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Vacinas da gripe e da covid-19: quem precisa, quando tomar e quanto custa

08 setembro 2022
medico a aplicar vacina da gripe ao utente

A campanha de vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19 começou a 7 de setembro e tem como objetivo principal a proteção dos grupos mais vulneráveis. Saiba como funciona o agendamento, qual o preço e quem tem direito à vacina gratuita.

A campanha de vacinação contra a gripe e contra a covid-19 começou a 7 de setembro. Destina-se a três milhões de pessoas e prolonga-se até 17 de dezembro.

Prevê-se que em cada semana seja possível vacinar 280 mil pessoas em vários locais, como centros de saúde e centros de vacinação. Estão disponíveis 397 pontos de vacinação — dois terços deles em centros de saúde e um terço em centros de vacinação de maior dimensão. 

A vacinação também decorre nos estabelecimentos e residências para idosos e na rede nacional de cuidados continuados. As pessoas acamadas são vacinadas pelas equipas de saúde de apoio domiciliário.

Como é feito o agendamento da vacinação da gripe e da covid-19?

O acesso à vacinação contra a gripe e contra a covid-19 é ordenado por faixas etárias e por grupos de risco. A prioridade, pelo menos no início da campanha, serão as pessoas com 80 ou mais anos de idade e as pessoas com comorbilidades, ou seja, que apresentem mais de uma doença, em simultâneo, sendo que podem ou não estar relacionadas.

Os métodos de convocatória das pessoas elegíveis e agendamento serão adotados de acordo com o plano logístico e operacional, com a disponibilização de vacinas e com a capacidade instalada nos 397 pontos de vacinação.

Cada ponto de vacinação teve liberdade para decidir qual é o melhor meio de convocatória tendo em conta a sua população-alvo. A convocatória para o agendamento vai ser realizada por SMS ou por contacto telefónico, pelo que os utentes devem aguardar o contacto da autoridade de saúde. 

Na campanha de 2022/2023 é recomendada a administração simultânea da vacina contra a gripe e contra a covid-19, sempre que possível. Esta prática é considerada segura e efetiva.

A vacina da gripe e da covid-19 são compatíveis?

Sim. A vacina da gripe e a vacina contra a covid-19 podem ser administradas no mesmo dia, desde que sejam inoculadas em locais anatómicos diferentes (por exemplo, uma no braço direito e outra no braço esquerdo), salvo casos excecionais. 

Por outro lado, nenhuma vacina deve ser adiada apenas com o intuito de serem coadministradas, ou seja, se houver dois agendamentos da vacina da gripe e da covid-19 para dias diferentes, nenhum deve ser adiado para serem administradas juntas. 

O utente deve ser informado relativamente a possíveis reações adversas e pode ainda optar por uma administração em dias diferentes (com qualquer intervalo).

Também não há contraindicações da toma simultânea da vacina contra a gripe com as vacinas do programa nacional de vacinação, nomeadamente: uma vacina pneumocócica (Pn13 ou Pn23), a vacina Td (tétano e difteria) e a vacina Tdpa na grávida (tosse convulsa, tétano e difteria).

Vacina da gripe: quem recebe e preço

Este ano, pela primeira vez, a campanha sazonal contra a gripe conta com a utilização da Efluelda, uma vacina de dose elevada com uma composição antigénica quatro vezes superior à fórmula padrão. Esta vacina está indicada apenas para os mais vulneráveis, como os residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas.

A vacinação gratuita contra a gripe destina-se a residentes, utentes e profissionais de estabelecimentos de respostas sociais, doentes e profissionais da rede de cuidados continuados integrados, profissionais do SNS e grávidas.

Sequencialmente, serão integrados os outros grupos-alvo abrangidos pela vacinação gratuita, incluindo os cidadãos com idade igual ou superior a 65 anos

Qual o preço da vacina da gripe?

A maioria dos grupos de risco definidos pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos têm direito a vacina contra a gripe gratuita, no centro de saúde.

Estão disponíveis vacinas contra a gripe tetravalentes inativadas nos seguintes locais:

  • centros de saúde e centros de vacinação, onde serão administradas as vacinas Influvac Tetra, Vaxigrip Tetra e Efluelda (vacina de dose elevada – exclusiva para residentes de estruturas residenciais para pessoas idosas);
  • farmácias, onde estarão disponíveis as vacinas Influvac Tetra e Vaxigrip Tetra.

Para as pessoas não abrangidas pela vacinação gratuita no SNS, a vacina contra a gripe é dispensada nas farmácias comunitárias através de prescrição médica, com comparticipação de 37 por cento.

A vacina Influvac Tetra estará disponível — em princípio, no final de setembro — nas farmácias comunitárias, com prescrição médica, por 8,88 euros, para utentes do regime geral (37% de comparticipação), ou por 6,77 euros, no caso do regime especial para pensionistas.  

