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Crédito à habitação: tudo o que os jovens devem saber

Saiba como pedir uma simulação de crédito, como comparar propostas, que benefícios os jovens têm e quais os bancos com as melhores propostas.

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06 janeiro 2026
Casal jovem a mudar-se para uma casa vazia

iStock

Quando ainda se é jovem e se vai comprar a primeira casa, é provável que as dúvidas sejam mais, quer no que toca ao crédito em si, como em relação aos benefícios que têm sido criados para apoiar a compra de casa. Esclareça dúvidas e saiba como escolher o crédito.

Como saber quanto pode gastar na casa e se pode avançar com o crédito?

Quando se começa a procura de casa, uma dúvida que surge é até que valor se pode ir no preço da casa, para decidir quanto será preciso pedir ao banco. A ação Habitação Jovem, da DECO PROteste, inclui um simulador que, não só ajuda a determinar o valor da casa, como ainda mostra a taxa de esforço. Esta é o peso que as mensalidades que se paga têm no rendimento mensal líquido do agregado familiar e não deve ultrapassar os 35 por cento. Para determinar o valor que pode gastar na casa, o simulador vai pedir que indique um montante, mas, caso já tenha visto algumas casas, pode basear-se nos valores pedidos, para fazer a simulação. Fica a saber se está à vontade ou se terá de optar por uma casa mais barata.

Além da taxa de esforço, os bancos analisam a estabilidade profissional de quem pede o crédito, em especial se, trabalhando, está ou não efetivo. Outro ponto que analisam é se existem muitos créditos reportados à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal, mesmo que sejam cartões de crédito e que o plafond não esteja a ser usado.

Em muitas situações, quando o banco avalia a capacidade do pagamento do crédito, pode considerar que as garantias não são suficientes e pedir fiadores. A pessoa que ficar como fiadora tem a responsabilidade de pagar o empréstimo, caso quem pediu o crédito não consiga cumprir com a sua obrigação.

Como analisar as propostas de crédito?

Para se escolher um crédito à habitação é fundamental pedir simulações em vários bancos. Ao fazê-lo, indique sempre o mesmo prazo e montante de financiamento, para poder comparar as propostas. Ao pedir uma simulação, irá receber uma FINE – Ficha de Informação Normalizada Europeia. Para facilitar a comparação entre as diferentes propostas, aquela inclui todos os custos com o crédito, como comissões, prestações, impostos e eventuais produtos que tenham de ser contratados. Indica, ainda, nos créditos indexados à Euribor, qual a prestação a pagar caso aquela taxa suba para o valor máximo dos últimos 20 anos.

Para comparar as propostas, deve analisar vários aspetos:

  • a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) é a única que permite avaliar o custo real do empréstimo, pois representa, em percentagem, todos os custos que se têm com o crédito, como juros, comissões, impostos e seguros;
  • o montante total imputado ao consumidor (MTIC), que indica o valor total a pagar pelo empréstimo e inclui o capital emprestado, bem como todos os custos associados (juros, comissões, impostos, seguros e outras despesas);
  • os diferentes tipos de taxa: variável, fixa ou mista.

Veja mais dicas para escolher o melhor crédito à habitação para jovens.

Qual o melhor crédito para uma casa de 200 mil euros?

Em dezembro de 2025, a DECO PROteste analisou a oferta de 12 instituições de crédito para a compra de um imóvel de 200 mil euros, para um prazo de 35 anos e assumindo a contratação de vendas associadas facultativas que permitam reduzir a taxa de juro. Na maioria dos bancos analisados, só é possível contratar um crédito com taxa fixa até 30 anos. Dado o cenário implicar um prazo superior (35 anos), não foi possível incluir este tipo de taxa.

Uma vez que os prémios dos seguros variam consoante a idade de quem contrata o crédito e as características dos imóveis, as TAEG apresentadas apenas incluem os custos diretos do crédito, sem considerar seguros ou outras vendas associadas.

