Hipertensão: como prevenir e controlar
A hipertensão arterial é uma doença discreta e silenciosa, que, a longo prazo, pode ser fatal. Saiba que hábitos ajudam a prevenir e controlar a pressão arterial e aprenda a medir em casa de forma correta.
Neste artigo
- O que é a pressão arterial?
- Quais são os valores de pressão arterial considerados elevados?
- Porque é importante medir regularmente a pressão arterial?
- Porque deve controlar a pressão arterial?
- Quais são os tipos de hipertensão?
- Como se manifesta a hipertensão nas crianças?
- O que acontece à pressão arterial durante a gravidez?
- A hipertensão é uma doença genética?
A hipertensão arterial (HTA) é uma doença silenciosa que, na maioria dos casos, não provoca sintomas numa fase inicial. Se não for detetada e controlada, pode danificar os vasos sanguíneos e órgãos como o cérebro, o coração e os rins, aumentando o risco de complicações graves.
A hipertensão arterial está associada a cerca de 10 milhões de mortes, por ano, em todo o mundo. Quase metade dos adultos com hipertensão arterial não sabe que a tem.
Na Europa estima-se que a hipertensão arterial afete cerca de 35 a 40% da população. Em Portugal, o estudo e_COR, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, realizado em 2019, estimou que a HTA afetava cerca de 43% da população adulta. Entre os participantes hipertensos, quase 70% estavam medicados, mas apenas 46% apresentavam a pressão arterial devidamente controlada.
A principal forma de combater a doença é promover a sua prevenção. A prevenção e o controlo da hipertensão passam pela medição regular da pressão arterial e por mudanças no estilo de vida, podendo ser necessário recorrer também a medicamentos, de acordo com a avaliação médica.
Voltar ao topoO que é a pressão arterial?
A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias enquanto circula pelo organismo.
É expressa através de dois valores:
- a pressão sistólica ou “máxima”, correspondente à contração do coração e à expulsão do sangue;
- a pressão diastólica ou “mínima”, que corresponde ao momento em que o coração relaxa entre batimentos.
Os valores da pressão arterial variam ao longo do dia. Podem aumentar, por exemplo, durante o esforço físico ou perante situações de tensão emocional, regressando depois aos valores habituais.
Voltar ao topoQuais são os valores de pressão arterial considerados elevados?
Considera-se hipertensão arterial quando são registados valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg (14/9) no consultório médico. Quando a medição é feita em casa, considera-se hipertensão quando a média dos valores é superior a 135/85 mmHg.
Um único valor elevado não permite, por si só, diagnosticar hipertensão.
Uma redução da pressão arterial também pode traduzir-se numa diminuição do risco cardiovascular. Uma descida de 10 mmHg na pressão sistólica está associada a uma redução de 20% no risco de eventos cardiovasculares, de 29% no risco de AVC, de 28% no risco de insuficiência cardíaca e de 13% no risco de morte por qualquer causa. Mesmo uma redução de 5 mmHg na pressão sistólica permite uma redução de 10% no risco de eventos cardiovasculares.
Voltar ao topoPorque é importante medir regularmente a pressão arterial?
A hipertensão é, regra geral, assintomática nos primeiros anos. Algumas pessoas podem apresentar cefaleias, tonturas, mal-estar, visão desfocada, dor no peito ou falta de ar, mas estes sintomas também podem estar associados a outras doenças.
A medição regular é, por isso, fundamental para detetar a doença. Pode ser feita por um profissional de saúde ou, em determinadas situações, pela própria pessoa em casa. Pode ser utilizado um aparelho de monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA), que regista os valores durante 24 horas (considera-se hipertensão se a média das 24h for ≥130/80 mmHg, a média diurna ≥135/85 mmHg e/ou a média noturna ≥120/70 mmHg).
Em cada visita médica, a pressão arterial deve ser avaliada três vezes, com 1 a 2 minutos de diferença. Considera-se como valor de pressão arterial em consultório a média das duas últimas avaliações.
Como medir corretamente a pressão arterial em casa?
Para obter resultados mais fiáveis:
- evite fumar e beber café antes da medição;
- sente-se e descanse durante pelo menos cinco minutos, num ambiente calmo;
- mantenha as costas apoiadas, as pernas descruzadas e os pés assentes no chão;
- mantenha o braço despido e apoiado numa mesa, com a braçadeira ao nível do coração;
- não fale durante a medição;
- faça três medições, com um ou dois minutos de intervalo, e considere a média das duas últimas;
- registe a data e a hora dos valores para os apresentar ao médico.
