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12 ideias para gerir as finanças pessoais

Poupar, investir, organizar impostos, escolher bem os seguros: damos 12 pistas para lidar com as finanças pessoais ao longo do ano.

08 agosto 2022
separar dinheiro

iStock

Ao longo de um ano, há muitos assuntos por resolver, para poupar, investir ou, simplesmente, para organizar a vida. Damos-lhe 12 pistas.

Cartão de crédito: finalmente vou pagá-lo na totalidade

Pode ser uma ajuda preciosa na gestão das finanças familiares – é um balão de oxigénio nos momentos de imprevistos ou para fazer face a despesas avultadas, quando usado com cautela. E, com as compras online ao rubro, tornou-se mesmo uma opção a que muitos consumidores recorrem. Mas existe um perigo à espreita na utilização deste meio de pagamento: a tentação de dividir o pagamento das compras em parcelas, não pagando o extrato na totalidade. Tal leva a um acréscimo de custos, pois há juros sobre o montante não pago em cada mês. No financiamento ao consumo, os cartões de crédito são os principais responsáveis por situações de incumprimento.

Se costuma fasear o pagamento do extrato mensal, passe a pagá-lo na sua totalidade. Ao saldar as compras efetuadas nos 20 a 50 dias anteriores, evita o pagamento de juros. E se optar por um cartão sem anuidade, pode usufruir de todas as vantagens deste meio de pagamento sem qualquer custo. 

Seguro de saúde: vou escolher o melhor possível

Há muito que pensava numa solução para enfrentar os custos dos cuidados de saúde privados? O seguro de saúde é válido em caso de doença ou acidente, e vendido sob a forma de pacotes predefinidos de coberturas e capitais, para pagar despesas com cirurgias; consultas de especialidade; parto; estomatologia; próteses e medicamentos; doença oncológica ou doença grave.

Mas atenção ao que fica de fora, como doenças preexistentes, correção de anomalias e malformações congénitas, acidentes de trabalho e doenças profissionais, consultas e tratamentos de infertilidade e de inseminação artificial, cirurgia plástica (exceto na sequência de acidentes previstos pela apólice) ou tratamentos de obesidade. Nestas apólices, há períodos de carência. A duração é, em regra, anual, são válidas no território nacional, podendo ficar abrangidas deslocações ao estrangeiro durante estadias até 30 ou 60 dias, e aplicam-se franquias ou copagamentos. Descubra o melhor para si no nosso comparador de seguros de saúde

PPR: vou preparar a minha reforma

As previsões assustam: em 2045, os pensionistas vão viver com valores de reforma abaixo de 50 por cento. Se está na casa dos 40 ou 50 anos, é urgente programar uma poupança de longo prazo. Deve começar cedo. Se não lida bem com o risco, ou se já está a 10 anos (ou menos) da idade da reforma, opte por um PPR sob a forma de seguro com capital garantido. É mais estável, mas tem rendimento modesto. A nossa recomendação é o Lusitania Poupança Reforma PPR, que rendeu 2,25% em 2021 e 3% ao ano, nos últimos cinco anos até 2021. Se está mais longe da idade de reforma e considera correr algum risco, escolha os fundos PPR sem garantia de capital, que investem parte da carteira em ações. Nessa categoria temos três recomendações, com diferentes níveis de risco, consoante a percentagem de investimento em ações: o NB PPR/OICVM e o Alves Ribeiro PPR conseguiram ambos 5,5% ao ano, nos últimos cinco anos civis (2016 a 2021), com percentagens moderadas de ações (menos de 30%); o PPR SGF Stoik conseguiu 5,6% ao ano nesse mesmo período – a diferença é que tem uma componente superior de ações, aplicando mais de 50% nesses títulos. Simule quanto pode ganhar com um PPR

Condomínio: cuidados enquanto administrador

Tem, pelo menos, estas funções garantidas:

  • convocar a assembleia de condóminos;
  • preparar o orçamento anual;
  • verificar se há seguro nas frações contra risco de incêndio;
  • cobrar as quotas aos condóminos e pagar as despesas comuns;
  • confirmar se existe o fundo comum de reserva;
  • exigir dos condóminos a quota-parte nas despesas aprovadas;
  • realizar os atos de conservação dos bens comuns;
  • regular a prestação dos serviços de interesse comum bem como o uso de bens comuns;
  • executar as deliberações da assembleia (que não tenham sido impugnadas) no prazo máximo de 15 dias úteis, ou no prazo fixado, exceto em casos fundamentados;
  • representar os condóminos perante as autoridades administrativas;
  • prestar contas à assembleia;
  • assegurar o cumprimento do regulamento de condomínio;
  • guardar os documentos do condomínio;
  • informar os condóminos (por carta ou por e-mail) sempre que o condomínio seja citado ou notificado num processo em tribunal, arbitral, injunção, contraordenação ou procedimento administrativo;
  • informar os condóminos a cada seis meses (por carta ou por e-mail) sobre questões relativas aos processos (em tribunal, injunção etc.);
  • emitir declaração de dívida do condómino;
  • atuar em todas as situações de urgência sempre que as mesmas o exijam bem como convocar de imediato assembleia extraordinária de condóminos tendo em vista esse efeito;
  • apresentar pelos menos três orçamentos quando estejam em causa deliberações da assembleia relativas a obras de conservação extraordinária ou inovações desde que o regulamento de condomínio ou a assembleia de condóminos não disponha de forma diferente.  

