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Preço da energia: tarifa regulada é a opção mais barata

A restrição do funcionamento de barragens, devido à seca, coloca a produção de eletricidade sob pressão, o que tem impacto nos preços. Use o nosso simulador para descobrir as tarifas mais baixas para o seu perfil.

28 julho 2022
um bico de gás aceso e uma lâmpada

iStock

O início de 2022 trouxe vários aumentos e a energia não foi exceção. A decisão do Governo, a 1 de fevereiro, de restringir a produção de eletricidade em cinco barragens, para preservar água para consumo humano, devido à situação de seca que o País atravessa, também não ajuda. Com menos água para gerar eletricidade, que se traduziu numa quebra de 66% na produção hídrica, durante o primeiro semestre de 2022, recorreu-se mais ao gás natural para produzir eletricidade. Aquela energia registou um aumento de quase 22%, uma situação similar à que se verifica em Espanha e relativamente à qual Portugal regista um aumento superior a 600% no saldo importador (diferença entre a energia que importamos de Espanha e a que exportamos), o que se está a refletir na carteira dos consumidores.

No caso da eletricidade, quem tem tarifa regulada começou a sentir a subida logo em 2021 devido à escalada de preços que se verificou no mercado grossista, ou seja, aquele onde os comercializadores adquirem a energia, para depois a venderem ao consumidor. Já entre os clientes do mercado liberalizado da eletricidade, foram poucos os que sentiram o aumento em 2021. Contudo, as primeiras faturas do ano foram mais elevadas para os mais de 5,4 milhões de portugueses que estão no mercado liberalizado. Já os cerca de 900 mil que têm tarifa regulada, depois de uma ligeira diminuição da despesa no início do ano, viram a fatura aumentar em abril e a baixar de novo em julho.

No caso do gás natural, a componente de acesso das tarifas foi atualizada em outubro, como é habitual. Os operadores aumentaram as tarifas na altura, e alguns voltaram a subi-las, no início deste ano. Já em abril e julho, a ERSE reviu em alta as tarifas reguladas e, no mercado liberalizado, esta tendência de subida tem sido uma constante.

Para baixar a fatura da energia, além dos cuidados que, em princípio, já tem, use o nosso simulador para descobrir o fornecedor com as tarifas mais baixas: mude, sempre que encontrar mais baixo. Verificámos que, de um modo geral, a tarifa regulada é, neste momento, a opção mais económica. Se confirmar que aquela tarifa é mais baixa do que a que tem atualmente, pode deixar o mercado liberalizado e adotá-la, no caso da eletricidade. Mas o mesmo não é possível com o gás natural.

Por este motivo, vamos enviar uma carta aberta ao Governo e aos partidos com assento parlamentar, para que os consumidores de gás natural tenham a possibilidade de voltar à tarifa regulada.

Assine a carta aberta

Simule e opte pela tarifa mais baixa

O nosso simulador inclui cerca de 300 tarifários. Os resultados mostram a melhor opção para novas contratações, que incluem mudança de comercializador. Se procura uma simulação rápida, basta escolher um dos perfis predefinidos. Já se pretende um resultado mais fiel ou se apenas quer saber se o seu tarifário ainda é competitivo, terá de selecionar “Sei qual é o meu consumo e quero detalhar”, quando é perguntado “Quais são os seus hábitos de consumo?”. Aí, terá oportunidade de indicar os consumos reais da sua habitação (o ideal é subtrair o consumo de duas faturas com um ano de diferença), bem como as tarifas, atuais ou a vigorar, do atual fornecedor. Atenção: se o seu tarifário atual tiver serviços associados, deve ponderar se usufrui dos mesmos e se faz sentido mantê-los. Deve ainda acrescentar o montante anual que paga pelos mesmos ao valor apresentado pelo simulador.

Fizemos os cálculos para dois dos perfis de consumo mais comuns na eletricidade e no gás natural. A tarifa regulada é a opção mais baixa nas duas situações. Alguns dos tarifários apresentados incluem fatura eletrónica e/ou débito direto.

