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Centros de saúde: um mês à espera da consulta

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Após 14 anos a subir, a satisfação com os centros de saúde desceu ligeiramente, muito devido ao tempo de espera por consultas. Globalmente, o Agrupamento de Centros de Saúde Grande Porto V - Porto Ocidental é o que mais satisfaz.

  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Fátima Ramos
28 maio 2019 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Bruno Carvalho
  • Texto
  • Fátima Ramos
centro saude

iStock

Em cinco estudos que realizámos, este é o primeiro em que os valores da Satisfação Global não sobem em relação aos anos anteriores, verificando-se mesmo uma ligeira descida: de 62, em 2014, para 61, numa escala até 100 pontos. Esta avaliação é fortemente influenciada pelo elevado tempo de espera por consultas com o médico de família, revela o nosso inquérito a 4958 portugueses. As respostas permitem avaliar o nível de satisfação (elevada, média ou baixa) dos utentes inquiridos com 50 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS).

Os utentes aguardam uma média de 28 dias entre a marcação e a consulta - 41 dias, no caso dos que não têm médico de família. O Norte é a região com a resposta mais lenta (32 dias, em média) e o Alentejo, com a menos demorada (20 dias, em média). Os ACeS Alentejo Litoral e Mondego apresentam o menor tempo de espera (18 dias, em média). Do lado oposto, encontram-se 11 agrupamentos, situados de norte a sul do País, com esperas médias entre 38 e 42 dias.

Quase metade dos inquiridos, ao nível nacional, aponta uma espera superior a três semanas, ou seja, fora do tempo de resposta imposto por lei para estas situações (15 dias úteis).

Os serviços de enfermagem são menos problemáticos: 47% dos inquiridos indicam ter conseguido atendimento, no máximo, no dia seguinte, e apenas 15% esperaram mais de uma semana. Ainda assim, a situação é menos favorável do que em 2014, quando 58% viam as suas pretensões satisfeitas no dia seguinte.

Médico de família em alta

Seis em cada 10 inquiridos estão satisfeitos com o médico de família. A competência e a pontualidade e assiduidade são os critérios que mais pesam na avaliação. O nível de satisfação com o primeiro critério é de 79 pontos (em 100); no segundo, o valor desce para 73 pontos. A esta apreciação não será alheio o facto de quase metade dos inquiridos só ter entrado no gabinete 30 minutos (ou mais) após a hora marcada.

Os inquiridos que escolheram o médico mostraram-se mais agradados com seu desempenho do que os que não tiveram essa oportunidade. O tempo que o médico dedica ao paciente e a forma como o envolve nas decisões sobre os cuidados de saúde são outros pontos a melhorar: apenas 54% e 57% dos inquiridos, respetivamente, se mostraram verdadeiramente satisfeitos com a prestação do profissional nestes aspetos. Ainda assim, globalmente, o médico de família é o elemento que mais satisfação gera nos cuidados de saúde primários, tendo obtido 76 pontos, num máximo de 100. Os serviços de enfermagem receberam 72, e os serviços administrativos, 61 pontos.

Centros de saúde no Grande Porto à frente

No geral, o funcionamento dos centros de saúde desagrada a 40% dos inquiridos. As áreas que merecem reparo pouco mudaram nos últimos 20 anos. Além dos tempos de espera pelas consultas, os utentes queixam-se dos serviços disponíveis, como a falta de consultas de outras especialidades e exames médicos, dos cuidados ao domicílio, por serem escassos ou funcionarem mal, e do atendimento telefónico.

Relativamente às consultas da especialidade, o Governo tem prometido dentistas, psicólogos e nutricionistas para os centros de saúde. Foram feitas algumas contratações, nomeadamente de dentistas, mas continuam a não satisfazer as necessidades e as expetativas.

Globalmente, o ACeS Porto V, com 75 pontos, destaca-se claramente dos restantes. Os utentes estão satisfeitos, em particular, com os horários de funcionamento e a acessibilidade à sua unidade de saúde (distância de casa e facilidade em chegar, entre outros). Tal como a maioria dos inquiridos ao nível nacional, os que pertencem a este ACeS mostram-se desagradados com o atendimento telefónico.

Na cauda da tabela estão sete agrupamentos: Pinhal Litoral, Sintra, Lisboa Central, Alentejo Litoral (ULS Litoral Alentejano), Arrábida, Algarve II - Barlavento e Amadora. Há ligeiras variações na Satisfação Global entre eles, mas, em termos estatísticos, a diferença não é significativa.

Os dados deste estudo foram obtidos através de um questionário enviado pelo correio, em outubro e novembro de 2018, a uma amostra da população adulta estratificada por sexo, idade e região, e através de um questionários online. Os resultados refletem a opinião dos inquiridos sobre o funcionamento dos centros de saúde

 

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