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“Venda de bilhetes Boom Festival – falta de transparência e desigualdade no acesso”

Em curso Pública

Problema identificado:

Bilhetes e passes

Reclamação

R. D.

Para: Good mood / Boom Festival

06/10/2026

Venho solicitar o apoio/intervenção da DECO Proteste relativamente à forma como decorreu a venda presencial de bilhetes do Boom Festival, no dia 6 de outubro de 2026, através da loja embaixadora de Lisboa. Recebi previamente uma comunicação oficial do Boom Festival informando que a venda dos bilhetes teria início no dia 6 de outubro. Com base nessa informação, eu e o meu marido deslocámo-nos ao ponto de venda em Lisboa, chegando cerca das 6h00 da manhã. Para nossa surpresa, quando chegámos já nos foi atribuído aproximadamente o número 135 numa lista existente à porta da loja. Segundo nos foi explicado no local, essa lista tinha começado a ser preenchida desde sábado, dia 3 de outubro, ou seja, três dias antes da data oficialmente anunciada para o início da venda. Foi-nos ainda referido que eram realizadas chamadas periódicas para confirmar a presença das pessoas inscritas e manter a respetiva posição na fila. Considero esta situação particularmente grave, porque significa que consumidores que tiveram conhecimento antecipado desta lista puderam garantir uma posição vários dias antes, enquanto outros, como nós, confiaram exclusivamente na informação oficial enviada pela organização. Questiono, por isso, como pode ser considerado transparente e equitativo um processo em que a venda estava oficialmente anunciada para o dia 6 de outubro, mas em que as posições para aquisição dos bilhetes começaram, na prática, a ser organizadas desde o dia 3. Permanecemos no local desde aproximadamente as 6h00 até às 19h40, quase 14 horas, sem conseguirmos adquirir os dois bilhetes que pretendíamos. Durante todo esse período não foram asseguradas condições mínimas para as pessoas que aguardavam. Não existiam instalações sanitárias disponíveis para os clientes que estavam na fila, obrigando-me a recorrer repetidamente aos estabelecimentos comerciais das proximidades e a efetuar consumos para poder utilizar uma casa de banho. A venda estava prevista para começar às 11h00, mas sofreu um atraso superior a uma hora. Durante esse período, a polícia chegou inclusivamente a entrar no estabelecimento para verificar o que se estava a passar. Quando a venda começou, verificaram-se também sucessivos problemas com os pagamentos por cartão, tendo sido aconselhado a alguns clientes que levantassem dinheiro para agilizar o processo. Este aconselhamento parece-me igualmente incompreensível, tendo em conta que cada pessoa podia adquirir até cinco bilhetes, correspondendo a um valor que podia atingir aproximadamente 1.410 euros, muito acima dos limites normais de levantamento em caixas Multibanco. Outro dos aspetos mais graves foi a falta de informação relativamente ao número de bilhetes efetivamente disponíveis. Ao longo do dia, várias pessoas perguntaram repetidamente quantos bilhetes existiam para venda. A resposta transmitida foi sempre que não sabiam. No final, fomos informados de que teriam sido disponibilizados apenas cerca de 390 bilhetes. Depois de aproximadamente 78 pessoas terem efetuado as suas compras, foi anunciado que os bilhetes tinham terminado. Se esta informação tivesse sido transmitida desde o início, os consumidores poderiam ter avaliado a sua posição na fila e decidido conscientemente se pretendiam permanecer durante tantas horas no local. Em vez disso, centenas de pessoas permaneceram durante horas numa fila sem conhecerem sequer a quantidade total de bilhetes disponível. Foi-nos também transmitido pelo responsável da loja que o acordo para aquela entidade funcionar como embaixadora do Boom Festival teria sido celebrado cerca de seis meses antes, mas que, poucos dias antes da venda, a organização do Boom Festival teria alterado as condições inicialmente acordadas. Segundo o mesmo responsável, nem a própria loja teria conhecimento antecipado de que receberia uma quantidade tão reduzida de bilhetes. Caso esta informação seja verdadeira, considero que demonstra uma falha grave de organização e comunicação entre a entidade promotora e o ponto de venda, cujas consequências acabaram por ser suportadas pelos consumidores. Eu e o meu marido pretendíamos adquirir apenas dois bilhetes. Chegámos às 6h00 da manhã, permanecemos no local praticamente todo o dia e saímos cerca das 19h40 sem conseguir efetuar a compra. Para estar presente, abdiquei inclusivamente de um dia de folga. Compreendo perfeitamente que os bilhetes possam esgotar devido à elevada procura. A minha reclamação não decorre do simples facto de não ter conseguido comprar os bilhetes. O que considero inaceitável é a forma como todo o processo foi conduzido: - existência de uma lista iniciada três dias antes da data oficialmente anunciada para a venda; - aparente desigualdade de informação entre consumidores; - ausência de informação clara sobre o número de bilhetes disponíveis; - atraso significativo no início da venda; - problemas com os meios de pagamento; - ausência de condições mínimas para as pessoas que permaneceram muitas horas no local; - e falta de transparência ao longo de todo o processo. Solicito, por isso, o apoio da DECO PROteste na análise desta situação e, se possível, na obtenção de esclarecimentos junto da entidade responsável pelo Boom Festival/Good Mood. Pretendo igualmente perceber se a forma como este processo foi conduzido respeitou os deveres de informação, transparência e igualdade de tratamento que devem existir nas relações com os consumidores. Tenho na minha posse o e-mail recebido com a informação relativa à data de início da venda e poderei disponibilizar os elementos necessários para comprovar o sucedido. Agradeço a vossa análise e intervenção. Com os melhores cumprimentos, Rosa Dias e José Patrício


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