Mas nada impede que a assembleia lhe atribua outras tarefas. Parece muito? É porque é muito. Para conciliar o condomínio com a sua vida pessoal e profissional imponha limites – o administrador não é um funcionário (ainda por cima, por norma, o cargo não é remunerado). Evite tomar partido relativamente a questões de vizinhança e privilegie os contactos por escrito (e-mail), especialmente fora de horas. 

Finanças: ganho 500 euros e faço a simulação

Distrai-se e deixa despesas pendentes no e-Fatura? Algumas de educação e saúde, às vezes, caem no vazio. Embora o prazo de entrega do IRS relativo a 2021 já tenha terminado, convém começar a ter atenção às despesas de 2022 que já tenha vindo a realizar. Faça a verificação regular, porque as faturas pendentes têm de ser validadas uma a uma, o que obriga a uma tarefa que pode ser demorada, sobretudo se tiver de fazê-lo para vários membros do agregado familiar. Além disso, quanto mais tempo passar, mais difícil será recordar-se de tudo.

Entre as despesas que realizar e para as quais deve pedir o comprovativo com o número de contribuinte, há vários tipos de encargos: as chamadas “despesas gerais”, que vão permitir que desconte 250 euros (335 no caso das famílias monoparentais) no IRS que tem a pagar, e outras, em que parte ou a totalidade do IVA também é descontada ao imposto devido e em que pode ser ressarcido em mais 250 euros. Não se esqueça de validar as despesas dos filhos que façam parte do seu agregado.

Trate com carinho a declaração de IRS, pois só tem a ganhar: valide tudo o que tenha de ser validado no e-Fatura até 25 de fevereiro do próximo ano e declare a composição do agregado familiar no Portal das Finanças até 15 desse mesmo mês. Quando chegar a altura de entregar o IRS, deve ter dois cuidados principais: verifique se as faturas estão todas mencionadas no anexo H. Se não, deve acrescentá-las, desde que tenha os comprovativos. E simule: verifique se compensa englobar alguns rendimentos, como os de capitais e os de rendas. E não se esqueça de verificar se é vantajoso entregar a declaração em conjunto com o seu companheiro ou companheira e incluir os seus filhos (com mais de 18 e até aos 25 anos) na mesma declaração: se tiverem rendimentos, pode compensar que façam a entrega em separado.

Seguro automóvel: ano novo, carro velho sem danos próprios

O seguro automóvel de danos próprios é útil em situações em que o condutor é responsável por um acidente que envolve danos elevados no próprio carro (por exemplo, com perda total) ou quando o veículo é furtado. Faça-o nos primeiros cinco anos após a aquisição de um carro novo. A partir daí, a desvalorização é acentuada e o seguro pode deixar de ser interessante. Trata-se de uma cobertura especialmente importante se o carro tiver um valor elevado, mas as vantagens são ainda maiores se não estiver totalmente pago no momento do acidente, caso tenha sido comprado com recurso a crédito ou leasing. Se o carro é antigo, está pago e não tem grande valor comercial, pondere poupar uns trocos abdicando desta cobertura, limitando-se a um pacote mais simples de responsabilidade civil. 

Crédito à habitação: vou amortizar a dívida da casa

Tem algum dinheiro de parte e quer encurtar a dívida da casa ao banco? Além de reduzir o encargo, pode poupar nos juros e solicitá-lo a qualquer momento. Tem de o fazer por escrito com, no mínimo, sete dias úteis de antecedência e a amortização deve acontecer no mesmo dia em que é cobrada habitualmente a prestação mensal. O banco pode exigir uma comissão, que varia consoante o tipo de taxa do crédito. Se o contrato tiver taxa variável, no máximo pode cobrar 0,5% do capital reembolsado. Já se tiver taxa fixa, a comissão será de 2%: na prática, por cada 1000 euros amortizados, são cobrados 5 euros num contrato com taxa variável; e 20 euros, se a taxa for fixa. Esta comissão pode estar isenta de cobrança se o pedido for motivado por morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares do crédito. Deve indicar o motivo no pedido de amortização antecipada.

O impacto da amortização será refletido no valor da prestação, diminuindo-a. Mas o consumidor pode tentar renegociar o contrato, mantendo o valor e diminuindo o prazo total do crédito.

