame Eco Doppler do braço. O médico explicou o motivo da consulta, prescreveu medicação por 10 dias e recomendou que evitasse esforços e exercício físico — atividade que pratico regularmente. Indicou ainda que deveria regressar ao fim de uma semana. Fiquei extremamente desagradada com toda a situação: · pela falha na administração do fármaco, · pela falta de informação clara, · pela ausência de coordenação entre unidades, · pelo impacto físico e emocional, · e por ter Lúpus, condição que torna qualquer erro medicamentoso ainda mais preocupante, não sabendo eu quais poderão ser as consequências futuras. Além disso, fui enviada para uma urgência onde ninguém sabia o que se tinha passado, e tive de suportar todos os custos médicos decorrentes de um erro que não foi meu. Por este motivo, solicito: 1. Devolução integral de todos os valores pagos, incluindo urgência, medicação, consultas e exames relacionados com o extravasamento de propofol. 2. Registo formal de que qualquer cuidado futuro relacionado com este incidente será imputado ao Hospital da Luz, unidade onde ocorreu o erro. 3. Resposta escrita com a análise do caso e as medidas adotadas para evitar situações semelhantes. Informo que apresentei reclamação em ambas as unidades hospitalares envolvidas.


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