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Nem todas as apps dos serviços de televisão substituem a box

Prescindir da box permite poupar até cerca de 75 euros anuais, ainda que se percam funções como o acesso às gravações automáticas. As apps dos serviços de televisão poderiam recuperá-las, mas nem todas estão à altura.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
28 janeiro 2021
  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
Três monitores instalados lado a lado, exibindo imagens dos serviços de televisão

José Pedro Tomaz

Há vida fora da caixa para os 80% de assinantes do serviço de televisão que têm acesso através de fibra ótica ou cabo coaxial. Abdicar da box de traduz-se numa poupança anual que, entre subscrição e consumo de eletricidade, pode superar os 75 euros, em função do operador. Mas as caixas descodificadoras, além de permitirem o acesso aos canais, são a ponte para funcionalidades como o agendamento de gravações, a pausa da emissão de televisão, as gravações automáticas, o guia eletrónico de programas e o videoclube. Ora, sem a box, algumas perdem-se, como o acesso às gravações automáticas. As vantagens da poupança podem, pois, não ser óbvias para todos.

Entretanto, os operadores de telecomunicações lançaram aplicações de acesso ao serviço. Não há que confundi-las, porém, com as apps para smartphone e tablet dos mesmos serviços de televisão. Estas que testámos, assentes nos sistemas operativos Android TV e Apple TV, têm uma conceção mais próxima daquela que se encontra numa box. Destinam-se a serem visualizadas num televisor e controladas por um comando remoto, e não por um dispositivo móvel.

Para estas apps funcionarem, é preciso um aparelho baseado no sistema operativo Android TV ou Apple TV, conforme o operador. No caso das apps Apple TV, a única hipótese é ligar um leitor multimédia desta marca a um televisor com o mesmo sistema operativo. Já as apps Android TV são mais versáteis: tanto pode instalá-las diretamente em televisores com o mesmo sistema operativo (por exemplo, Sony, Philips, TCL ou Xiaomi), como recorrer a um leitor multimédia Android TV (por exemplo, Chromecast com Google TV ou Xiaomi Mi Box S).

Se bem concebidas, poderiam permitir abdicar da caixa descodificadora ou até aceder ao serviço fora de casa, em qualquer ponto do espaço europeu. Com o nosso teste, verificámos, porém, que nem todas as funcionalidades estão presentes e que, aparentemente, os operadores de telecomunicações apostam mais numa lógica de complementaridade face às caixas descodificadoras.

Algumas apps não permitem agendar gravações 

O nosso teste exigiu a instalação dos quatro serviços num mesmo local: no caso, Aveiro. Recorremos ao painel de utilizadores que participa nas nossas investigações sobre usabilidade dos serviços de televisão, o que nos permitiu uma comparação mais precisa entre o acesso através da box ou das apps. E usámos quatro televisores LCD com diagonal mínima de 40 polegadas e resolução 4K. O acesso às apps dos operadores foi obtido através de um leitor multimédia: o Xiaomi Mi Box S, para as apps com Android TV, e o Apple TV 4K, para as que correm o Apple TV.

Gravações automáticas, agendamento de gravações e oferta de canais são aspetos idênticos na box e nas apps. Não é aqui que ficará mais mal servido, exceto se for cliente da MEO. Já o zapping clássico não é possível nas apps da Nowo e Vodafone para android TV. Nas restantes, os canais surgem num mosaico de destaques, com título e imagem. Em nenhuma das apps é possível gerir a privacidade. Também nenhuma, desconto feito à MEO, permite contratar pacotes de canais. Já a Vodafone e a NOS não preveem opções de controlo parental.

Outra vantagem, infelizmente apenas possível em algumas apps, é o acesso num televisor de outra habitação, em qualquer local do espaço comunitário (por exemplo, um alojamento de férias). Entre as versões para Android TV, a MEO só faculta a utilização numa rede... MEO. Pior ainda: não conseguimos usar qualquer das duas apps para Apple TV fora da rede wi-fi onde o serviço foi instalado. Trata-se de uma situação que sublinha bem que as apps testadas ainda se encontram numa fase embrionária.

Só a NOWO é alternativa

A aplicação da NOWO, apenas para Android TV, é a única que envolve uma utilização próxima daquilo que se obtém com o recurso à box. Trata-se de uma alternativa interessante para os utilizadores deste serviço. Vodafone (Android TV) e NOS (Apple TV) ainda revelam algumas lacunas significativas face à box, mas não deixam de ser opções, se não para uma plena substituição, certamente como complemento.

Já a MEO, tanto para Android TV como na versão Apple TV, tem demasiadas insuficiências. Não é possível usar fora da rede MEO, não permite definir listas de programas ou canais favoritos, não aceita o agendamento de gravações, não identifica as funcionalidades que implicam recolha de dados. Assim, fica difícil. Nem mesmo como complemento podemos recomendá-la.

MEO com ativação de pacotes de canais

Por outro lado, a app da MEO é a única que dá a possibilidade de adicionar pacotes de canais, ainda que esta funcionalidade também exija uma boa articulação com as condições contratadas pela via tradicional. Temos vindo a criticar a forma como as ativações de canais ou serviços adicionais são feitas com recurso a meios alternativos, ou seja, através da box ou da app. A nossa análise não nos deixa certezas quanto à eficácia do controlo da identidade nestas ativações e no tipo de autorizações que envolvem, até porque o acesso está aberto a vários membros da família, sejam ou não os decisores em relação ao serviço. Exemplo disso é o mais recente caso da autorização à publicidade personalizada nas gravações automáticas, que foi solicitada aos consumidores através da box.

O controlo da identidade de quem dá as autorizações tem de ser melhorado, para estes meios de ativação que envolvem dados pessoais ou representam custos adicionais poderem ser usados de modo seguro. Deveria ser ainda reforçada a articulação com as condições contratuais inicialmente aceites. Neste sentido, ao serem ativados novos pacotes de canais, deveria ser obrigatória a entrega de nova ficha de informação simplificada ao consumidor.

Resultados do nosso teste a apps de televisão

Testámos três apps compatíveis com o Android TV, para o que usámos o leitor multimédia Xiaomi Mi Box S, e duas que correm o Apple TV, que estudámos com a ajuda do aparelho Apple TV 4K.

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