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Crédito à habitação para jovens: compre casa com as melhores condições

O crédito à habitação para jovens pode ser a solução para comprar a primeira casa, mesmo quando a entrada, as taxas de juro ou os impostos parecem obstáculos impossíveis de transpor. Saiba que condições específicas existem, como comparar propostas e o que tem de fazer para reduzir a taxa de esforço.

Especialista:
06 janeiro 2026
jovens numa casa

iStock

Se procura crédito à habitação para jovens, a melhor forma de começar é comparar bancos pela taxa anual de encargos efetiva global (TAEG), avaliar se prefere taxa fixa ou variável e garantir que a sua taxa de esforço não ultrapassa 35%.

Até ao final de 2026, existem condições especiais para jovens que cumpram determinados critérios, que podem levar ao financiamento de 100% do valor do imóvel e isenção de impostos.

Continue a ler para conhecer todas as condições e passos essenciais para comprar a sua primeira casa com recurso a financiamento bancário.

O que é o crédito à habitação para jovens?

O crédito à habitação para jovens é um financiamento bancário destinado a pessoas entre os 18 e os 35 anos que pretendem comprar a primeira casa.

CRÉDITO À HABITAÇÃO JOVEM
Critério Condição
Idade 18-35 anos
Taxa de esforço ideal Inferior a 35%
Financiamento máximo

80%-90% para a generalidade dos consumidores

100% para quem preencha determinados requisitos

Tipos de taxa de juro Fixa, variável ou mista
Custos iniciais

Comissões bancárias, Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), Imposto do Selo, escritura de compra e venda com hipoteca, registos do imóvel

Quem preencha as condições previstas pode ter isenção de IMT, Imposto do Selo e registos do imóvel

Os bancos podem oferecer taxas de juro mais baixas, campanhas com vantagens específicas ou condições de contratação simplificadas – mas nem sempre estas são as propostas mais vantajosas.

Vá atualizando a sua pesquisa, pois podem existir ofertas promocionais muito boas em bancos sem condições específicas para estas faixas etárias.

A DECO PROteste disponibiliza um comparador que ajuda a escolher o crédito à habitação mais adequado ao seu perfil. Aí será indicado o banco que tem a TAEG mais baixa e que cobra menos comissões. Terá, também, acesso a uma simulação de quanto vai pagar mensalmente de prestação.

SIMULE E POUPE NO CRÉDITO À HABITAÇÃO

Como escolher o melhor crédito à habitação para jovens

Antes de pedir qualquer empréstimo, há fatores a considerar.

1. Avaliar as finanças familiares

Analise a sua situação financeira, as evoluções previstas (por exemplo, se a família vai aumentar) e a estabilidade dos rendimentos (por exemplo, o tipo de vínculo à entidade patronal).

Se tem orçamentos muito instáveis, não é aconselhável que contrate um crédito à habitação, uma vez que dificilmente encontrará alternativas para cumprir as suas obrigações para com o banco.

2. Definir o tipo de taxa de juro

A escolha entre taxa fixa, taxa variável ou taxa mista tem impacto direto no risco e no valor da prestação.

Qual a perspetiva de evolução dos juros durante o prazo do contrato? Consegue lidar com as revisões periódicas da prestação? Estas são questões que devem ser colocadas antes de tomar a decisão.

Taxa fixa

O empréstimo tem uma taxa de juro constante e a mesma prestação até ao final do contrato.

Vantagens

  • Prestação estável até ao final do contrato
  • Segurança contra subidas da taxa de juro de referência (por exemplo, Euribor)

Inconvenientes

  • Geralmente, os juros são superiores à alternativa variável, pelo menos no início do contrato
  • Não beneficia de descidas da Euribor

Taxa variável

Existe uma revisão trimestral, semestral ou anual dos juros, com base na periodicidade do indexante contratado, seja a Euribor a três, seis ou 12 meses, respetivamente.

Vantagens

  • Costuma ser a opção mais barata
  • Beneficia de descidas do indexante (por exemplo, Euribor)

Inconvenientes

  • Nas revisões, a prestação pode subir de acordo com a evolução do indexante
  • Exige maior tolerância ao risco, o que implica uma taxa de esforço não muito próxima de 35%

Taxa mista

Taxa fixa nos primeiros anos do crédito e taxa variável nos seguintes. Consoante o banco, o período de taxa fixa pode ir de 1 a 30 anos, desde que o prazo do contrato seja superior a este limite.

