Crédito à habitação: tudo o que os jovens devem saber
Saiba como pedir uma simulação de crédito, como comparar propostas, que benefícios os jovens têm e quais os bancos com as melhores propostas.
Quando ainda se é jovem e se vai comprar a primeira casa, é provável que as dúvidas sejam mais, quer no que toca ao crédito em si, como em relação aos benefícios que têm sido criados para apoiar a compra de casa. Esclareça dúvidas e saiba como escolher o crédito.
Como saber quanto pode gastar na casa e se pode avançar com o crédito?
Quando se começa a procura de casa, uma dúvida que surge é até que valor se pode ir no preço da casa, para decidir quanto será preciso pedir ao banco. A ação Habitação Jovem, da DECO PROteste, inclui um simulador que, não só ajuda a determinar o valor da casa, como ainda mostra a taxa de esforço. Esta é o peso que as mensalidades que se paga têm no rendimento mensal líquido do agregado familiar e não deve ultrapassar os 35 por cento. Para determinar o valor que pode gastar na casa, o simulador vai pedir que indique um montante, mas, caso já tenha visto algumas casas, pode basear-se nos valores pedidos, para fazer a simulação. Fica a saber se está à vontade ou se terá de optar por uma casa mais barata.
Além da taxa de esforço, os bancos analisam a estabilidade profissional de quem pede o crédito, em especial se, trabalhando, está ou não efetivo. Outro ponto que analisam é se existem muitos créditos reportados à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, mesmo que sejam cartões de crédito e que o plafond não esteja a ser usado.
Em muitas situações, quando o banco avalia a capacidade do pagamento do crédito, pode considerar que as garantias não são suficientes e pedir fiadores. A pessoa que ficar como fiadora tem a responsabilidade de pagar o empréstimo, caso quem pediu o crédito não consiga cumprir com a sua obrigação.
Como analisar as propostas de crédito?
Para se escolher um crédito à habitação é fundamental pedir simulações em vários bancos. Ao fazê-lo, indique sempre o mesmo prazo e montante de financiamento, para poder comparar as propostas. Ao pedir uma simulação, irá receber uma FINE – Ficha de Informação Normalizada Europeia. Para facilitar a comparação entre as diferentes propostas, aquela inclui todos os custos com o crédito, como comissões, prestações, impostos e eventuais produtos que tenham de ser contratados. Indica, ainda, nos créditos indexados à Euribor, qual a prestação a pagar caso aquela taxa suba para o valor máximo dos últimos 20 anos.
Para comparar as propostas, deve analisar vários aspetos:
- a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) é a única que permite avaliar o custo real do empréstimo, pois representa, em percentagem, todos os custos que se têm com o crédito, como juros, comissões, impostos e seguros;
- o montante total imputado ao consumidor (MTIC), que indica o valor total a pagar pelo empréstimo e inclui o capital emprestado, bem como todos os custos associados (juros, comissões, impostos, seguros e outras despesas);
- os diferentes tipos de taxa: variável, fixa ou mista.
Veja mais dicas para escolher o melhor crédito à habitação para jovens.
Qual o melhor crédito para uma casa de 200 mil euros?
Em dezembro de 2025, a DECO PROteste analisou a oferta de 12 instituições de crédito para a compra de um imóvel de 200 mil euros, para um prazo de 35 anos e assumindo a contratação de vendas associadas facultativas que permitam reduzir a taxa de juro. Na maioria dos bancos analisados, só é possível contratar um crédito com taxa fixa até 30 anos. Dado o cenário implicar um prazo superior (35 anos), não foi possível incluir este tipo de taxa.
Uma vez que os prémios dos seguros variam consoante a idade de quem contrata o crédito e as características dos imóveis, as TAEG apresentadas apenas incluem os custos diretos do crédito, sem considerar seguros ou outras vendas associadas.