Depois de confirmada a existência de hipertensão, devem ser também realizados outros exames que ajudem a entender a sua origem e as suas complicações e estratificar o risco cardiovascular global, como um eletrocardiograma, por exemplo.
Também podem ser necessários exames complementares (como o ecocardiograma), de acordo com avaliação clínica.
Voltar ao topoPorque deve controlar a pressão arterial?
Controlar a hipertensão ajuda a reduzir o risco de complicações cardiovasculares e de lesões em órgãos como o coração, os rins e o cérebro.
A doença está associada a complicações graves, incluindo enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal. O controlo da pressão arterial é, por isso, uma parte essencial da prevenção cardiovascular.
Quando é necessário tratamento farmacológico, a escolha da medicação depende de fatores como a gravidade da doença, o cálculo do risco de doença cardiovascular, a presença de outras doenças, etc. Em alguns casos, pode ser necessário ajustar a medicação até encontrar a opção mais adequada.
Siga sempre as indicações do médico e não altere ou interrompa a medicação por iniciativa própria.
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Quais são os tipos de hipertensão?
A hipertensão arterial pode ser primária ou secundária.
A hipertensão primária é a forma mais frequente e não tem uma causa única identificável. Resulta da interação de vários fatores, entre os quais:
- excesso de peso;
- consumo excessivo de sal;
- sedentarismo;
- tabagismo;
- ingestão de álcool;
- stresse.
A incidência também aumenta com a idade.
Na hipertensão secundária existe uma causa identificável, como determinadas doenças ou medicamentos. Entre as causas referidas encontram-se:
- doenças renais;
- apneia obstrutiva do sono;
- doenças das glândulas suprarrenais, como doença adrenocortical e feocromocitoma;
- determinados medicamentos que podem provocar ou agravar a hipertensão.
Quando a hipertensão é secundária, o tratamento pode passar pela abordagem da doença que está na sua origem.
Voltar ao topoComo se manifesta a hipertensão nas crianças?
Na infância, a hipertensão arterial parece resultar da interação entre fatores genéticos e ambientais. Surge associada a outras patologias, como obesidade, diabetes, colesterol elevado, apneia obstrutiva do sono, doença renal e endocrinológica. Outros fatores que também aumentam o risco de desenvolvimento de hipertensão arterial incluem consumo excessivo de sal ou açúcar, consumo de álcool e tabaco, sedentarismo, etc.
A pressão arterial deve ser avaliada em crianças a partir dos três anos, exceto nas crianças pertencentes a grupos de risco, que podem necessitar de uma avaliação mais precoce.
As crianças e adolescentes com valores de pressão arterial normais devem ser reavaliados a cada dois anos; com pressão arterial elevada e sem lesão de órgão-alvo, devem ser avaliados anualmente.
Nas crianças, os valores de referência variam com a idade, o sexo e a altura.
Voltar ao topoO que acontece à pressão arterial durante a gravidez?
As perturbações hipertensivas podem surgir durante a gravidez ou no período após o parto e representam um risco para a mãe e para o bebé, podendo, em alguns casos, conduzir a parto prematuro.
Nas mulheres que já têm hipertensão arterial antes de engravidar, é de extrema importância que sejam orientadas para uma consulta especializada, para que a sua pressão arterial seja controlada. É fundamental também rever a medicação anti-hipertensora nestas mulheres, para que esta não seja prejudicial para o futuro bebé.
A tensão arterial elevada durante a gravidez pode assumir três formas:
- hipertensão crónica ou preexistente, que já existia antes da gravidez ou começou antes da 20.ª semana e que se prolonga depois do parto;
- hipertensão gestacional, que surge depois das 20 semanas de gravidez e desaparece nas 12 semanas seguintes ao parto;
- pré-eclâmpsia, que pode estar associada a uma das formas anteriores e que surge tipicamente no último trimestre, associando pressão arterial elevada a um aumento de proteínas na urina.
Na pré-eclâmpsia, são mais frequentes situações como nascimentos prematuros, baixo peso à nascença e mortes fetais.
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A hipertensão é uma doença genética?
A hipertensão arterial é um distúrbio heterogéneo e multifatorial, pelo que pode resultar da interação de vários fatores.
Nas formas secundárias existem casos raros provocados por uma única mutação genética. Na hipertensão primária, estima-se que os fatores genéticos sejam responsáveis por cerca de 30% da variação da pressão arterial em várias populações.
Apesar disso, a rotina clínica não analisa habitualmente perfis genéticos para avaliar a hipertensão primária. A prevenção e o controlo centram-se sobretudo na identificação e alteração dos fatores de risco e comportamentos modificáveis.
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