Venho apresentar uma reclamação contra a Santogal BMW Seixal, na sequência de uma intervenção obrigatória (recall) determinada pela BMW, após a qual a minha viatura passou a apresentar uma avaria no grupo propulsor e uma perda significativa de potência, problemas que não se manifestavam antes da intervenção.
No dia 8 de outubro de 2026, entreguei o meu BMW 216d Active Tourer, com cerca de 11 anos e 212.000 km, na Santogal Seixal exclusivamente para realizar o recall. Nesse mesmo dia, pelas 19h30, ao levantar o automóvel e carregar no botão Start, surgiu imediatamente no painel o aviso: “Avaria no grupo propulsor – Perda de potência. Pode continuar viagem.” Fotografei o aviso nesse momento, sendo possível confirmar a hora.
Entreguei a viatura em condições normais de funcionamento, sem aviso de avaria no grupo propulsor nem perda de potência. Depois do recall, o veículo passou a desenvolver muito menos potência, ficando a sua utilização claramente condicionada.
Tentei contactar de imediato o colaborador Telmo Marques, que acompanhava o processo, mas não obtive resposta àquela hora. Falámos na manhã de 10 de outubro e foi-me pedido que regressasse à oficina o mais rapidamente possível. No dia 13 de outubro, conforme combinado, apresentei-me na Santogal Seixal pelas 8h30. Cerca das 10h00, o colaborador mostrou-me um relatório com erros registados antes e depois do recall e indicou-me que a oficina não poderia fazer mais nada para resolver a situação.
Foram referidas várias anomalias associadas a um veículo com 11 anos e 212.000 km. Compreendo que um automóvel desta idade e quilometragem possa ter um histórico de erros. Não sou especialista em mecânica e não posso avaliar tecnicamente esses registos. Contudo, o ponto essencial é simples: entreguei o carro a funcionar normalmente e recebi-o com um aviso de avaria no grupo propulsor e uma perda de potência que não existiam antes.
Recentemente, a Santogal enviou-me ainda um orçamento com o valor das reparações que considera necessárias . Respondi por email que não solicitei qualquer orçamento de reparação, diagnóstico geral ou levantamento de anomalias: a única intervenção prevista era o recall obrigatório. Os relatórios de erros, verificações posteriores e orçamento surgiram na sequência do problema manifestado imediatamente após essa intervenção. Não aceito que a apresentação de um orçamento transforme automaticamente em responsabilidade minha o custo de resolver esta situação.
Desde 8 de outubro que circulo com o veículo condicionado e com o aviso de avaria. Na minha perspetiva, a coincidência imediata entre o recall e o aparecimento da anomalia exige que a Santogal e a BMW investiguem seriamente a possível relação causal, em vez de se limitarem a invocar erros anteriores , há uma anomalia no monitor do veículo e uma limitação que não existia , nem quando foi à inspeção, nem quando foi entregue à Santogal.
Há ainda um agravamento importante relativo à inspeção periódica obrigatória. Na primeira inspeção, o único apontamento comunicado dizia respeito à necessidade de realizar o recall. Após a intervenção, voltei a apresentar a viatura num centro de inspeções e fui informado de que, se o atual erro persistir, poderá impedir a aprovação na inspeção do próximo ano. Assim, cumpri a intervenção exigida pela marca e passei a ter um problema que, segundo a informação recebida no centro, poderá comprometer a futura aprovação do veículo. Solicito que esta circunstância também seja considerada.
No dia 13 de outubro apresentei reclamação no Livro de Reclamações da Santogal Seixal. Também comuniquei a situação por email à Santogal e à BMW Portugal e respondi ao orçamento não solicitado. Apesar destas diligências, continuo sem uma solução concreta.
Considero inaceitável que, após uma intervenção obrigatória determinada pela marca, me seja devolvido um veículo em pior estado do que aquele em que foi entregue, com uma avaria que se manifestou de imediato e com a potência claramente limitada, sem uma proposta de resolução que não me imponha custos por um problema eventualmente causado pela intervenção.
Solicito o apoio da DECO PROteste para: avaliar os meus direitos enquanto consumidor; interceder junto da Santogal e da BMW Portugal;
Não pretendo melhorias num automóvel usado com 11 anos , nem reparações de problemas anteriores sem relação com este episódio. Pretendo apenas recuperar as condições de funcionamento em que entreguei a viatura no dia 8 de outubro. A idade e a quilometragem do carro não devem, por si só, dispensar uma investigação técnica à avaria surgida imediatamente após o recall.
Caso venha a ser necessário tenho : a fotografia com data e hora da recolha do veículo , com o aviso detectado, a prova de que o veiculo foi à inspeção e não tinha qualquer apontamento sem ser o recall pedido pela marca e as comunicações via email e telefone feitas com a Santogal.
Com os melhores cumprimentos,
Ivo Silva