Notícias

Metade dos portugueses com sintomas de covid-19 não cumprem quarentena

A grande maioria dos portugueses com, pelo menos, um sintoma indicativo de covid-19 não contacta os serviços de saúde e 7% dirige-se diretamente às urgências, contra todas as recomendações. O prejuízo económico das famílias já vai em 1,4 mil milhões de euros.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Fátima Ramos
26 março 2020 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Fátima Ramos
Portugueses e a Pandemia

iStock

A avalanche de informação sobre a propagação do novo coronavírus, SARS-CoV-2, e a constante divulgação das medidas de prevenção do contágio parece não ser suficiente para que todos cumpram as regras à risca: 9% dos portugueses revelaram ter tido, pelo menos, um dos sintomas característicos da covid-19 (febre, tosse seca ou dificuldades respiratórias) nos últimos 15 dias, mas 77% não contactaram os serviços de saúde e metade revelou não cumprir quarentena. Apenas 12% dos que apresentaram sintomas ficaram em casa, não saindo em nenhuma circunstância.

Na presença de sintomas suspeitos, as indicações da Direção-Geral da Saúde são claras: ligar para o SNS 24 e seguir as instruções. Apenas 13% dos inquiridos o fizeram, e 7% confessaram ter-se dirigido diretamente às urgências, arriscando contagiar outros, no caso de estarem infetados.

A ordem para ficar em casa não é apenas para quem apresenta sinais de doença. Atualmente, todos os cidadãos devem ficar no domicílio, apenas sendo permitida a saída em situações específicas, como ir trabalhar, ao supermercado, à farmácia ou passear animais. Os convívios e as viagens estão também limitados.

Na altura em que fizemos o inquérito, as restrições do estado de emergência ainda não estavam em vigor, mas o isolamento social já era fortemente aconselhado. Contudo, só 68% indicaram cumprir à risca as recomendações relativas à permanência em casa. As mulheres mostraram-se mais respeitadoras do que os homens. Em Lisboa, parece haver um pouco mais de observância por aquelas normas do que no Porto: 74% dos lisboetas seguem-nas à risca contra 67% dos portuenses. 

A quem vacila no isolamento, é preciso lembrar que nem todos os portadores do vírus apresentam sintomas e que é possível ficar infetado por contacto com superfícies e objetos contaminados. Para limitar a transmissão, é de crucial importância que todos cumpram as medidas fixadas.

Preço do isolamento devido à covid-19

Apesar de absolutamente necessário, o isolamento tem um preço. Desde o início das restrições à mobilidade, 17% dos inquiridos dizem sentir-se aborrecidos com frequência, e 8% queixam-se de solidão. Ambos os sentimentos são mais comuns entre os mais novos, em particular antes dos 38 anos.

A saúde mental também começa a acusar a convulsão dos tempos em que vivemos. Cerca de um quinto dos portugueses, com destaque para as mulheres, diz que a ansiedade e o medo fazem parte do seu dia-a-dia. As inquiridas entre os 25 e os 41 anos são as que se revelam mais assustadas. É também o sexo feminino que aponta mais dificuldades em dormir.

Famílias já perderam 1,4 mil milhões de euros na crise do coronavírus 

Além dos receios associados à covid-19, os problemas de saúde mental também não serão alheios a prejuízos financeiros decorrentes da crise do coronavírus: 45% das famílias revelaram perdas neste período. Enquanto alguns apenas viram esfumar-se os valores adiantados em bilhetes para espetáculos musicais ou desportivos, viagens ou festas de família que foram obrigados a cancelar, outros perderam rendimentos do trabalho ou de investimentos. 

Desde o início da crise do coronavírus, a carteira de quem teve danos financeiros ficou com menos 763 euros, em média. Ao nível profissional, estas famílias deixaram de ganhar, em média, 581 euros, sendo que uma em cada 10 perdeu rendimentos superiores a mil euros. Extrapolando os valores recolhidos para o universo das famílias portuguesas, cada uma terá perdido, em média, 349 euros. Ao multiplicar este valor pelo número de agregados nacionais, concluímos que o total do prejuízo já soma 1,4 mil milhões de euros, valor que, infelizmente, tenderá a aumentar. Numa altura em que já se anunciam medidas com vista à recuperação da economia portuguesa, é fundamental não deixar de fora o apoio às famílias, que, em muitos casos, irão enfrentar situações de pobreza. Só assim “vamos ficar todos bem”.

Portugueses face à pandemia: resultados do inquérito

Apresentamos os números que mostram como estão os cidadãos a viver com a pandemia covid-19, que medidas tomam para limitar o propagação do vírus e os prejuízos financeiros já contabilizados pelas famílias.

Please fill the source and the alt text

 
Please fill the source and the alt text  

Please fill the source and the alt text

Please fill the source and the alt text

Please fill the source and the alt text 

Como fizemos o estudo

Para este estudo, entre 18 e 20 de março, enviámos um questionário online a uma amostra da população adulta portuguesa. No total, recebemos 1002 respostas, que foram ponderadas pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, por forma a refletirem a realidade nacional.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

Num Mundo complexo e com informação por vezes contraditória, a DECO PROTESTE é o sítio certo para refletir e agir.

  • A nossa missão exige independência face aos poderes políticos e económicos. 
  • Testamos e analisamos uma grande variedade de produtos para garantir que a escolha dos consumidores se baseia em informação rigorosa. 
  • Tornamos o dia-a-dia dos consumidores mais fácil e seguro. Desde uma simples viagem de elevador ou um desconto que usamos todos os dias até decisões tão importantes como a compra de casa.
  • Lutamos por práticas de mercado mais justas. Muitas vezes, o País muda com o trabalho que fazemos junto das autoridades e das empresas. 
  • Queremos consumidores mais informados, participativos e exigentes, através da informação que publicamos ou de um contacto personalizado com o nosso serviço de apoio.

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Faça parte desta comunidade.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.