Ao optar por um crédito à habitação sem garantia do Estado, o consumidor necessita de dar uma entrada. Neste cenário, teria um financiamento de 160 mil euros, o que implicaria ter 20% para a entrada da casa e pedir os restantes 80% ao banco.

Créditos com taxa mista
Banco Comissões Iniciais
Prestação € TAN % TAEG
%
MTIC
  Taxa Fixa Taxa Variável Taxa Fixa Taxa Variável
Bankinter | DECO PROteste 543 559,21 591,29 2,35 2,74 2,7 248 115,01
Bankinter 1033,40 559,21 591,29 2,35 2,74 2,8 248 605,41
Crédito Agrícola 436,80 550,78 595,01 2,25 2,79 2,8 249 280,20
Banco Montepio
606,87 593,60 2,90 2,74 2,8 249 630,63
Abanca 806 589,29 607,46 2,70 2,92 3,0 255 504,20
Banco BPI 589,29 612,28 2,70 2,98 3,0 256 329,67
Santander 993,20 589,29 608,65 2,70 2,93 3,0 256 159,90
Caixa Geral de Depósitos 202,80 589,29 612,88 2,70 2,98 3,0 257 046,77
Millennium bcp 620,23 617,42 3,05 3,02 3,1 259 381,99
Novobanco 863,20 632,67 626,55 3,19 3,12 3,2 264 159,58
Best Bank 863,20 632,94 626,56 3,19 3,12 3,2 264 170,95
UCI 1351,48 736,54 691,87 4,29 3,77 4,1 294 616,64

Ao optar por um financiamento com taxa mista, a parceria negociada com o Bankinter apresenta a TAEG e o MTIC mais baixos. Permite uma poupança anual face à média do mercado de 299 euros. Para quem não é subscritor da DECO PROteste, o Bankinter continua a ser a melhor opção.

Créditos com taxa variável
Banco Comissões Iniciais
Prestação
Spread
%
TAEG
%
MTIC
Banco Montepio 592,96 0,70 2,8 249 041,20
Bankinter | DECO PROteste 543 592,96 0,70 2,8 249 584,20
Bankinter 1033,40 592,96 0,70 2,8 250 074,60
Crédito Agrícola 436,80 597,34 0,75 2,8 251 318,88
Banco CTT 696,80 597,34 0,75 2,9 251 578,88
Millennium bcp 601,74 0,80 2,9 252 730,36
Santander 993,20 609,62 0,80 3,0 257 031,75
Best Bank 863,20 610,59 0,90 3,0 257 312,25
Novobanco 863,20 610,59 0,90 3,0 257 312,25
Banco BPI 738,40 614,06 0,85 3,1 258 645,69
Caixa Geral de Depósitos 743,60 614,06 0,85 3,1 258 650,89
UCI 1351,48 686,63 1,64 3,9 289 736,46

Se preferir um crédito com taxa variável, o Banco Montepio apresenta a melhor opção, com uma poupança face à média do mercado de 225 euros por ano.

Despesas com a contratação do crédito

Aprovado o crédito, há que contar com outras despesas, para as quais convém ter dinheiro reservado. Trata-se de comissões bancárias, impostos e a escritura de compra e venda da casa. Para facilitar a compra de casa por jovens até aos 35 anos (inclusive), estes ficam isentos de pagar o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), o imposto do selo sobre a compra e os custos do registo da compra e hipoteca. Esta isenção só se aplica na totalidade na compra da primeira habitação até 324 058 euros, no continente, e 405 073 euros, nas regiões autónomas. Estes valores serão revistos em 2026 e, a partir de janeiro, os jovens poderão usufruir desta isenção em imóveis de valor superior.

Apesar de tudo, há custos que os jovens terão de suportar, como o imposto do selo sobre o crédito, que é de 0,6% do valor financiado.

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