As receitas médicas da vacina contra a gripe são válidas até 31 de dezembro de 2022.

Vacina da gripe gratuita para quem?

Algumas pessoas têm direito à vacina da gripe gratuita, no Serviço Nacional de Saúde. Não precisam de receita médica. Em 2022, mantêm-se as medidas excecionais e específicas do ano passado, nomeadamente o início mais precoce, a vacinação faseada e a inclusão na gratuitidade dos profissionais que trabalham em contextos com maior risco de ocorrência de surtos ou de maior suscetibilidade e vulnerabilidade. Assim, beneficiam da vacina gratuita os seguintes indivíduos:

  • pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;
  • grávidas;
  • pessoas com idade superior a seis meses, incluídas nos seguintes contextos: residentes em instituições (como estruturas residenciais para pessoas idosas, lares de apoio, lares residenciais e centros de acolhimento temporário), utentes de serviço de apoio domiciliário, doentes na rede nacional de cuidados continuados integrados, pessoas apoiadas no domicílio pelos serviços de apoio domiciliário, com acordo de cooperação com a Segurança Social ou Misericórdias Portuguesas, doentes apoiados no domicílio pelas equipas de enfermagem das unidades funcionais prestadoras de cuidados de saúde ou com apoio domiciliário dos hospitais do SNS, doentes internados em unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde, que apresentem patologias crónicas e condições para as quais se recomenda a vacina, e reclusos nos estabelecimentos prisionais;
  • pessoas com idade superior a seis meses, que apresentem as seguintes patologias crónicas ou condições: doença cardiovascular, insuficiência renal, doença pulmonar crónica, doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória, da eliminação de secreções ou com risco aumentado de aspiração de secreções,  diabetes mellitus, trissomia 21,  pessoas submetidas a transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos, pessoas a aguardar transplante de células precursoras hematopoiéticas ou de órgãos sólidos, e imunodeprimidos (como os portadores VIH e quem está a fazer alguns tipos de quimioterapia ou terapêuticas com fármacos biológicos);
  • profissionais que estejam incluídos nos seguintes contextos: bombeiros que estejam em contacto direto com pessoas consideradas com alto risco de desenvolver complicações pós-infeção gripal, profissionais do Serviço Nacional de Saúde (incluindo estudantes em estágios clínicos), profissionais dos estabelecimentos prisionais, profissionais que estejam em contacto direto com pessoas com mais de 6 anos de idade e que se incluem nos contextos mencionados acima. 

Quem mais se deve vacinar contra a gripe?

Além dos grupos com direito a vacina gratuita, a Direção-Geral da Saúde recomenda fortemente a vacina para:

  • pessoal dos serviços de saúde (públicos e privados) e de outros serviços prestadores de cuidados;
  • pessoas, com idade superior a 6 meses (incluindo mulheres a amamentar), que apresentem patologias crónicas e condições para as quais se recomenda a vacinação, tais como doenças hereditárias do metabolismo, hemoglobinopatias, cirrose, entre outras;
  • coabitantes e prestadores de cuidados de pessoas de alto risco de desenvolver complicações pós-infeção gripal que não possam ser vacinadas;
  • pessoas que vivam ou trabalhem com bebés com menos de seis meses (estes não podem ser vacinados) que tenham risco elevado de complicações;
  • pessoal de infantários, creches e equiparados.

Por que razão é preciso repetir a vacinação todos os anos?

A vacina da gripe é constituída por vírus inativos que provocam a produção de anticorpos, uma reação normal do sistema imunitário de pessoas saudáveis, para tentar eliminar um “invasor" causador de doença. Em caso de ataque posterior por germes patogénicos ativos, as nossas defesas reconhecem o "inimigo" e neutralizam-no.

Para se proteger da gripe, deve vacinar-se todos os anos, pois o vírus muda com facilidade de um ano para o outro. A vacinação anterior não garante defesas, sobretudo se sofrer o ataque de uma nova estirpe do vírus. Da mesma forma, se teve gripe no ano passado, não está imune a uma nova gripe. Por isso, a composição da vacina contra a gripe é revista anualmente.

A Organização Mundial da Saúde monitoriza uma rede de vigilância mundial, que segue a atividade gripal e observa a evolução dos vírus. Com base nas conclusões, define a composição anual da vacina.

Estas vacinas são seguras e eficazes. Como qualquer outro fármaco, podem produzir reações adversas, mas são localizadas e transitórias: dor, vermelhidão e ligeiro inchaço no local da picada são as principais. Também podem causar dores de cabeça e febre. Estes problemas desaparecem passado pouco tempo.

