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Experiência de acessibilidade horrível

Em curso Pública

ROCK IN RIO 2026

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Problema identificado:

Outro

Reclamação

I. D.

Para: ROCK IN RIO 2026

29/06/2026

No dia 27/06 fui com a minha mãe ao Rock in Rio ver o concerto do Rod Stewart. A minha mãe sofre de obesidade, tem 69 anos e tem 120kg. Ela não é considerada inválida nem tem atestado de incapacidade. E eu não tenho carro. Sendo um evento inclusivo, isto não devia ser impedimento e à 1a vista. Passo a citar os factos: 19:30 - Chegamos de Uber e tivemos de andar tudo a pé desde a paragem do Uber. Mesmo o acesso através do Shuttle da carris fica longe da entrada e para pessoas que tem mobilidade reduzida, não existe outra alternativa senão andar a pé até à entrada ou ir de carro.  20:30 - Conseguimos chegar á entrada do Rock in Rio e apanhamos um boogie que nos levou à central de acessibilidade. Aqui foi nos dito por uma assistente, que tínhamos de fazer a inscrição na recepção e de receber pulseiras para ter acesso à zona de acessibilidade. Quando chegamos à recepção, uma senhora estava a atender outra pessoa, quando nos viu ignorou-nos inicialmente e após alguns minutos com um sorriso de esgar e cínico, disse que não tinham cadeiras de rodas e que tínhamos de ir para a fila para deixar o nome e o contacto. Assim fiz. Fui atendida por outra senhora que me informou igualmente que não havia cadeira, que não podia fazer nada. Deixei os meus contatos. Esta senhora também não era NADA simpática. Parecia que nos estavam a fazer um favor. Após deixar os contatos, a 1a senhora continuou a ignorar-nos, não dando as pulseiras, nem explicando como poderíamos ir para o palco mundo. Depois apareceu outra senhora que nos viu ali e procedeu à nossa inscrição e deu-nos as pulseiras. A minha mãe recebeu uma pulseira de necessidades especiais e eu de acompanhante. A senhora que nos atendeu explicou por onde tínhamos de ir e reforçou que se nas plataformas de acessibilidade, tivessem acompanhantes, estes teriam de sair e dar lugar à minha mãe. E para tal, deveríamos falar com os assistentes que se encontravam nas plataformas. 21:30 - Começamos a andar a pé para a zona de acessibilidade. Paramos em vários lugares para minha mãe poder descansar. Quando chegamos às plataformas de acessibilidade do palco Mundo (Eram 2, uma para cadeira de rodas e outra para outras necessidades) os assistentes não nos deixaram entrar, alegando que a plataforma estava cheia e com a capacidade máxima. Eu disse-lhes que me tinham informado na recepção que os acompanhantes tinham de ceder o lugar, e estes tinham de lhes dizer para saírem, pois a minha mãe e outras pessoas que estavam à espera, tinham PRIORIDADE. A resposta que obtive foi ALUCINANTE: "Desculpe, nós podemos convidar os acompanhantes a cederem o lugar, mas não os podemos obrigar. Assim têm de esperar". 23:00 - Estivemos desde as 21:30 até as 23h à espera de poder entrar na plataforma. O concerto do Rod Stewart começou ás 22:40 e a 1a parte do concerto a minha mãe viu o que pode encostada a um caixote do lixo, pois já não consegui estar em pé sem ter dor nos joelhos. Eu fiquei na fila para marcar-lhe o lugar e ter a certeza que ela ia ter uma cadeira e quando chegou a nossa vez, eu já não sabia onde ela estava e quase nos perdíamos uma da outra, mas depois encontrei-a e ela finalmente sentou-se. Enquanto esperamos vi outras pessoas com necessidades a serem tratadas da mesma forma e a serem "instruídas" que tinham de aguardar. Nunca em momento algum os assistentes tentaram falar ou abordar os acompanhantes para darem lugar às pessoas que realmente necessitavam. As pessoas que foram tratadas da mesma forma: Uma senhora que tinha o pé engessado Uma senhora que tinha um dos pés com uma tala Uma menina, provavelmente com trissomia ou outra necessidade, que estava com os pais que a tinham por perto com uma coleira de plástico para ela não se perder deles Um senhor que apresentava uma atrofia muscular num dos braços Um rapaz que tinha dificuldade na fala e possivelmente um atraso cognitivo A todos foi respondido: "Desculpe, nós podemos convidar os acompanhantes a cederem o lugar, mas não os podemos obrigar. Assim têm de esperar". As pessoas ripostavam chateadas, claro, e os assistentes ignoravam completamente. Olhavam para outro lado e não faziam absolutamente nada! Era como falar com paredes ou pessoas que estão noutro mundo. Senti abuso de poder e zero empatia. Provavelmente como não são pagos, fazem o trabalho da forma mais miserável possível e não contribuem que as pessoas que já estão numa situação de vulnerabilidade, tenham uma experiência positiva. 23:30: A minha mãe sentou-se e viu o concerto e no meio do mesmo, uma cadeira na 2a fila mesmo à frente do palco, ficou livre. Um dos assistentes perguntou-lhe se ela queria ir e que a vista era melhor. Assim foi, ela foi para o lugar vago e a cadeira que ela estava a ocupar ficou vaga. Eu perguntei se podia levar a cadeira para ao pé dela e sentar-me com ela. Havia espaço. Foi me dito um não redondo. E tive de estar de joelhos no chão sentada ao lado dela, não podendo estar em pé porque tirava a visibilidade às pessoas que estavam atrás. O cúmulo da situação foi quando um dos assistentes veio ter comigo e me disse que eu estava a causar-lhe problemas com outras pessoas que queriam entrar na plataforma e havia uma cadeira livre e eu estava ali. Perguntei-lhe novamente: posso pôr a cadeira aqui? E ele disse não e foi-se embora. A mim já pode abordar para dizer que me tinha de sentar noutro sitio?? Em vez de dar a cadeira a alguém que precise! E quando entrei na plataforma nunca me sentei. Tive sempre perto da minha mãe em pé, quando ela entrou na plataforma e ficou mais para trás. Portanto, que raio de abordagem é esta?? Porque é que falam com uns e outro não? CHAMA-SE DISCRIMINAÇÃO. Eu ofereci o bilhete à minha mãe e comprei um para ir com ela, para vivermos a experiência de ver o Rod Stewart juntas. Eu não ia sair de ao pé dela se havia espaço!!!! 00:30: Após o concerto, tivemos de andar a pé desde a plataforma até à saída. Mais uns 40m. E conseguimos apanhar o autocarro, mas mais uma vez a minha teve de andar e parar muitas vezes. Daria 0 estrelas a esta experiência, se existisse essa possibilidade. Foi a 1a vez que fui ao Rock in Rio. Não irei mais. Foi uma experiência muito decepcionante e infernal até um certo ponto. Atendimento e acompanhamento da parte dos assistentes da acessibilidade muito mau, para não dizer horrível e sem humanidade ou verdadeira preocupação pelas pessoas com necessidades especiais. A cidade do Rock não é inclusiva, como tão bem vendem. Eu senti-me tratada como lixo juntamente com a minha mãe. Chego à conclusão de que o ROCK IN RIO só existe para facturar, facturar e faturar. Apresentam uma imagem muito glamorosa de tudo, incluído da organização da acessibilidade, mas depois não deixa de ser um FIASCO e um autêntico desastre.


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