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Wi-Fi 6 ou Wi-Fi 7: vale a pena mudar de router?

Mal nos habituámos ao Wi-Fi 6, e já os operadores de telecomunicações promovem a versão seguinte como sinónimo de velocidades ainda mais elevadas, maior capacidade e ligações mais estáveis. Mas será que compensa trocar já para um router Wi-Fi 7?

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06 outubro 2026
Pessoa sentada no chão com um router wifi na mão e um ar pensativo em frente a um sofá amarelo.

iStock

Grandes operadores ou marcas low-cost, como a Digi, tanto faz: o mercado das telecomunicações tem vindo a promover ativamente a troca de routers ou a subscrição de pacotes premium com esta nova tecnologia sem fios.

Mas será que o Wi-Fi 7 faz realmente a diferença? Mais: será que esta atualização tecnológica, que, na maioria dos casos, implica custos adicionais, traz benefícios a todos os consumidores?

A DECO PROteste analisou os custos da transição e as reais diferenças entre os routers Wi-Fi 6 e o Wi-Fi 7, e diz-lhe se a sua casa pode mesmo beneficiar com a novidade.

Entretanto, se procura um tarifário de telecomunicações mais vantajoso, conheça opções à medida das suas necessidades.

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Quanto custa mudar para um router Wi-Fi 7?

Nada como começar pelos preços. A DECO PROteste fez o levantamento das ofertas e verificou que os operadores estão a adotar estratégias comerciais distintas quanto ao Wi-Fi 7.

Meo

A Meo disponibiliza os routers Fiber X7 (só para velocidades de 10 Gbps) e FiberGateway WiFi 7 (até 1 Gbps).

Se já tem o FiberGateway Wi-Fi 6 e quer trocar pelo Wi-Fi 7, terá de pagar um acréscimo de 4,99 euros na fatura mensal.

Soma-se a deslocação do técnico para efetuar a mudança do router, que custa 50 euros.

Vodafone

A Vodafone inclui o Ultra Hub Wi-Fi 7 em pacotes premium ou em novas adesões com velocidades de 1 Gbps, 2 Gbps ou 10 Gbps (por exemplo, no Fibra4 Light Family, que custa cerca de 65,50 euros por mês).

Digi

O router vem incluído gratuitamente no pacote premium PRO-DIGI 10 Gbps, que custa apenas 15 euros mensais.

Não são cobrados extras pelo aluguer, mas há uma taxa de instalação, no valor de 20 euros.

Nos

A Nos é o único grande operador que ainda não disponibiliza routers Wi-Fi 7. Mesmo nos tarifários mais rápidos, de 10 Gbps, continua a instalar o Giga Router Wi-Fi 6.

Trata-se de uma falha competitiva para quem faz questão de ter a tecnologia sem fios mais recente do mercado.

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Do Wi-Fi 6 ao Wi-Fi 7: o que muda afinal?

Para perceber se vale a pena este investimento, há que compreender o que cada tecnologia oferece.

A autoestrada dos 6 GHz

Enquanto o Wi-Fi 6 tradicional opera apenas nas bandas de 2.4 GHz e 5 GHz (o Wi-Fi 6E introduziu os 6 GHz, mas teve pouca expressão), o Wi-Fi 7 trabalha nas três.

A grande vantagem da banda de 6 GHz é ser uma via menos impedida, mais livre das interferências geradas por redes vizinhas.

Canais com o dobro da largura (320 MHz)

Se imaginar o wi-fi como uma autoestrada, o Wi-Fi 7 duplica a largura das faixas de rodagem na banda de 6 GHz. Em vez dos limites de 160 MHz do Wi-Fi 6, os canais de 320 MHz duplicam a capacidade de transmissão, possibilitando, assim, velocidades muito superiores.

Mas, para tirar partido desta capacidade, tanto o router como os dispositivos a ele ligados têm de suportar canais de 320 MHz. Há que ter ainda em conta que a velocidade efetivamente alcançada depende, entre outros, da qualidade do sinal, da distância para o router e das interferências.

Mais densidade de dados (4096-QAM)

Trata-se de uma tecnologia que permite compactar mais informação no mesmo sinal de rádio.

Em condições ideais, esta alteração pode aumentar em cerca de 20% a velocidade máxima de transmissão, em comparação com o 1024-QAM do Wi-Fi 6. No entanto, o 4096-QAM exige um sinal de elevada qualidade e beneficia sobretudo os dispositivos que se encontram mais próximos do router.

Operação Multi-Link (MLO)

No Wi-Fi 6, o telemóvel tem de escolher ligar-se apenas a uma banda de cada vez: 2.4 GHz ou 5 GHz. Com o Wi-Fi 7, o dispositivo pode ligar-se a várias frequências em simultâneo, em determinados modos de funcionamento.

Significa que o telemóvel pode descarregar dados, por exemplo, pelas bandas de 5 GHz e 6 GHz ao mesmo tempo. Se for afastado do router e a ligação de 6 GHz falhar, a de 5 GHz assume o controlo instantaneamente, sem qualquer quebra ou latência.

