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Adoçantes são solução para quem quer reduzir calorias

Do refrigerante “zero” ao iogurte “light”, o que deve saber antes de substituir o açúcar por edulcorantes? Conheça a avaliação da DECO PROteste aos edulcorantes, que não são uma solução milagrosa para perder peso, nem garantem melhor saúde.

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09 fevereiro 2026
adoçantes e edulcorantes numa bancada cinzenta

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Refrigerantes “zero”, iogurtes “sem açúcar”, bolachas “light”, café com adoçante. Estes termos já fazem parte do léxico e da rotina de muitos consumidores, que querem reduzir calorias. O açúcar sai de cena e entram os edulcorantes, como um pequeno gesto de virtude alimentar. Mas será que esta troca é tão benéfica quanto parece? Substituir o açúcar por outros adoçantes é, de facto, uma escolha mais saudável? A resposta tem muitas nuances. Entre benefícios reconhecidos, dúvidas levantadas pela ciência e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), fique a par do que realmente se sabe sobre os edulcorantes e saiba como usá-los bem.

O que são os edulcorantes?

Quando consumido em excesso, o açúcar está associado a vários problemas de saúde, como cáries dentárias, aumento de peso e maior risco de doenças metabólicas, incluindo a diabetes tipo 2. Para responder a estas preocupações, a indústria alimentar desenvolveu aditivos que substituem o açúcar clássico (sacarose), tanto em produtos processados, como refrigerantes, néctares, pastilhas elásticas, bolos, bolachas, compotas doces e geleias, como através dos edulcorantes de mesa, para adoçar café ou chá.

Alguns destes adoçantes foram acusados de provocar crises de epilepsia, esclerose múltipla ou vários tipos de cancro, por exemplo. Porém, sabe-se que, se forem consumidos regradamente, não representam perigo e podem ser úteis para diabéticos. Mas os edulcorantes não são todos iguais. Vejamos o que distingue os dois grandes grupos em que estão divididos.

Polióis: libertação lenta de açúcar no sangue, mas calóricos

Os polióis (ou açúcares reduzidos), como o sorbitol, xilitol, maltitol ou eritritol, derivam dos açúcares tradicionais e existem naturalmente em vários frutos e vegetais. Entre as suas características estão:

  • um poder adoçante igual ou inferior ao do açúcar, mas um conteúdo calórico semelhante;
  • baixo índice glicémico, sendo por isso indicados para diabéticos;
  • darem uma sensação de frescura na boca (por isso, são frequentemente usados em pastilhas elásticas e rebuçados);
  • ajudarem na prevenção das cáries dentárias.

Edulcorantes intensos: muito doces, quase sem calorias

Os edulcorantes intensos são assim designados porque têm um poder adoçante até 37 mil vezes superior ao do açúcar, dependendo da substância. Entre os mais conhecidos estão o acessulfame K, o aspartame, os ciclamatos, a sacarina, a sucralose e os glicosídeos de esteviol (stevia). Quais os seus atributos?

  • Podem ajudar na prevenção de cáries.
  • Não influenciam o nível de açúcar no sangue, pelo que são adequados para diabéticos.
  • Valor calórico quase nulo, sendo úteis para adicionar aos alimentos que se pretendem de baixo teor calórico.
  • A maioria resiste ao calor, pelo que pode ser usada em alimentos que precisam de ser cozinhados.

Verificar se aditivo é seguro

Edulcorantes autorizados: a avaliação DECO PROteste

Todos os edulcorantes autorizados passaram por avaliações de segurança, e a maioria tem doses diárias admissíveis definidas. 

O quadro abaixo apresenta os edulcorantes autorizados e os códigos com que, por vezes, aparecem identificados nos rótulos dos produtos alimentares. Há os que são pouco recomendáveis, porque, nalguns estudos científicos, se verificaram efeitos adversos considerados críticos.

