Exmos. Senhores,
Adquiri uma viatura Dacia Sandero nova e, quando a viatura tinha apenas 11 meses de utilização, detetei uma abertura na pintura do tejadilho. Desconheço quando essa anomalia surgiu, uma vez que, pela sua localização, não se trata de uma zona facilmente visível no uso normal da viatura.
A garantia foi recusada com a alegação de que os danos resultariam de "fatores externos".
Desde o primeiro contacto solicitei apenas que me fosse apresentada a fundamentação técnica que sustentou essa conclusão.
Essa resposta nunca chegou.
Durante semanas fui sucessivamente reencaminhada entre a Santogal Chelas e a Dacia Portugal, sem que nenhuma assumisse a responsabilidade de responder ao meu pedido. Enquanto uma remetia a responsabilidade para a outra, eu permanecia sem qualquer esclarecimento.
Apenas após muita insistência, sucessivos emails e várias reclamações, a própria Dacia Portugal respondeu, por escrito, que "os relatórios técnicos devem ser solicitados junto da Entidade Reparadora", remetendo-me novamente para a Santogal Chelas. Uma informação que poderia e deveria ter sido prestada desde o primeiro momento, evitando semanas de desgaste e frustração completamente desnecessárias.
Contudo, mesmo após esta indicação expressa da própria marca, continuo até hoje sem qualquer resposta da Santogal Chelas às questões técnicas que lhe tenho dirigido desde o primeiro contacto.
O que mais me preocupa e, me gera desconfiança é a forma como esta conclusão foi alcançada. A avaliação da minha viatura consistiu numa observação efetuada pelo chefe da oficina, que recolheu algumas fotografias e as remeteu ao departamento de qualidade. Posteriormente, foi-me comunicada a conclusão de que os danos resultariam de fatores externos, sem que me tivesse sido explicado que análise técnica foi realizada, quais os critérios utilizados ou de que forma foi excluída a possibilidade de um defeito de fabrico da pintura.
Não é aceitável que se exclua uma hipótese tão plausível como um defeito de fabrico sem que seja explicado ao consumidor, de forma objetiva e tecnicamente fundamentada, como essa hipótese foi analisada e afastada.
É profundamente lamentável que um consumidor tenha de insistir durante semanas, enviar sucessivos emails e apresentar várias reclamações apenas para tentar obter uma explicação que deveria ter sido prestada de forma transparente desde o início.
Se existe uma análise técnica que sustenta a conclusão de que os danos resultam de fatores externos, então essa análise deve poder ser explicada e fundamentada. Se essa fundamentação nunca é apresentada ao consumidor, é legítimo questionar como foi possível chegar a essa conclusão.
Continuo à espera de uma resposta objetiva: qual foi a análise técnica realizada que permitiu concluir que os danos resultaram de fatores externos e excluir a hipótese de um defeito de fabrico da pintura?
Após semanas de insistência, o que permanece sem resposta não é apenas uma questão técnica. É uma questão de transparência, de responsabilidade e de respeito pelo consumidor. A própria Dacia Portugal indicou que a resposta às minhas questões deveria ser prestada pela Entidade Reparadora, mas essa resposta nunca foi dada.
Uma marca e a sua rede de reparadores autorizados, quando tomam uma decisão que afeta os direitos de um consumidor, devem ser capazes de a explicar de forma clara, objetiva e tecnicamente fundamentada. Infelizmente, apesar de toda a insistência e das sucessivas reclamações apresentadas, continuo sem essa explicação.
A presente reclamação não pretende discutir, por si só, a decisão de exclusão da garantia. Pretende, que me seja finalmente apresentada a fundamentação técnica que sustenta essa decisão, algo que solicito desde o primeiro contacto e que, até hoje, nunca me foi facultado.