Exmos. Senhores da DECO,Venho por este meio solicitar a vossa intervenção urgente e apoio jurídico num caso de extrema gravidade que envolve a usurpação da minha identidade digital e a perda total de controlo sobre o meu projeto profissional e académico, "Portugal Antigamente", alojado na plataforma Instagram. Como historiador e autor, dediquei os últimos anos à construção de uma comunidade de divulgação histórica que se tornou a maior do seu género em Portugal, servindo como veículo de educação e preservação da memória coletiva. No entanto, desde o dia 3 de setembro de 2025, encontro-me refém de uma situação de extorsão e de uma gritante negligência por parte da Meta Platforms, Inc., que se recusa a agir perante provas irrefutáveis de crime.A invasão da minha conta ocorreu na manhã do referido dia, quando fui surpreendido por notificações automáticas da própria plataforma informando que o meu e-mail de recuperação e o meu número de telefone tinham sido removidos. O invasor alterou imediatamente os dados de acesso para um e-mail de origem suspeita e implementou um sistema de autenticação de dois fatores externo, através da aplicação Duo Mobile, bloqueando qualquer tentativa de recuperação convencional da minha parte. O que se seguiu foi um processo angustiante de chantagem direta. Através do número de WhatsApp +44 7349 870174, o criminoso admitiu explicitamente o acesso ilegítimo, afirmando que a minha conta "não lhe interessava" e que o seu único objetivo era chegar a um acordo financeiro. Inicialmente, exigiu o pagamento de 700€, valor que foi baixando para 400€ e, finalmente, para 300€, à medida que eu recusava ceder à extorsão e tentava ganhar tempo enquanto contactava as autoridades.Tentei, literalmente, todos os mecanismos de suporte que o Instagram disponibiliza. Submeti vários pedidos de ajuda através do centro de segurança, realizei os procedimentos de verificação biométrica por vídeo (selfie de vídeo) por diversas vezes, onde a minha identidade é claramente confirmável através do cruzamento com as fotos e vídeos de cariz público que eu próprio publicava na página. Enviei e-mails para os canais de suporte técnico e de segurança da Meta (phish@fb.com e security@mail.instagram.com), anexando documentos de identificação e capturas de ecrã que provam a invasão e a tentativa de venda da conta. Tenho um processo de suporte aberto com o número 873044195107486, mas a resposta da plataforma tem sido nula ou meramente automatizada, ignorando o facto de haver um crime de extorsão em curso na sua própria infraestrutura.Perante o silêncio da Meta, formalizei uma queixa eletrónica junto da Polícia Judiciária (Queixa nº 2025/2623), reportando o acesso ilegítimo e a tentativa de extorsão. Notifiquei o invasor sobre esta queixa, ao que ele respondeu com total impunidade, afirmando que reside num país diferente, utiliza endereços IP falsos e que, se eu não pagasse, venderia a conta a terceiros ou apagaria o conteúdo permanentemente. É inadmissível que uma empresa com a dimensão da Meta permita que um utilizador legítimo, com uma conta verificada e profissional, seja despojado do seu trabalho por um indivíduo que utiliza abertamente a plataforma para cometer crimes, sem que haja um mecanismo de intervenção humana capaz de analisar a evidência documental que apresento. A minha situação é de desespero profissional. O projeto "Portugal Antigamente" não é apenas uma conta de rede social; é um arquivo digital de valor histórico, um canal de comunicação com centenas de milhares de pessoas e o sustento do meu trabalho como autor. A inação do Instagram está a validar a estratégia do criminoso, empurrando-me para uma situação onde a única solução parece ser o pagamento de um resgate, algo que me recuso terminantemente a fazer por princípios éticos e legais. Sinto-me completamente desprotegido por um serviço que, apesar de lucrar com o conteúdo que os criadores geram, não oferece o mínimo de segurança ou de apoio quando estes são vítimas de redes de cibercrime. Pelo exposto, recorro à DECO para que, através dos vossos canais de resolução de litígios, obriguem a Meta Platforms a realizar uma análise humana e técnica deste caso. Exijo a reversão imediata dos dados de acesso para o meu e-mail original (gfffarlens10@gmail.com) e a remoção dos bloqueios de autenticação impostos pelo invasor. A prova da invasão está nos próprios registos internos da Meta, que enviou os alertas de alteração de dados no dia 3 de setembro. Não aceito que uma falha tecnológica ou a rigidez de algoritmos de suporte permitam a destruição de um património cultural e profissional construído com rigor ao longo de anos.Aguardo com urgência a vossa orientação sobre os próximos passos a tomar, estando disponível para fornecer qualquer documentação adicional necessária para instruir este processo.Com os melhores cumprimentos,
Gonçalo Drummond Girão Peralta Farlens