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Atendimento na Urgência do Hospital São Francisco Xavier em 19/09/2026 | Calculo Obstrutivo

Não resolvida Pública

Hospital São Francisco Xavier

Reclamar

Problema identificado:

Outro

Reclamação

M. T.

Para: Hospital São Francisco Xavier

24/09/2026

Assunto: Reclamação relativa a episódio de urgência por cálculo ureteral obstrutivo Exmos. Senhores, Venho apresentar uma reclamação formal relativamente ao atendimento que me foi prestado no Hospital São Francisco Xavier, na sequência de um episódio de cólica renal esquerda intensa, com um cálculo ureteral obstrutivo. Dei entrada na urgência com dor lombar intensa do lado esquerdo, dificuldade em urinar, dor irradiada para a perna e para o testículo, náuseas e vómitos. Após avaliação médica, foi-me transmitido pelo médico da urgência que existia um cálculo obstrutivo no ureter esquerdo, associado a dilatação do rim, e que, perante aquela situação, poderia ser necessária uma intervenção para desobstrução. Posteriormente, houve mudança da equipa médica. Segundo me foi transmitido, a equipa de Urologia de Santa Maria foi contactada e a orientação que chegou à urgência foi de que eu poderia ter alta, fazer medicação e ingerir muitos líquidos, aguardando que o cálculo saísse espontaneamente. É precisamente esta decisão que considero necessário que seja esclarecida. Tenho um histórico de litíase renal recorrente, com episódios anteriores registados no meu processo clínico, e sei que os meus cálculos são de oxalato de cálcio. Mais importante ainda, naquele momento já existia informação objetiva de que o cálculo estava obstrutivo e associado a dilatação do rim. Apesar disso, fui enviado para casa com a indicação de aguardar a expulsão espontânea do cálculo. O que aconteceu posteriormente veio aumentar significativamente a minha preocupação. Fui entretanto avaliado e intervencionado por uma equipa de Urologia no setor privado. Durante a intervenção, verificou-se que os cálculos estavam impactados no ureter, encontrando-se fortemente aderentes/encostados à parede ureteral e rodeados por inflamação. O cirurgião decidiu não forçar a utilização do laser, precisamente porque insistir poderia provocar uma lesão ou até perfuração do ureter. Perante essa situação, foi colocado um stent ureteral, com o objetivo de proteger o ureter e assegurar a drenagem, ficando os cálculos por resolver neste momento e sujeitos a posterior acompanhamento urológico. É impossível para mim não questionar se a evolução desta situação poderia ter sido diferente caso, no primeiro episódio de urgência, que eu tive o cuidado de vos procurar dando prioridade ao meu SNS do qual pago os meus impostos e cumpro com as minhas obrigações, tivesse sido adotada uma abordagem urológica mais precoce. Não afirmo que a evolução posterior tenha sido necessariamente causada pela decisão tomada no São Francisco Xavier, porque não tenho competência médica para estabelecer essa relação. Contudo, considero legítimo e necessário perguntar se a manutenção de uma obstrução durante vários dias, associada à recomendação de ingestão abundante de líquidos, poderá ter contribuído para o agravamento da inflamação e para a impactação dos cálculos que posteriormente foi encontrada durante a cirurgia. O que me causa particular indignação é que procurei o Serviço Nacional de Saúde precisamente quando mais precisava de cuidados médicos. Eu não estava perante uma dor ligeira ou um episódio banal: apresentava uma cólica renal intensa, vómitos, dificuldade em urinar e um cálculo que, segundo o próprio médico que me avaliou inicialmente, estava a provocar obstrução e dilatação do rim. Não compreendo, por isso, como perante este quadro clínico e tendo em consideração o meu historial, a decisão final tenha sido simplesmente enviar-me para casa, com medicação e indicação para beber muitos líquidos e esperar. Solicito, por isso, esclarecimento formal sobre: 1. Qual foi o diagnóstico concreto estabelecido no episódio de urgência, incluindo a localização e dimensão do cálculo e o grau de obstrução/dilatação renal identificado. 2. Qual foi a indicação do médico que inicialmente me avaliou e por que motivo foi posteriormente alterada. 3. Qual foi a orientação transmitida pela equipa de Urologia de Santa Maria e em que elementos clínicos se baseou a decisão de não proceder a intervenção ou avaliação urológica presencial. 4. Se o meu histórico clínico de litíase renal recorrente e de cálculos de oxalato de cálcio foi efetivamente consultado e considerado na tomada de decisão. 5. Se foi considerada a possibilidade de o cálculo estar impactado, atendendo à obstrução e à sua localização. 6. Se, perante uma obstrução com dilatação renal, era clinicamente adequado recomendar ingestão abundante de líquidos enquanto se aguardava uma eventual expulsão espontânea. 7. Se, à luz da evolução posterior e dos achados encontrados durante a intervenção urológica, consideram que a orientação dada na urgência foi a mais adequada. 8. Solicito ainda acesso aos registos clínicos relativos a este episódio, incluindo as avaliações médicas, exames realizados, e por fim a análise à urina que me pediram dando-me "ALTA" sem sequer haver uma observação adequada, orientações da equipa de Urologia e respetivos registos no processo clínico. Não apresento esta reclamação por considerar que todos os profissionais envolvidos tenham atuado de má-fé. Sei que a decisão médica pode ser complexa e que existem diferentes abordagens clínicas. Apresento-a porque preciso de compreender o que aconteceu. Durante vários dias vivi com dores intensas, sem conseguir dormir normalmente e sem saber se estava a colocar o meu rim em risco. Procurei ajuda no hospital público por confiar no Serviço Nacional de Saúde e por acreditar que o meu histórico clínico seria devidamente considerado. Hoje, depois de ter sido intervencionado e de me ter sido colocado um stent porque os cálculos se encontravam impactados e não podiam ser tratados de forma segura sem risco de lesão do ureter, não consigo simplesmente aceitar o episódio sem pedir explicações. Espero, por isso, uma resposta formal, fundamentada e esclarecedora sobre o atendimento prestado e sobre as decisões clínicas tomadas naquele episódio. Com os melhores cumprimentos, Miguel Tomé

Mensagens (1)

M. T.

Para: Hospital São Francisco Xavier

24/09/2026

Note-se que dei entrada no Hospital dos Lusíadas nas "URGÊNCIAS" na Segunda Feira às 11h novamente com os mesmos sintomas e fui submetido a intervenção cirúrgica após contato com o meu médico que avaliou a situação e procedeu ao internamento com urgência, e veio se a perceber que o problema seria muito maior devido à concentração de pedras impactadas naquele local.

Assistência solicitada 24 setembro 2026

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