Cápsulas de café reutilizáveis são pouco práticas
As cápsulas reutilizáveis são uma opção mais amiga do ambiente, mas não são compatíveis com todas as máquinas. Conheça as soluções à venda.
As cápsulas de café são, inegavelmente, uma conveniência dos tempos modernos. Mas têm um lado sombrio. A esmagadora maioria acaba em aterros sanitários, solução última para o tratamento de resíduos.
Felizmente, algumas empresas que as comercializam estão cientes de que a reciclagem é a única forma de os materiais voltarem ao ciclo produtivo e evitar a extração de novos recursos naturais.
A Nespresso foi pioneira na criação de um sistema de reciclagem, que envolve vários parceiros para as diferentes fases do processo, desde a recolha à transformação do alumínio em objetos do dia-a-dia. O programa Recycling@Home, em curso em Portugal desde 2017, consiste em oferecer aos clientes sacos próprios, para guardar as cápsulas e entregá-las nos pontos de recolha, tendo contribuído, nos últimos dois anos, para que a taxa de reciclagem duplicasse.
Na Dolce Gusto, também da Nestlé, o processo de reciclagem é similar ao da Nespresso. Desde 2010, já recolheu, de acordo com o site da marca, 50 toneladas de cápsulas, destinando a parte plástica à construção de mobiliário urbano. As águas resultantes do processo de separação dos materiais são tratadas e posteriormente utilizadas para lavagem e irrigação.
Quanto à Delta Cafés, implementou o programa ReciQla em 2009, dois anos após lançar as primeiras cápsulas Delta Q. Tem pontos de recolha na lojas de Lisboa e Porto, departamentos comerciais e eventos em que a marca de Campo Maior está presente. Aquelas são depois processadas nas unidades fabris especializadas do grupo Nabeiro.
Para outras marcas de cápsulas, procure a informação nos seus sites. Se nada referirem, verifique os locais no site WasteApp.
Cápsulas biodegradáveis
Algumas marcas estão a desenvolver soluções biodegradáveis, como é o caso da Bogani, que lançou uma gama de cápsulas compatíveis com a Nespresso, biodegradáveis e compostáveis em ambiente industrial. Segundo a marca, estas cápsulas, que têm validade de 18 meses, são feitas a partir de uma gama de polímeros biodegradáveis e seladas hermeticamente com uma película de papel.
A Delta também pretende lançar ainda este ano uma cápsula constituída exclusivamente a partir de matérias orgânicas, como cana-de-açúcar, mandioca e milho.
A Bicafé, que não dispõe de recolha seletiva e vende cápsulas compatíveis com as máquinas Delta Q e Dolce Gusto, prevê disponibilizar apenas versões biodegradáveis a partir de 2022.
As cápsulas reutilizáveis são solução?
Segundo os testes que temos feito às soluções disponíveis no mercado, as conclusões não são animadoras. Embora seja possível usar qualquer marca de café, as cápsulas reutilizáveis não são compatíveis com todas as máquinas. O processo de encher a cápsula não é complicado, mas nem sempre é fácil acertar na quantidade de café ou fazer a pressão adequada. O mais provável até é ficar com café espalhado pela bancada da cozinha.
Outro senão: para fazer mais do que um café, é preciso aguardar que a cápsula arrefeça, o que chega a demorar dez minutos, sobretudo se for de metal. Tempo precioso se tiver um jantar de seis pessoas em casa. No que respeita à qualidade do café, o sabor não persiste na boca.
A cor, a consistência e a duração do creme também merecem nota negativa. O que não é bom, tendo em conta que essas são das principais razões por que os consumidores apreciam tanto o café expresso. Os apreciadores de café poderão não achar esta solução a ideal.
Dadas as preocupações ambientais, o futuro das cápsulas permanece em aberto. É urgente que aumentem os sistemas de recolha, ou que se garanta a separação e a reciclagem a partir do ecoponto amarelo. Há outras soluções mais amigas do ambiente e baratas.
Se, mesmo assim, não abdica do ritual de pegar na cápsula e de a colocar na máquina, lembre-se: da próxima vez não a atire para o lixo. Entregue-a num local de recolha para cápsulas de café.
O nosso veredicto sobre as cápsulas reutilizáveis no mercado
Mais amigas do ambiente, as cápsulas reutilizáveis têm alguns inconvenientes e nem sempre dão um bom café.
Waycap
As cápsulas são robustas e fáceis de encher. A tampa de silicone parece resistente e é fácil de tirar depois de cada utilização. Quanto ao café, apresenta creme uniforme, com alguma consistência. O aroma é intenso e complexo, persistindo o sabor na boca.
Como pontos fracos, se a cápsula não for colocada na posição correta, não funciona. É também preciso cuidado ao extraí-lo, pois fica muito quente.
SEALPOD DGPod Standard Pack
Fácil de utilizar, com indicação para encher até à marca na cápsula. A colher tem o tamanho perfeito para pressionar o café. Quanto a este, apresenta uma cor uniforme, com bom aroma e odor.
Como pontos fracos, o creme é algo descolorido, pouco consistente e duradouro. A colher de plástico poderia ser mais sólida. A cápsula fica demasiado quente após o uso.
SEALPOD DGPod Starter Pack

A cápsula é robusta e fácil de encher, tendo a colher o tamanho ideal para pressionar o café. Os materiais são fáceis de limpar.
O creme e a consistência do café são pontos fracos. É preciso alguma atenção durante a limpeza para não perder o filtro. A cápsula fica muito quente depois de utilizada.
Waycap Cápsulas Reutilizáveis

É muito fácil de encaixar na máquina. O dispensador ajuda a encher a cápsula, embora suje um pouco.
Um dos piores modelos quanto à cor, consistência e persistência do creme. Nalguns casos, o café é muito aguado. A cápsula fica muito quente depois de utilizada, sendo necessário esperar para tirar o café seguinte. O resultado final é medíocre.
Scanpart Coffeeduck

É fácil de encher e de fechar a tampa, por esta estar agarrada. Funciona em qualquer posição.
O plástico da cápsula poderia ser mais resistente. Não é fácil limpar, e a borra tende a ficar presa na tampa, sendo necessária uma escova de limpeza para removê-la completamente. Quanto ao café, é mau em todos os aspetos.
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