Qual a melhor altura para se vacinar?

A vacina deve ser administrada, de preferência, até ao fim deste ano. Contudo, o ideal será fazê-lo o mais cedo possível, antes do início da ofensiva da gripe.

Imunidade contra a gripe

Pode contrair gripe por vírus de estirpes menos comuns, não previstas na vacina do ano. As doenças provocadas por outros vírus que não o da gripe também podem manifestar-se por sintomas semelhantes aos da gripe.

Mesmo contra a gripe, a vacina não oferece uma garantia absoluta. É possível que a composição seja inadequada se surgir uma estirpe diferente do previsto. A vacinação pode fornecer uma boa proteção num ano, mas ser menos eficaz no ano seguinte.

Para a vacina ser eficaz, o sistema imunitário tem de responder corretamente e o organismo deve produzir anticorpos suficientes, o que pode ser difícil no caso dos idosos. Embora a vacinação seja claramente recomendada para aquele grupo, a vacina pode ser menos eficaz, sobretudo se o seu estado de saúde já estiver debilitado.

Mais do que prevenir a gripe, a vacina para os grupos de risco pretende evitar complicações potencialmente fatais.

Medidas de prevenção da gripe

A par da toma da vacina contra a gripe, a Direção-Geral da Saúde recomenda algumas medidas simples para prevenir o contágio:

  • manter o conforto térmico, ou seja, agasalhar-se de acordo com a temperatura ambiente;
  • assegurar a higiene das mãos;
  • seguir uma alimentação saudável;
  • manter algum distanciamento social e seguir as regras da etiqueta respiratória (como, por exemplo, não respirar para cima dos outros, manter a distância da sua respiração e tapar a boca quando espirra).

Vacina da covid-19

A estratégia de vacinação contra a covid-19 para este ano recomenda a administração de uma dose de reforço sazonal com o objetivo de maximizar a proteção das populações mais vulneráveis, prevenir a doença grave, a hospitalização e a morte por covid-19.

A dose de reforço sazonal contra a covid-19 deve ser realizada com uma vacina de mRNA adaptada, disponível e aprovada para esta indicação, de acordo com as recomendações das Normas da DGS específicas de cada vacina: Comirnaty Original/Omicron ou Spikevax Original/Omicron

As duas vacinas disponíveis para o reforço sazonal contra a covid-19 foram aprovadas dia 1 de setembro pelas autoridades europeias e apresentam um perfil de segurança e eficácia adaptado às atuais variantes de SARS-CoV-2 em circulação.

Incluem na sua composição, em partes iguais, a componente das vacinas originais que tem como alvo a produção de anticorpos contra a estirpe original do SARS-CoV-2 e uma outra componente para a produção de anticorpos para a variante Ómicron.

Quem deve receber a dose de reforço sazonal contra a covid-19?

Os grupos elegíveis para a dose de reforço sazonal durante a campanha de vacinação contra a covid-19 são definidos em função do risco para doença grave, hospitalização e morte por covid-19. São elegíveis os seguintes grupos: 

  • pessoas com idade igual ou superior a 60 anos;
  • pessoas com idade entre 12 e 17 anos com patologias de risco, como trissomia 21, diabetes, doença neurológica grave e/ou doenças neuromusculares, entre outras;
  • pessoas com idade entre 18 e 59 anos com patologias de risco, como diabetes, insuficiência hepática crónica, fibrose quística, entre outras;
  • profissionais dos serviços de saúde (públicos e privados) e de outros serviços prestadores de cuidados de saúde, estudantes em estágio clínico, e bombeiros envolvidos no transporte de doentes;
  • profissionais e residentes em estruturas residenciais para pessoas idosas, instituições similares e rede nacional de cuidados continuados integrados, e estabelecimentos prisionais;
  • grávidas com 18 ou mais anos de idade e doenças definidas pela norma publicada pela Direção-Geral da Saúde.

As pessoas pertencentes aos grupos elegíveis para reforço sazonal devem ser vacinadas desde que tenham concluído o esquema vacinal primário com qualquer uma das vacinas contra a covid-19 e independentemente do número de reforços realizados anteriormente ou de história prévia de infeção por SARS-CoV-2. Caso tenham o esquema vacinal primário incompleto, completam o esquema vacinal primário e efetuam uma dose de reforço. Caso não tenham o(s) reforço(s) recomendados, efetuam apenas uma dose de reforço.

O intervalo recomendado entre a dose de reforço sazonal e o evento mais recente (última dose de vacina ou diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2) é de quatro a seis meses (intervalo mínimo de três meses).

As pessoas não pertencentes aos grupos elegíveis para reforço sazonal que não tenham o esquema vacinal recomendado atualizado devem atualizá-lo na primeira oportunidade de vacinação.