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Situação financeira dos portugueses agrava-se: despesas essenciais mais difíceis de pagar

As despesas com educação, mobilidade e saúde foram as que mais se agravaram no orçamento das famílias em 2025. A situação financeira dos portugueses, no geral, piorou. Conheça as conclusões do Barómetro da DECO PROteste.

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13 março 2026
Casal com ar preocupado vê as suas contas e o computador

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A situação financeira dos portugueses piorou em 2025. A queda da inflação e das taxas de juro do crédito à habitação não foi suficiente para aliviar o orçamento das famílias. Nem mesmo o aumento dos salários da função pública e das pensões contribuiu para a melhoria da capacidade financeira, como comprova o inquérito anual da DECO PROteste.

No geral, as despesas essenciais agravaram-se, em especial as relacionadas com educação, mobilidade e saúde. Quase metade (46%) dos perto de 5600 agregados que, em 2025, participaram no inquérito revelaram ter dificuldades em pagar as despesas com a habitação.

Conheça as conclusões em detalhe do Barómetro DECO PROteste.

Como está a situação financeira dos portugueses?

Cerca de quatro em dez famílias revelam dificuldades em pagar despesas de saúde, alimentação, mobilidade, lazer/tempos livres e educação. Em situação de sufoco financeiro estão, agora, mais portugueses: 17% contra 11%, em 2024, o maior valor desde que a DECO PROteste começou a fazer este estudo, em 2018.

No ano passado, verificou-se um aumento generalizado das dificuldades em pagar todas as despesas. Os gastos com o automóvel são as mais referidas pelas famílias portuguesas como sendo problemáticas (51 por cento). Pagar as férias grandes representa um grande desafio para 50% dos agregados. As despesas com a saúde oral (46%), com as próteses de visão/audição (42%) e com compra de carne, peixe ou alternativas vegetarianas (40%) fecham o top 5 das mais difíceis de suportar.

O aumento generalizado dos gastos contribuiu para a descida do índice da DECO PROteste, que avalia a capacidade financeira das famílias portuguesas. Nunca foi tão baixo, em oito anos de Barómetro DECO PROteste: 41,6, numa escala de 0 a 100, contra 46,2, em 2024.

Além de apresentar o índice mais baixo entre os quatro países que participaram no estudo, Portugal foi o único a regredir. A Bélgica regista a maior subida (de 55,2 para 56,4), enquanto Itália e Espanha melhoraram ligeiramente. 

Regiões de Portugal com mais dificuldades 

O índice desceu significativamente em todas as regiões de Portugal, em particular nos Açores, onde baixou de 46,4 para 38,4. O arquipélago tornou-se, também, a região do País onde há, proporcionalmente, mais famílias em situação crítica (31 por cento).

Também no Algarve a situação se agravou ao cair de 47,9 para 40,3, com 22% dos agregados familiares a viverem, agora, em condições financeiras muito complicadas. O sul de Portugal deixou, assim, o lugar cimeiro que ocupava em 2024, sendo o Norte a zona onde, atualmente, se vive melhor.

Ao nível dos distritos, à exceção de Castelo Branco, o índice desceu em todos face a 2024. Em Beja, a queda foi superior a 9 pontos, mas a Guarda é o distrito do Continente onde se encontra a maior percentagem de famílias em dificuldade financeira (24 por cento).  

Evolução nos últimos oito anos 

Se, por um lado, as famílias em situação de aperto financeiro aumentaram, por outro, as que conseguem pagar as suas despesas básicas sem dificuldade também atingiram o maior número de sempre (36%), o que revela que as desigualdades têm vindo a acentuar-se e a classe média portuguesa está agora mais enfraquecida.

Por tipologia, são os agregados monoparentais que apresentam mais dificuldades (31 por cento). Cerca de um quinto das famílias numerosas (18%) também revela grande aperto financeiro.

O que é o Barómetro DECO PROteste?

O Barómetro DECO PROteste avalia, anualmente, a capacidade das famílias portuguesas de pagarem as suas despesas básicas em seis áreas distintas:

  • alimentação;
  • educação;
  • habitação;
  • lazer e tempos livres;
  • mobilidade;
  • saúde

O objetivo é perceber até que ponto o orçamento das famílias portuguesas é suficiente para suportar gastos essenciais do seu dia-a-dia.

Como foi feito o estudo?

Para a recolha dos dados, foi enviado um questionário em papel e online a uma amostra da população portuguesa. O trabalho de campo decorreu entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. No total, foram recebidas 5546 respostas válidas para análise. Os resultados foram ajustados à realidade demográfica portuguesa (segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística), por género, idade (25-79 anos), região e habilitações literárias.

O índice varia entre 0 e 100. Quanto mais alto o índice, maior é a capacidade de pagar despesas essenciais.

Como se classificam as famílias?

O estudo agrupa os agregados familiares em três níveis:

  • Sufoco financeiro: não conseguem pagar ou têm grande dificuldade em pagar todas as despesas essenciais;
  • Dificuldades financeiras: conseguem pagar algumas despesas, mas com pressão no orçamento;
  • Zona de conforto: conseguem pagar facilmente todas as despesas do dia-a-dia.

Em resumo, este barómetro é um indicador fiável da saúde financeira das famílias portuguesas.

 

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