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Poupe eletricidade com um sistema fotovoltaico

Permite reduzir a fatura mensal da eletricidade, mas, para ser rentável, o sistema fotovoltaico tem de estar bem dimensionado. Use o simulador para estimar o número de painéis solares necessários.

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17 julho 2024
Vários painéis fotovoltaicos no telhado de uma casa

iStock

O elevado custo da eletricidade leva muitos consumidores a quererem investir num sistema fotovoltaico, para produzirem parte da energia que consomem e, assim, baixarem a fatura mensal. É certo que a instalação destes sistemas é mais simples para quem vive numa moradia, mas também pode ser opção em apartamentos. Outra solução passa por convencer o condomínio a investir num sistema que alimente as várias frações.

Mas, antes de avançar, são precisos cuidados na definição e no dimensionamento do sistema. Só assim se consegue garantir que é eficiente e rentável, e que a produção se adequa às necessidades da casa, para não desperdiçar energia. A DECO PROteste fez as contas para a instalação de um sistema fotovoltaico ajustado ao perfil de consumo de um casal que vive numa moradia de um piso e quatro assoalhadas, na zona do Porto, e verificou que é possível poupar 376 euros anuais na fatura da eletricidade.

Quantos painéis precisa em sua casa?

A importância do inversor

O primeiro passo a dar por quem quer investir num sistema fotovoltaico passa por identificar o perfil de consumo. Para obter a informação de forma simples, recorra às faturas da eletricidade. Subtraia à leitura real mais recente a registada no mesmo mês, mas do ano anterior: obtém uma estimativa do consumo anual. Contudo, terá de perceber como aquele é distribuído ao longo do dia, dado que o sistema só irá produzir energia enquanto houver sol. Se já tiver contador inteligente, o consumo nas horas de sol pode ser obtido através do site da E-Redes. Em alternativa, registe a leitura do contador às 8h e às 18h, todos os dias, durante duas semanas, incluindo o fim de semana. Após calcular o valor médio diário, multiplique-o por 365, para obter o consumo anual em horas de sol. Poderá ainda utilizar o simulador da DECO PROteste para estimar o número de painéis solares necessários. A ligação à rede elétrica tem de ser mantida, para garantir energia nos períodos sem sol, naqueles em que o consumo é superior à produção do sistema ou em caso de avaria de algum componente.

Encontrado o consumo de eletricidade nas horas de sol, avança-se para a definição da melhor solução. Dos vários componentes de um sistema solar fotovoltaico, destacam-se os painéis e o inversor (ou microinversor). Os primeiros incluem células fotovoltaicas que captam a energia solar e a convertem em corrente elétrica. Por sua vez, o inversor (ou microinversor) transforma a eletricidade produzida, de modo a ser consumida pelos equipamentos instalados em casa. É a potência deste que determina a capacidade de produção do sistema. Tem ainda a capacidade de monitorizar a produção solar, para permitir tanto o autoconsumo como a injeção do excesso de eletricidade na rede pública. Os microinversores, apesar de terem menor capacidade, por serem instalados junto aos painéis, têm a vantagem de monitorizar individualmente a produção destes, sendo mais fácil detetar avarias ou quebras na produção. É ainda essencial que o painel e o inversor ou microinversor sejam compatíveis.

Peça vários orçamentos

Antes de investir no sistema fotovoltaico, o técnico tem de visitar o local, a fim de verificar a área disponível para os painéis e as suas características (orientação e inclinação) e a instalação elétrica da habitação. Deve ainda garantir que não existem fatores que possam afetar a produção, como sombreamentos indesejados. O técnico tem ainda de analisar o perfil de consumo do agregado, para apresentar a solução mais adequada. Cada caso é um caso, e o que serviu para um conhecido pode não ser o melhor para si: os consumos diferem entre lares, e não é o montante final da fatura que ajuda a caracterizá-los.

Quando não há certeza do perfil de consumo, o melhor é começar por um sistema menor — à partida, mais barato e mais rápido na recuperação do investimento inicial — e monitorizar o consumo durante um período mínimo de seis meses. Existem dispositivos das marcas dos microinversores, que permitem monitorizar o consumo de energia, sendo que alguns deles apresentam já aplicações móveis que facilitam a monitorização da eletricidade produzida. Recomenda-se a sua instalação. Aliás, algumas marcas aumentam o prazo de garantia do sistema, quando aqueles são a opção. Se concluir que o sistema está subdimensionado, há sempre possibilidade de acrescentar outro conjunto, que dê resposta às necessidades da família.

Contacte várias empresas, para ter diferentes orçamentos, e use o comparador de propostas da DECO PROteste, para saber qual é a mais vantajosa. Decidido o sistema, caso precise de ajuda na compra, pode recorrer a um crédito específico para energias renováveis. Este produto tem condições mais vantajosas do que o crédito pessoal sem finalidade. A principal é a taxa de juro. Embora todos os créditos ao consumo pratiquem as taxas máximas definidas pelo Banco de Portugal, quando a finalidade é o investimento em renováveis, a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) é bastante inferior. Como se trata de um empréstimo com condições especiais e custos mais baixos, é necessário comprovar o verdadeiro destino dos fundos através de uma fatura ou de um orçamento discriminado.

Poupar mais de 300 euros com um sistema fotovoltaico

Para perceber a poupança que se pode conseguir e a importância da escolha do microinversor, a DECO PROteste usou o exemplo de uma moradia, de um piso e quatro assoalhadas, na zona do Porto, renovada em 2005 e com um nível baixo de isolamento térmico. Todos os equipamentos existentes são elétricos e já com alguns anos. Na casa vive um casal que se encontra em teletrabalho e que gasta 4845 kWh anuais de eletricidade. Tal implica uma despesa anual de 969 euros e 1744 kg de emissões de dióxido de carbono (CO2). Foi estimado que, durante o ano, o consumo em períodos com luz solar era de 2100 kWh. Para fazer face a este gasto, concluiu-se que são necessários quatro painéis.

Sistema solar fotovoltaico Potência instalada (watts) Custo total (euros) Produção anual do sistema (kWh) Custo anual de energia (euros) Poupança anual (euros) Retorno do investimento Emissões (kg de CO2 ao ano)
4 painéis + 2 microinversores 1760 1938 2684 593 376 5 1068
4 painéis + 1 microinversor 1400 1848 2570 609 360 5 1097
4 painéis + 4 microinversores 1160 2246 2570 609 360 6 1097

A DECO PROteste estimou os custos e as poupanças de três soluções, fazendo apenas variar a quantidade de inversores: um para cada painel, dois para os quatro e um para todos. Considerou-se ainda que 70% da energia produzida é consumida e os restantes 30% são injetados gratuitamente na rede. Quanto aos custos do sistema, os valores referem-se só aos painéis e inversores, ou seja, não incluem instalação, fixações e outros dispositivos.

No exemplo, a solução mais rentável é a instalação de quatro painéis com dois microinversores. Embora não seja a opção mais barata, é a que garante maior produção e aproveitamento de eletricidade, o que permite reduzir a dependência da rede elétrica pública e das emissões de CO2. Se o casal começar a trabalhar fora de casa e o consumo diário diminuir, haverá um elevado excedente de energia, que será injetado na rede. Existe a possibilidade de vender este extra, mas os preços praticados são baixos e, embora atenuem o período de retorno de investimento, não o farão de forma significativa.


 

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