Sou um particular, sem experiência em construção ou remodelações. Em 2025, depois de um processo de partilha de herança em que fiquei com três apartamentos em Almada, preenchi um pedido no website da Aqui a Tua Remodelação para a sua remodelação integral.
Não procurei nem escolhi o empreiteiro (Four Baruck - Aqui a Tua Remodelação Almada). Foi a Aqui a Tua Remodelação que me atribuiu este operador, apresentando-o como integrado numa rede de profissionais credenciados.
Confiei na marca e nas promessas que transmitia aos consumidores: seleção de profissionais qualificados, auditoria dos operadores, acompanhamento das obras, controlo de qualidade, cumprimento de prazos, garantia dos trabalhos, mediação de conflitos e nomeação de peritos em caso de divergência.
Foi por causa destas promessas que contratei. Enquanto consumidor, não me foi apresentada uma empresa independente que, por coincidência, utilizava a mesma imagem. Foi-me indicado um operador da rede Aqui a Tua Remodelação, escolhido pela marca e a atuar sob a sua identidade comercial.
A contraparte do contrato foi identificada como “Four Baruck, Unipessoal Lda. (Aqui a Tua Remodelação – Almada)”. A marca constava do orçamento, do cronograma financeiro, da documentação publicitária anexa, do aviso de obra no prédio, dos endereços de email utilizados pelo operador e da App disponibilizada.
Para mim, enquanto consumidor, contratei a Aqui a Tua Remodelação - Almada e confiei na estrutura, fiscalização e segurança anunciadas.
O que deveria ter sido uma remodelação de sonho tornou-se um verdadeiro pesadelo.
A obra deveria ter sido concluída a 18 março 2026. Foi posteriormente indicada, de forma unilateral pelo empreiteiro, a data de 5 maio, também incumprida. Em 1 junho a obra foi abandonada e os três apartamentos ficaram inacabados, sem condições de utilização e com defeitos graves, apesar de já ter pago cerca de 90% do valor contratado.
Não estamos apenas perante pequenos acabamentos por concluir. Os vãos ficaram abertos com os apartamentos expostos aos elementos, carpintaria por fazer, wcs e cozinhas por terminar, etc. Entre os defeitos construtivos já identificados encontram-se pavimentos desnivelados, caixilharias com dimensões erradas, vidros partidos, tetos tortos, portas de entrada demasiado grandes que obrigaram a cortar as paredes atrás, paredes de esferovite pintado, fios elétricos todos da mesma cor, drenagens dos AC sem ligação às redes de drenagem, deficiências na drenagem do termoacumulador (e inexistência dos termoacumuladores), armários de cozinha desalinhados e ausência de caixa ITED, entre outros.
Depois de pagar quase toda a obra, fiquei com três apartamentos que não posso utilizar e perspetivas de custos entre 50.000 e 90.000 euros + IVA para corrigir os defeitos e concluir a remodelação, de acordo com os elementos já recolhidos junto de diferentes empreiteiros e especialistas, sem prejuízo da quantificação definitiva pelo relatório pericial.
Tudo isto numa obra em que faltaria pagar menos de 7.000 euros já com IVA.
Durante meses pedi ajuda à Aqui a Tua Remodelação. Contactei repetidamente a marca por email, telefone e presencialmente, desde dezembro 2025. Mais tarde, a marca foi também formalmente interpelada pelo meu advogado.
Reportei atrasos, exigências de pagamentos que não correspondiam ao avanço real da obra, deficiências de execução e, finalmente, a interrupção e abandono dos trabalhos.
Após o abandono da obra e por razões de segurança das frações, fui aconselhado a substituir as fechaduras, o que fiz. Tanto o empreiteiro como a Aqui a Tua Remodelação receberam formalmente informação clara relativa à forma de aceder aos apartamentos depois dessa mudança.
A marca sabia, portanto, como aceder às frações e teve ampla oportunidade para combinar uma visita, verificar diretamente o estado em que os apartamentos tinham sido deixados e acompanhar qualquer diligência necessária.