Vantagens

  • Pode compensar quando o período inicial fixo (de 1 a 3 anos) é oferecido abaixo das médias do indexante (Euribor)
  • Útil em fases de subida de juros

Inconvenientes

  • Os créditos com períodos curtos de taxa fixa podem ser pouco interessantes, pois dificilmente existirão variações dos juros no mercado que compensem o diferencial pago a mais na taxa fixa, durante esse tempo

3. Ponderar a contratação de produtos associados

Os bancos costumam oferecer spreads (a taxa de juro que corresponde à margem de lucro do banco) mais baixos se contratar também os seguros obrigatórios, cartões ou outros produtos associados.

Este desconto permite baixar a prestação mensal, garantindo-lhe condições mais competitivas no curto prazo.

No entanto, implica o pagamento dos custos referentes a esses mesmos produtos – por exemplo, anuidade do cartão de crédito –, ou pode haver melhores preços fora do banco.

Em alguns casos, pode compensar não contratar os produtos associados ao crédito à habitação junto do banco, mas sim de forma independente, mesmo perdendo as bonificações associadas ao spread.

Dica: compare sempre a TAEG com e sem produtos associados, e escolha a mais baixa.

4. Identificar a taxa de esforço

A taxa de esforço corresponde ao peso dos empréstimos nos rendimentos do agregado.

Para calcular este valor, existe uma fórmula:

(Prestações de crédito ÷ Rendimento líquido mensal) × 100

Comece por somar a prestação da proposta do crédito à habitação às restantes prestações fixas que tem. Seguidamente, divida a soma pelo seu rendimento líquido mensal. No final, multiplique o resultado por 100. Essa é a sua taxa de esforço.

A taxa de esforço não deve ser superior 35%, caso contrário, a saúde financeira da sua família poderá ficar em risco.

Na página da Habitação Jovem, a DECO PROteste disponibiliza uma calculadora da taxa de esforço. Encontra ainda outras ferramentas, como o simulador de apoios por município e o simulador de apoios do Estado, que permite aos jovens saber se são elegíveis para a isenção de IMT e do Imposto do Selo, e ainda para a garantia pública no crédito à habitação.

5. Calcular o valor da entrada

Se não se enquadrar nas condições preferenciais, atualmente em vigor para os mais jovens, os bancos não financiam todo o valor da casa, exceto se forem imóveis próprios. Atualmente, não podem financiar mais de 90% do valor do imóvel e muitos não ultrapassam os 80%.

Vejamos um exemplo prático de quanto precisará de dispor, à partida, para comprar a casa:

  • preço do imóvel – 150 000 euros;
  • financiamento máximo (90%) – 130 000 euros;
  • entrada necessária – 15 000 euros.

Mas este não é o único valor de que precisa. Conte com um pé-de-meia suficientemente robusto para suportar as seguintes despesas:

  • comissões iniciais do crédito (abertura, formalização, avaliação, etc.);
  • registo da habitação;
  • imposto de selo pela utilização do crédito;
  • imposto de selo sobre a aquisição do imóvel;
  • Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT).

Dica: convém dispor de, pelo menos, um quinto do preço da casa (por exemplo, 150 000 € : 5 = 30 000 €).

Questões frequentes

Respondemos às dúvidas mais frequentes sobre crédito à habitação para jovens.

Posso obter crédito à habitação jovem se tiver contrato a termo?

Sim, mas o banco poderá exigir garantias adicionais (por exemplo, fiadores) ou avaliar a estabilidade do rendimento com maior rigor.

Posso usar o meu PPR para reforçar a entrada?

Alguns bancos permitem que parte do PPR funcione como garantia adicional. Confirme as condições específicas junto do banco.

Posso pedir crédito à habitação sozinho, mesmo comprando a casa em conjunto com outra pessoa?

Em princípio, sim. Neste caso, apenas o titular do crédito será avaliado para a taxa de esforço e será responsável pela dívida. Nem todos os bancos poderão aceitar esta situação, pelo que convém informar-se previamente.

É possível transferir o crédito para melhorar condições?

Sim, pode mudar de banco para obter uma TAEG mais baixa.

A taxa total paga aumenta se fizer amortizações antecipadas?

Depende. Terá de pagar comissão de amortização: 0,5% nos créditos de taxa variável e até 2% nos créditos de taxa fixa. No entanto, reduz o montante em dívida e, portanto, o total de juros que pagará até ao final do contrato. Geralmente, compensa fazer as amortizações, mas convém fazer contas antes de avançar.

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