Eletricidade (tarifa simples, potência de 3,45 kVA, consumo anual 1700 kWh) 
Operador e tarifário Fatura mensal (€)
SU Eletricidade (tarifa regulada) 34,36
Goldenergy + Cliente Monoeletrico 9/22 34,93
Iberdrola Casa 35,65
Meo Energia 38,68 
Endesa e - Luz 39,83
Galp Energia Casa & Estrada Eletricidade Verde & Combustível 46,90
EDP Comercial Eletricidade 47,40
Gás Natural (consumo anual de 320 m3, 2.º escalão)
Operador e tarifário Fatura mensal (€)
Tarifa regulada 26,06
EDP Comercial Gás 30,52
Goldenergy + Cliente Monogás 9/22 35,32
Endesa Tarifa Simples Gás 49,99
Luzigás Gás Natural 54,73
Galp Energia Casa & Estrada Gás Natural & Combustível   58,95
Iberdrola Casa Gás 60,93
Jafplus Casa Plus  70,79
Yes Energy #Mygas 74,29

Existem tarifários com valores inferiores, mas obrigam a que sejam respeitadas certas condições para se poder aderir, como ter a recomendação de um amigo que já seja cliente, ter contrato num operador específico de telecomunicações ou ser associado de alguma organização. Mas, quando analisamos a quantidade deste tipo de tarifas – as chamadas condicionadas – com as que existiam no final de 2021, verificamos que são cada vez menos e o montante que se pode poupar é menor. Contudo, deve considerá-las, caso tenha as condições necessárias para as contratar sem incorrer em mais despesas. Encontra todas estas opções no nosso simulador.

Para quem tem as duas energias, a solução mais económica, nos cenários de consumo apresentados, são as tarifas reguladas. A contratação das duas energias ao mesmo operador (tarifa dual) ficará mais cara, com exceção de algumas tarifas condicionadas.

É preciso mudar e envolver os consumidores

A transição energética, com vista à descarbonização dos consumos, é um assunto complexo. Dada a tendência de subida que se verifica no mercado grossista da energia, é fundamental uma discussão profunda sobre a melhor forma de atingir as metas previstas, sem penalizar demasiado os consumidores.

É essencial que as tarifas reguladas sejam transparentes, calculadas com valores sólidos e margens competitivas e representem um porto de abrigo concorrencial para os consumidores face ao mercado liberalizado. Sem estes cuidados na formação daquela tarifa, não se consegue manter uma concorrência eficaz num mercado que está a ficar cada vez mais concentrado. Atualmente, três pequenos comercializadores já tiveram de abandonar o mercado.

No caso do gás natural, é urgente adotar a mesma regra legal que existe no mercado elétrico: a possibilidade de voltar à tarifa regulada. Não é compreensível esta discriminação, para energias que cada vez mais partilham o mesmo quadro regulatório e que são ambas serviços públicos essenciais. Atualmente, só o residual número de consumidores que ainda não transitaram para o mercado liberalizado é que podem usufruir de uma tarifa mais vantajosa. A esmagadora maioria dos consumidores de gás natural terá de pagar mais pela energia, sem possibilidade de ter a solução mais barata.

Tendência de aumento continua em 2022

No primeiro trimestre de 2022, a tendência foi para a manutenção de preços elevados, tendo até havido aumentos significativos. Daí ser essencial uma discussão aprofundada sobre a formação dos preços e a adoção de medidas, como já enumerámos. A quebra na produção elétrica através de recursos hídricos está a ocorrer, com maior destaque, a partir do último trimestre de 2021, com quebras a rondar os 50% face ao período homólogo do ano anterior. A energia hídrica tem um baixo custo e garante uma produção contínua e flexível. Um menor uso ou a limitação na sua disponibilidade implica um maior recurso ao gás natural, um combustível fóssil, ou à importação de eletricidade, o que implica pagar mais pela energia.

O facto de a tarifa regulada ser a melhor opção para os cenários considerados, e para muitos dos mais comuns, é também um sinal de que algo não está bem no mercado da energia. A verdade é que os pressupostos para a fixação das tarifas reguladas para este ano, projetados pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), são bem inferiores aos que se têm verificado no mercado grossista. Ainda que estas últimas se refiram a valores diários (o chamado mercado Spot), seria preciso que a pressão dos custos aliviasse muito, para chegar a valores próximos dos previstos pela ERSE para 2022. Caso tal não aconteça, um cenário muito provável, é inevitável um acerto ao longo de 2022.

A obrigação legal de rever as tarifas reguladas sempre que exista uma variação superior a 10% nos custos de energia adquirida durante um trimestre, tem mostrado que as previsões da ERSE para 2022 não estão a acertar, pois o regulador não valorizou devidamente a forte pressão que se tem vindo a sentir. Neste caso, há que relembrar que, dias antes do anúncio da proposta tarifária da ERSE para os preços da eletricidade em 2022, o ministro do Ambiente e da Transição Energética criou a expectativa de uma manutenção ou mesmo redução de preços, algo que considerámos como uma forma de pressão sobre o regulador. A ocorrer a alteração de valores referida, os desvios entretanto ocorridos terão de ser recuperados e com juros. 

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