Entre o abandono da obra, em 1 junho, e a declaração de incumprimento definitivo, em 2 julho, apesar das diversas comunicações informais e formais enviadas (1 junho, 2 junho, 5 junho, 8 junho, 12 junho, 2 julho), a Aqui a Tua Remodelação não manifestou interesse em visitar os apartamentos.
Não pediu acesso. Não promoveu uma vistoria. Não realizou uma auditoria técnica. Não apresentou qualquer relatório de controlo de qualidade. Não nomeou os peritos anunciados. Não acionou o mecanismo de mediação previsto. Não convocou uma reunião. Não apresentou um plano para concluir e corrigir os trabalhos.
Em 23 julho realizou-se uma vistoria técnica independente, conduzida por perito avaliador certificado pela CMVM, contratado e pago por mim. O empreiteiro e a Aqui a Tua Remodelação foram informados e convidados a comparecer.
O empreiteiro fez-se finalmente representar. A Aqui a Tua Remodelação (sede) optou por não comparecer, apesar de ter tido mais uma oportunidade para observar diretamente o estado das obras, acompanhar a avaliação técnica e pronunciar-se sobre os problemas identificados.
Em vez de acionar as garantias com que captou a minha confiança enquanto consumidor, a marca invocou a autonomia jurídica da Four Baruck (Aqui a Tua Remodelação - Almada) e apresentou a situação como um problema entre mim e o empreiteiro.
Essa posição foi posteriormente confirmada de forma expressa. Em resposta formal de 6 agosto, a Aqui a Tua Remodelação voltou a sustentar que a Four Baruck é uma sociedade jurídica autónoma e recusou assumir qualquer responsabilidade pela conclusão ou retificação das obras, bem como pelos respetivos custos ou prejuízos.
A rede esteve presente para captar o cliente, selecionar e apresentar o operador, emprestar-lhe a sua marca e transmitir garantias de acompanhamento, auditoria e qualidade; mas, quando essas garantias foram efetivamente necessárias, declarou-se alheia às consequências da atuação do operador que integrou e apresentou ao consumidor.
Se os operadores eram efetivamente selecionados, qualificados e auditados, não se compreende como foi possível que o operador que a marca me atribuiu recebesse cerca de 90% do preço, incumprisse sucessivamente os prazos, executasse trabalhos com defeitos desta gravidade e abandonasse os apartamentos sem os concluir.
Se esses mecanismos não funcionavam ou não eram efetivamente aplicados, então a imagem de segurança, acompanhamento e qualidade transmitida pela publicidade da marca não correspondeu à proteção que o consumidor encontrou quando dela precisou.
Considero ainda especialmente grave que, numa comunicação de 4 julho, a Aqui a Tua Remodelação tenha afirmado que, caso eu continuasse a publicar comentários nas redes sociais sobre a minha experiência, deixaria de ter disponibilidade para prosseguir a resolução do processo.
A aplicação das garantias anunciadas, a mediação e a tentativa de resolver os danos não são favores que possam ficar dependentes do silêncio do consumidor.
Tudo o que aqui relato está documentado através do contrato, orçamento, cronograma, elementos publicitários, emails, mensagens, interpelações formais, fotografias, vídeos e elementos técnicos. Não faço acusações abstratas: relato factos concretos da experiência que vivi e condutas que consigo documentar.
Exijo que a Aqui a Tua Remodelação assuma a responsabilidade pela situação criada no âmbito da sua rede e apresente uma solução concreta, que assegure, a suas expensas, a conclusão integral das obras e a correção de todos os defeitos existentes, com indicação de prazos concretos.
Confiei numa marca que prometia proteger o consumidor precisamente deste tipo de situação. Quando mais precisei dessa proteção, fiquei sozinho com três apartamentos inacabados e gravemente defeituosos, cerca de 90% da obra paga e um prejuízo enorme.
A minha experiência com a Aqui a Tua Remodelação é, por tudo isto, extremamente negativa.
Deixo este relato para que outros consumidores possam conhecer a minha experiência antes de tomarem uma decisão de contratação.