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Serviços de televisão sem box poupam até 75 euros por ano

Um tarifário só com net é quase tão caro como uma opção também com voz e televisão. Prescindir da caixa descodificadora pode ser uma solução para poupar.

  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
30 março 2021
  • Dossiê técnico
  • António Alves e Sofia Costa
  • Texto
  • Inês Lourinho
servicos tv

iStock

Trinta euros por mês, mais coisa, menos coisa, é quanto custa um tarifário com acesso à net, a centenas de canais televisivos que ninguém vê na totalidade e a chamadas pelo telefone fixo, cujo interesse está em queda acelerada, devido ao uso generalizado do telemóvel.

E se fosse possível largar o lastro dos canais televisivos e das chamadas de voz para aligeirar a fatura? Os tarifários apenas com net são uma opção cada vez mais popular em países como os EUA, onde os serviços de streaming de vídeo complementam a oferta de canais de sinal aberto. Mas, se esta manobra não compensar, há alternativas?

Investigámos todas as opções e, de momento, a única que traz poupanças efetivas consiste em prescindir da caixa descodificadora, algo apenas possível nos serviços de fibra ou cabo: perdem-se algumas funcionalidades, mas, consoante o operador, são menos 45 a 81 euros por ano.

Para poupar também na compra do televisor, verifique características, resultados do teste e preços no nosso comparador.

Abdicar do serviço de televisão ainda não compensa

Está a acontecer um pouco por todo o mundo, mas com maior evidência no lado de lá do Atlântico, nos EUA. Só em 2018, houve aqui uma quebra de quase três milhões de subscrições de serviços de televisão. A moda, agora, é contratar um pacote de net e subscrever serviços de streaming, como a Netflix, ou até, possível neste país, canais clássicos, como a CBS ou a Fox. Em qualquer dos casos, a transmissão faz-se via online. Finta-se, assim, os tarifários com tudo dentro, mas sem utilização de todos os componentes.

Pensando bem, para quem subscreve um serviço de streaming, com catálogos de séries, documentários e filmes cada vez mais ricos, a oferta dos sete canais portugueses de sinal aberto (TDT) poderia até bastar. Outro ponto a favor do streaming: a versatilidade no uso. É possível reproduzir um conteúdo a qualquer hora e em várias plataformas, desde o smartphone ao televisor.

Será que esta revolução americana vai alastrar a Portugal? Poderíamos pensar que as condições estão reunidas, já que a legião de utilizadores do streaming de vídeo tem, segundo a Anacom, subido desde 2016, situando-se em cerca de 11% do total de subscrições de serviços de televisão paga. Falta, contudo, o segundo fator da equação: a oferta de tarifários mais magros, a incluir apenas net. E, aqui, as contas não mentem. Recolhemos os preços mensais, para novas subscrições, de um tarifário de net dotado de velocidade de 30 Mbps, e comparámo-los com os de um 3P (ou apenas televisão e net, quando disponível), com a mesma velocidade, em ambos os casos com fidelização. A poupança obtida é residual.

Tarifário só com net não traz grande poupança

Na NOS, net a 24,99 euros, contra NOS 3, a 30,99 euros, rende uma poupança de 6 euros. Na NOWO, o tarifário que inclui apenas net custa 20 euros. Já aquele que combina televisão e net, sem box, fica por 22,50 euros. A economia é de 2,50 euros. Na MEO, o tarifário mais elegante é o M1 Net, que, tal como na NOS, custa 24,99 euros por mês. Existe ainda o M1 Gaming Edition, também só com net, mas está direcionado ao gaming e tem 1 Gbps.

Confrontámos, então, o M1 Net de 30 Mbps com o M3 Fibra 120 Canais, que custa 30,99 euros. A diferença é igual à que encontrámos na NOS: 6 euros. Na Vodafone, o tarifário mais leve inclui net e voz, e tem um custo de 25,90 euros. Face ao trio de televisão, net e voz, está a uma distância de 5 euros. Portanto, nada disto é solução para obter um produto à medida das necessidades, cortando ainda nos custos. 

As diferenças que encontramos agora na NOS, na MEO e na Vodafone são agora um pouco mais expressivas (no nosso último estudo, os valores eram de apenas 2 ou 3 euros), mas há que não esquecer que estamos perante tarifários com menos velocidade: 30 Mbps, em vez de 100 Mbps.

Para conhecer o tarifário à medida das suas necessidades, explore o nosso comparador.

Fizemos as contas à box da televisão

Não podemos, por ora, livrar-nos dos serviços potencialmente menos interessantes dos tarifários 3P. Mas podemos procurar outras formas de poupar e, neste capítulo, a caixa descodificadora é uma boa candidata. E é possível continuar a ver televisão sem box? Sim, nas calmas, desde que o serviço seja apoiado em fibra ou cabo, o que corresponde à situação de 80% dos subscritores de televisão. O sinal de televisão é, neste caso, injetado na rede coaxial doméstica, ficando disponível em todas as tomadas da habitação. Depois, basta usar uma destas tomadas e ligar, com um cabo de antena, a entrada de sintonizador do televisor (DVB-T/C). Já se o serviço de televisão for assegurado por satélite ou ADSL, nada feito. Precisará até de uma caixa descodificadora por cada televisor que tiver em casa.

Prescindir da box significa, consoante o operador, um abate à subscrição no valor de 2,50 a 4 euros mensais, corte que pode ser mais elevado no caso de caixas preparadas para conteúdos 4K. Todos estes montantes devem ser, claro, multiplicados pelo número de boxes que houver em casa.

Mas não podemos contar apenas com aquilo que não se paga todos os meses. Ainda que o router seja o maior devorador de eletricidade, a box também é responsável por um gasto apreciável, que, em modo standby, é quase o mesmo que a trabalhar. Fizemos, por isso, contas aos gastos de energia.

Tivemos em consideração os valores de consumo medidos nas boxes que foram instaladas pelos operadores no âmbito do nosso último teste à usabilidade dos serviços de televisão, em outubro de 2020: MEO 3 Fibra; NOS 3, box UMA TV 4K; NOWO com box, TV HD; e Vodafone Fibra 3 Plus, box HD. Para o custo da eletricidade, tomámos como referência a tarifa regulada simples. Somámos, então, os consumos obtidos, de 12 a 15 euros anuais em função do operador, ao valor das subscrições. E chegámos a números muito simpáticos: 44 euros de poupança anual na NOWO, 72 na NOS e na MEO 80 na MEO e 75 na Vodafone. Apenas por recusar a box.

Alternativas à caixa descodificadora

Esta decisão também implica perdas. Que, para uns, terão mais peso do que para outros. Sem box, uma smartTV recente continua a aceder a emissões 4K (por cabo coaxial), e agendar e fazer gravações, tanto através da grelha de programas (EPG), como manualmente. Também pode fazer pausas na transmissão (pause live TV), bastando, para isso, ligar um dispositivo de armazenamento USB. Certos modelos podem até aceder a recomendações automáticas de conteúdos ou ao comando vocal. Tudo isto com o telecomando.

Já não pode é, na esmagadora maioria dos casos, reproduzir gravações automáticas, isto é, recuar até sete dias na programação. A menos que aceda ao serviço através de uma app que replique as funções da box. Analisámo-las, e ainda necessitam de limar arestas para serem uma verdadeira alternativa à caixa descodificadora.

Se precisar de esclarecimentos sobre os serviços de telecomunicações, contacte o nosso serviço de informação.

Se ainda não é subscritor, descubra esta e outras vantagens.

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