Vou apoiar entidades de solidariedade social

benefícios fiscais para quem ajuda entidades públicas ou privadas com iniciativas em várias áreas: social, cultural, ambiental, científica ou tecnológica, desportiva ou educacional. Considera-se 25% do valor doado, que acresce às restantes deduções, até ao limite de 15% da coleta, que é o imposto a pagar. Pode ajudar instituições conhecidas como a Abraço ou o Banco Alimentar contra a Fome, e ainda bombeiros, igrejas e escuteiros. Mas cuidado com os oportunistas. Consulte a lista de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) registadas no site da Segurança Social. Para saber quais as instituições a quem se pode consignar o IRS ou o benefício do IVA, aceda ao Portal das Finanças, na área “Apoio ao contribuinte” e “IRS”. Nas campanhas de rua ou porta a porta, peça a identificação de quem o aborda. Em caso de dúvida, contacte a instituição antes de fazer um donativo.

Investimentos: o que faço ao dinheiro que poupei?

Não o deve guardar debaixo do colchão, até porque, com as altas taxas de inflação, o seu dinheiro vai perder valor. Ainda que as aplicações de poupança rendam pouco, deverá procurar as melhores soluções, como forma de minimizar o efeito negativo da inflação. Um fundo de investimento (ou uma carteira de fundos) para o longo prazo é a melhor forma de fazer face à inflação; mas são produtos sem capital garantido – por isso, procure mais informação sobre os produtos que recomendamos na PROTESTE INVESTE.

Fazer um PPR e preparar a reforma é cada vez mais importante: é uma poupança de longo prazo que poderá também utilizar em caso de desemprego, doença grave, incapacidade para o trabalho e ainda para pagar a prestação da casa. Mas, para poupanças com maior liquidez, aproveite este contexto de subida da Euribor e aplique em Certificados de Aforro, atualmente um dos produtos de capital garantido mais interessantes, já que a taxa-base depende diretamente da Euribor a três meses. Pode também optar por depósitos a prazo, sendo os depósitos promocionais para novos clientes e novos montantes os que apresentam melhores taxas: Best Bank e Banco Invest apresentam as melhores ofertas do mercado: 1,1% líquida a três meses e 0,7% a seis meses, respetivamente. Consulte o nosso comparador de depósitos e contas poupança.

Vou transferir o seguro de vida 

Transfira o seguro de vida associado ao crédito à habitação para uma seguradora mais barata. Em regra, em troca de um spread mais baixo no crédito à habitação, os bancos propõem a contratação do seguro de vida e do multirriscos-habitação comercializados pela própria instituição. Mas nem sempre é mais vantajoso: em muitos casos, o que poupa com a bonificação do spread é inferior ao que paga a mais pelo seguro. Consulte o nosso simulador para saber se é o seu caso. Com base nos dados do crédito (capital em dívida, prazo, TAN) e do seu seguro atual (cobertura, titulares, prémio), analisa todas as ofertas de mercado e diz-lhe de forma imediata quanto poderá poupar até ao final do contrato se transferir o seguro de vida para uma das nossas Escolhas Acertadas. Se decidir seguir as nossas recomendações, conte com a nossa ajuda no processo de mudança.  

Testamento vital: se me acontece algo, quero ser eu a decidir

Se for maior de idade e não estiver ao abrigo do regime do maior acompanhado, pode decidir o que lhe acontece se enfrentar uma situação delicada de saúde, que o ponha entre a vida e a morte. Isso é feito através do testamento vital. Aí declara que cuidados de saúde deseja ou não receber se vier a estar incapaz de expressar a sua vontade e lhe seja diagnosticada uma doença incurável em fase terminal, sem expectativa de recuperação de acordo com a avaliação feita por uma equipa médica. Pode, ainda, nomear um procurador de cuidados de saúde e um procurador de cuidados de saúde suplente. Ficarão com poderes para decidir que cuidados lhe serão ministrados.

A forma mais fácil e económica de o fazer é optar pelo Registo Nacional do Testamento Vital (RENTEV). Consulte a lista de balcões existentes que deve utilizar. O processo é gratuito e, para ser ainda mais fácil, pode optar pelo modelo de Diretiva Antecipada da Vontade, criado pelo Ministério da Saúde e disponível no Portal do Utente do Serviço Nacional de Saúde. O testamento vital tem de ser assinado na presença de um funcionário do RENTEV e tem a validade de cinco anos, com possibilidade de renovação por períodos iguais.

Seguro para animais de estimação

Para evitar conflitos com a vizinhança e proteger a saúde dos animais de estimação, há uma oferta crescente deste tipo de apólices. A maioria destina-se a cães e gatos; algumas estendem-se a roedores e a porcos vietnamitas. Abrangem a responsabilidade civil, que garante as indemnizações exigidas ao segurado. Esta cobertura é obrigatória por lei para raças de cães consideradas potencialmente perigosas – o capital mínimo deverá ser de 50 mil euros.

Mas há, ainda, apólices dirigidas à saúde dos animais, que incluem as despesas médicas efetuadas com o animal na sequência de cirurgia por acidente ou doença (diária hospitalar, honorários dos médicos veterinários) e permitem o acesso a redes médicas veterinárias, com preços convencionados. Podem incluir também desaparecimento, eutanásia/funeral ou regresso antecipado (de viagem, por exemplo), por morte do animal.

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