Ao optar por um crédito à habitação sem garantia do Estado, o consumidor necessita de dar uma entrada. Neste cenário, teria um financiamento de 160 mil euros, o que implicaria ter 20% para a entrada da casa e pedir os restantes 80% ao banco.
| Banco | Comissões Iniciais € |
Prestação € | TAN % | TAEG % |
MTIC € |
||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Taxa Fixa | Taxa Variável | Taxa Fixa | Taxa Variável | ||||
| Bankinter | DECO PROteste | 543 | 559,21 | 591,29 | 2,35 | 2,74 | 2,7 | 248 115,01 |
| Bankinter | 1033,40 | 559,21 | 591,29 | 2,35 | 2,74 | 2,8 | 248 605,41 |
| Crédito Agrícola | 436,80 | 550,78 | 595,01 | 2,25 | 2,79 | 2,8 | 249 280,20 |
| Banco Montepio | – |
606,87 | 593,60 | 2,90 | 2,74 | 2,8 | 249 630,63 |
| Abanca | 806 | 589,29 | 607,46 | 2,70 | 2,92 | 3,0 | 255 504,20 |
| Banco BPI | – | 589,29 | 612,28 | 2,70 | 2,98 | 3,0 | 256 329,67 |
| Santander | 993,20 | 589,29 | 608,65 | 2,70 | 2,93 | 3,0 | 256 159,90 |
| Caixa Geral de Depósitos | 202,80 | 589,29 | 612,88 | 2,70 | 2,98 | 3,0 | 257 046,77 |
| Millennium bcp | – | 620,23 | 617,42 | 3,05 | 3,02 | 3,1 | 259 381,99 |
| Novobanco | 863,20 | 632,67 | 626,55 | 3,19 | 3,12 | 3,2 | 264 159,58 |
| Best Bank | 863,20 | 632,94 | 626,56 | 3,19 | 3,12 | 3,2 | 264 170,95 |
| UCI | 1351,48 | 736,54 | 691,87 | 4,29 | 3,77 | 4,1 | 294 616,64 |
Ao optar por um financiamento com taxa mista, a parceria negociada com o Bankinter apresenta a TAEG e o MTIC mais baixos. Permite uma poupança anual face à média do mercado de 299 euros. Para quem não é subscritor da DECO PROteste, o Bankinter continua a ser a melhor opção.
| Banco | Comissões Iniciais € |
Prestação € |
Spread % |
TAEG % |
MTIC € |
|---|---|---|---|---|---|
| Banco Montepio | – | 592,96 | 0,70 | 2,8 | 249 041,20 |
| Bankinter | DECO PROteste | 543 | 592,96 | 0,70 | 2,8 | 249 584,20 |
| Bankinter | 1033,40 | 592,96 | 0,70 | 2,8 | 250 074,60 |
| Crédito Agrícola | 436,80 | 597,34 | 0,75 | 2,8 | 251 318,88 |
| Banco CTT | 696,80 | 597,34 | 0,75 | 2,9 | 251 578,88 |
| Millennium bcp | – | 601,74 | 0,80 | 2,9 | 252 730,36 |
| Santander | 993,20 | 609,62 | 0,80 | 3,0 | 257 031,75 |
| Best Bank | 863,20 | 610,59 | 0,90 | 3,0 | 257 312,25 |
| Novobanco | 863,20 | 610,59 | 0,90 | 3,0 | 257 312,25 |
| Banco BPI | 738,40 | 614,06 | 0,85 | 3,1 | 258 645,69 |
| Caixa Geral de Depósitos | 743,60 | 614,06 | 0,85 | 3,1 | 258 650,89 |
| UCI | 1351,48 | 686,63 | 1,64 | 3,9 | 289 736,46 |
Se preferir um crédito com taxa variável, o Banco Montepio apresenta a melhor opção, com uma poupança face à média do mercado de 225 euros por ano.
Despesas com a contratação do crédito
Aprovado o crédito, há que contar com outras despesas, para as quais convém ter dinheiro reservado. Trata-se de comissões bancárias, impostos e a escritura de compra e venda da casa. Para facilitar a compra de casa por jovens até aos 35 anos (inclusive), estes ficam isentos de pagar o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), o imposto do selo sobre a compra e os custos do registo da compra e hipoteca. Esta isenção só se aplica na totalidade na compra da primeira habitação até 324 058 euros, no continente, e 405 073 euros, nas regiões autónomas. Estes valores serão revistos em 2026 e, a partir de janeiro, os jovens poderão usufruir desta isenção em imóveis de valor superior.
Apesar de tudo, há custos que os jovens terão de suportar, como o imposto do selo sobre o crédito, que é de 0,6% do valor financiado.
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