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Como evitar o uso dos dados das redes sociais no treino de IA?

Saiba como os seus comentários, publicações e interações nas redes sociais alimentam os sistemas de inteligência artificial e o que pode fazer para proteger a privacidade online.

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07 julho 2026
Duas mulheres jovens a consultar redes sociais no telemóvel

iStock

Depois de pesquisar um produto online, é comum começarem a surgir, em vários dispositivos e aplicações, anúncios relacionados. Não é coincidência. As interações digitais geram dados que são recolhidos e analisados por algoritmos capazes de identificar padrões, prever interesses e personalizar conteúdos.

Esta realidade tornou-se ainda mais relevante num mundo impulsionado pela inteligência artificial (IA). Dos chatbots aos assistentes digitais, passando pelos sistemas de recomendação das plataformas de streaming, a IA tornou-se parte de muitos produtos e serviços que usamos diariamente.

Mas os seus sistemas não surgem do nada. Para funcionarem, precisam de ser treinados com grandes volumes de informação. E uma parte significativa desses dados provém dos conteúdos que os utilizadores partilham nas redes sociais.

Se não pretende que as redes usem os seus dados para treinar os sistemas de inteligência artificial, siga as dicas da DECO PROteste.

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Como são usados os dados

O que publica pode revelar mais do que imagina. Fotografias, comentários, vídeos e interações ajudam as plataformas a compreenderem quem somos, o que fazemos e quais são os nossos interesses e comportamentos.

Durante anos, esta informação foi sobretudo usada para personalizar a experiência dos utilizadores e apresentar publicidade direcionada. Agora, ganha nova relevância com o papel que representa no treino de sistemas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, o Gemini ou o Grok.  

Uma fotografia publicada no Instagram pode ajudar a melhorar sistemas de reconhecimento de imagem. Um comentário no Facebook pode contribuir para aperfeiçoar modelos de linguagem. O histórico de visualização do YouTube pode revelar padrões de interesse e comportamento, que ajudam a refinar algoritmos. 

O problema é que muitas destas permissões estão escondidas em políticas de privacidade extensas e complexas, que poucos utilizadores leem na íntegra, aceitando termos e condições sem perceberem de que forma os dados poderão ser usados. 

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O valor dos dados

Cada interação online deixa uma pegada digital. As plataformas registam os conteúdos que o utilizador visualiza, os temas que segue, as pessoas com quem interage e até os horários em que costuma estar online.

Esta informação tem valor económico e tecnológico. Quanto mais dados uma empresa possui, mais eficazmente consegue personalizar serviços, desenvolver produtos e melhorar sistemas de inteligência artificial.

Por esse motivo, conteúdos aparentemente banais podem tornar-se uma fonte valiosa de informação para o desenvolvimento de tecnologias. 

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Plataformas e diferenças

Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e outras redes sociais recolhem grandes quantidades de dados, mas nem todas seguem as mesmas regras quanto à utilização dessa informação em sistemas de inteligência artificial. 

Em alguns casos, os utilizadores podem exercer o direito de oposição previsto no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) e solicitar que determinados dados deixem de ser usados no treino de IA. Em algumas plataformas, as opções de controlo são mais limitadas. 

O TikTok é um dos exemplos mais restritivos. Embora permita formular pedidos relacionados com proteção de dados, não disponibiliza um mecanismo que impeça totalmente a utilização da atividade realizada dentro da plataforma para treino de inteligência artificial. 

Por isso, é aconselhável consultar regularmente as definições de privacidade das suas contas. Voltar ao topo

Como limitar o uso dos dados nas principais plataformas

Pequenos ajustes podem reduzir significativamente a quantidade de informação utilizada para determinadas finalidades.

Instagram e Facebook (Meta)

Aceda ao Centro de Privacidade da Meta e procure a opção relativa ao direito de oposição. Através desse formulário, pode pedir que os seus dados não sejam usados em determinados processos de treino de inteligência artificial.

No Instagram, siga o percurso Menu do Perfil > Centro de Privacidade > Tens o Direito de Oposição.

No Facebook, aceda a Definições e Privacidade > Centro de Privacidade > Formulário de Oposição. 

X (antigo Twitter)

O processo pode ser feito através do browser ou da aplicação.

Aceda a Configurações e Privacidade. Em Configurações & Suporte, clique no avatar da app ou em Mais, e localize a secção dedicada ao Grok e a parceiros externos, em Privacidade e Segurança.

Desative a opção que autoriza a utilização dos seus dados públicos e interações para treino de IA. 

YouTube (Google)

A medida mais eficaz passa por desativar o histórico do YouTube nas definições de privacidade da conta Google.

Sem histórico guardado, reduz-se a quantidade de informação armazenada sobre os seus hábitos de visualização, havendo menos dados para alimentar os sistemas de recomendação e treino.

Na sua conta Google, aceda a Dados e Privacidade e reveja as definições do histórico do YouTube.

TikTok

A plataforma permite apresentar pedidos relacionados com direitos de proteção de dados através de um formulário específico.

Ainda assim, existem limitações, uma vez que não permite bloquear o uso dos conteúdos nem de atividades realizadas dentro da própria rede social para fins de treino de IA. Segundo as políticas da empresa, só os dados externos podem ser contestados.

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Medidas para reduzir a exposição digital

Embora seja impossível eliminar completamente a recolha de informação necessária ao funcionamento das plataformas, as seguintes medidas podem reduzir a exposição dos seus dados.

1. Pondere antes de publicar

Fotografias, opiniões, localização e detalhes pessoais podem permanecer disponíveis durante anos e contribuir para a criação de um perfil digital muito detalhado. 

2. Reveja regularmente as permissões

As plataformas atualizam frequentemente as suas políticas e definições. O que era válido há uns meses pode já ter mudado, pelo que é aconselhável rever as definições de privacidade, pelo menos, uma vez por ano. 

3. Limite os dados desnecessários  

Desative históricos, remova permissões não utilizadas e evite partilhar mais informação do que a necessária. 

4. Conheça os seus direitos 

O RGPD garante aos cidadãos europeus mecanismos para pedirem informação sobre o tratamento dos seus dados e, em determinadas situações, para se oporem à sua utilização. 
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O que acontece aos dados antigos

É importante ter em conta que os conteúdos publicados no passado podem já ter sido usados no treino de sistemas de inteligência artificial.

Os pedidos de oposição aplicam-se a utilizações futuras e não eliminam o histórico anterior.

Além disso, mesmo com todas as opções de privacidade ativas, as plataformas continuam a recolher dados necessários ao funcionamento dos serviços.

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Privacidade digital

A inteligência artificial depende de grandes volumes de dados para evoluir.

Por isso, é essencial compreender que dados partilha, a quem os entrega, como são usados e que mecanismos tem para limitar a sua utilização.

Embora não seja possível desaparecer completamente do ecossistema online, os utilizadores dispõem de ferramentas para recuperarem algum controlo sobre a informação pessoal. 

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