Para o utilizador comum, este é o maior benefício. É como se estivesse conectado a duas ou três tomadas ao mesmo tempo e, se uma se soltasse, a outra continuasse ligada. Esta possibilidade permite, por exemplo, circular pela casa sem que uma videochamada fique bloqueada.

Mas é importante lembrar que o MLO só funciona se tanto o router como os dispositivos a ele ligados forem compatíveis com Wi-Fi 7 e admitirem esta funcionalidade.

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Apartamento ou vivenda: onde o Wi-Fi 7 faz a diferença?

O impacto real desta tecnologia depende muito do tipo de habitação.

Cenário A: apartamento com área pequena a média e elevada densidade de vizinhos

Em apartamentos, o maior problema não é a falta de sinal, mas o congestionamento provocado pelas redes dos vizinhos, com múltiplos routers e equipamentos a funcionarem ao mesmo tempo.

  • A banda de 6 GHz pode ser uma vantagem em apartamentos com muitas redes wi-fi próximas, por fornecer mais espectro e, muitas vezes, canais menos congestionados.
  • O sinal de 6 GHz tem grande dificuldade em atravessar paredes grossas ou outros obstáculos. Se o router estiver na sala e o utilizador quiser aceder ao Wi-Fi 7 no quarto, com as portas fechadas, o sinal pode perder bastante intensidade e qualidade. Um telemóvel, tablet ou computador acabará por comutar, por exemplo, para a banda de 5 GHz.
  • Na maioria dos apartamentos de tamanho médio, um router Wi-Fi 6 bem posicionado é mais do que suficiente e custará muito menos do que um Wi-Fi 7.

Cenário B: vivenda com uma área grande e múltiplos pisos

Em casas grandes, um só router não consegue cobrir, de forma eficaz, todas as divisões, sendo necessário recorrer a soluções complementares, como os repetidores de sinal ou os sistemas Mesh.

Neste caso, a principal necessidade é garantir cobertura total.

  • Um sistema Mesh pode ser uma boa solução para distribuir o sinal por vários pisos ou divisões.
  • O Wi-Fi 7 é excelente para ligar os vários nós de uma rede Mesh, recorrendo à tecnologia MLO para fazer uma estável ponte sem fios entre o router e os extensores.
  • Os routers Wi-Fi 7 continuam a ter um custo superior, pelo que a sua aquisição só fará sentido se houver dispositivos compatíveis e uma utilização que permita tirar partido das suas vantagens.
  • Mesmo assim, se a vivenda tiver três pisos, o investimento num router Wi-Fi 7 pode já não compensar.
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Tem em casa aparelhos compatíveis com o Wi-Fi 7?

Há uma regra de ouro que muitos esquecem: a velocidade do wi-fi é também ditada pelo dispositivo. Mesmo que instale um router Wi-Fi 7 super-rápido, pode não sentir nenhuma diferença, para lá de uma eventual melhor capacidade na gestão da rede.

  • Não vai ter ganhos. Televisores inteligentes, consolas de jogos (com a exceção da PS5 Pro), comandos de domótica (lâmpadas e tomadas) e telemóveis com mais de dois anos funcionam com o Wi-Fi 5 ou o Wi-Fi 6. Ligá-los a um router Wi-Fi 7 não vai torná-los mais rápidos ao nível da internet.
  • Pode notar diferenças para melhor. Telemóveis de topo de gama muito recentes (como iPhone 16 Pro, Samsung Galaxy S24 Ultra ou S25), computadores portáteis de última geração equipados com placas de rede compatíveis (como a Intel BE200) e consolas específicas, como a PS5 Pro, esses, sim, conseguem tirar partido do Wi-Fi 7.

Se os seus hábitos se resumem a ver séries em streaming (Netflix, Disney+, etc.), teletrabalho com necessidades pouco exigentes, uso de redes sociais e navegação na internet, o Wi-Fi 6 é mais do que suficiente.

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Quando vale a pena mudar para um router Wi-Fi 7?

Para a esmagadora maioria dos consumidores, ainda não vale a pena mudar para um router Wi-Fi 7. De momento, em quase todos os operadores, representa um encargo mensal desnecessário para um benefício impercetível no dia-a-dia.

Em que situações pode fazer sentido?

  • Pode considerar a troca se for um entusiasta de tecnologia, mas apenas se não implicar custos adicionais. A oferta PRO-DIGI de 10 Gbps, por exemplo, custa 15 euros por mês e inclui o router Wi-Fi 7 gratuitamente.
  • Se for um utilizador muito exigente, como um praticante de gaming competitivo, que não pretenda cabos ou transferência de ficheiros pesados na nuvem, pode também tirar proveito da mudança, uma vez que, tipicamente, já possui computadores e telemóveis de topo de gama.

O mais sensato é deixar a tecnologia amadurecer. À medida que, nos próximos anos, for substituindo os seus telemóveis e computadores, os novos equipamentos já trarão o Wi-Fi 7 de origem.

Até lá, mantenha-se com o Wi-Fi 6, que é um protoloco maduro, estável e perfeitamente à altura das necessidades das famílias portuguesas.

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