Edulcorantes aprovados
Edulcorantes aprovados
Código Nome Poder adoçante face ao açúcar (n.º de vezes) Potencial alergénico Efeito laxativo em doses elevadas
Aditivos toleráveis
E 420 Sorbitol 0,6
E 421 Manitol 0,5
E 953 Isomalte 0,5
E 957 Taumatina 2000 a 3000
E 959 Neo-hesperidina DC 1000 a 1800
E 960 Glicosídeos de esteviol 40 a 300
E 961 Neotame 7000 a 13 000
E 964 Xarope de poliglicitol 0,2 a 0,5
E 965 Maltitóis 0,8
E 966 Lactitol 0,4
E 967 Xilitol 1
E 968 Eritritol 0,7
E 969 Advantame 20 000 a 37 000
Pouco recomendáveis
E 950 Acessulfame K 150 a 200
E 951 Aspartame 200
E 952 Ciclamatos 30 a 50
E 954 Sacarinas 300 a 500
E 955 Sucralose 600 a 800
E 962 Sal de aspartame e acessulfame 150 a 200

Edulcorantes que merecem cuidados

A maioria dos edulcorantes são vantajosos, mas alguns, se consumidos em excesso, podem ter inconvenientes.

Polióis

Quando consumidos em excesso, têm efeitos laxativos e podem provocar inchaço do abdómen, flatulência, dores de barriga e diarreia.

Os alimentos que contêm mais de 10% de polióis devem incluir no rótulo a advertência: “O seu consumo excessivo pode ter efeitos laxativos”. Os especialistas consideram que 20 gramas de polióis por dia, por norma, não provocam efeitos adversos. 

Aspartame

Pode provocar reações pseudoalérgicas em pessoas sensíveis, caracterizadas por edema, eritema periorbitário (inchaço e vermelhidão à volta dos olhos), náuseas, vómitos, dores abdominais e urticária. Nalguns casos pode haver também perturbações de visão e dores de cabeça do tipo da enxaqueca tiramínica.

Por conter fenilalanina (aminoácido), o aspartame não pode ser consumido por quem tem fenilcetonúria, uma doença genética rara caracterizada pela incapacidade de metabolizar aquele aminoácido. Por isso, a menção “Contém uma fonte de fenilalanina” ou “Contém aspartame (uma fonte de fenilalanina)” deve figurar nas embalagens.

Não deve ser aquecido, porque se degrada com o calor e perde o poder adoçante.

Estudos recentes têm abordado a relação entre o consumo de edulcorantes intensos e a alteração da flora intestinal, apontando para desequilíbrios metabólicos.

Ciclamatos

Há a possibilidade de os ciclamatos se converterem parcialmente em ciclo-hexilamina pela flora intestinal. Investigações em animais de laboratório revelaram que esta pode degradar o tecido testicular e o esperma, embora nenhum estudo tenha verificado tal efeito em humanos.

Sacarina

Na década de 1970, a ingestão de doses elevadas de sacarina foi relacionada com cancro da bexiga em animais. Desde então, os resultados não se confirmaram, tanto em animais como em humanos, embora continue sob vigilância científica.

Sucralose e acessulfame K

Estudos em animais levantam hipóteses de um aumento de consumo de glicose ao nível cerebral e do tecido adiposo por administração de mistura destes aditivos.

Adoçantes ajudam a emagrecer?

Aqui, a resposta é clara: não necessariamente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o uso de adoçantes não calóricos como estratégia para perder peso ou reduzir o risco de doenças não-transmissíveis. De acordo com esta organização, não há benefícios consistentes a longo prazo na redução da gordura corporal. Diz ainda que o uso prolongado pode estar associado a maior risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade em adultos.

A recomendação da OMS aplica-se a todas as pessoas, exceto às que já têm diabetes, e apenas deixa de fora os açúcares de baixas calorias e os polióis. Estão abrangidos os adoçantes não nutritivos sintéticos e naturais (edulcorantes intensos) que se encontram em alimentos e bebidas, bem como os vendidos separadamente como edulcorantes de mesa. 

Quando se substituem bebidas açucaradas por versões com adoçantes não calóricos, o número de calorias diminui, o que, em teoria, favoreceria a perda de peso a curto prazo – desde que não haja compensações alimentares, como comer mais noutra altura –, mas não garante sucesso duradouro. O comportamento alimentar, o apetite, a preferência pelos doces e outros fatores metabólicos ou psicológicos têm um papel relevante.

Adoçantes são úteis mas não garantem saúde

Os adoçantes não calóricos podem levar a uma redução calórica, se usados como substitutos do açúcar, mas não devem ser considerados uma ferramenta garantida para controlo de peso ou redução do risco de doenças não transmissíveis.

Perguntas ferquentes

Os alimentos com edulcorantes são mais saudáveis do que os que contêm açúcar?

Não necessariamente. Alguns produtos com edulcorantes não incluem açúcar, mas têm gordura no seu lugar, que fornece mais calorias e deve ser consumida com moderação.

Por que razão se deve reduzir a ingestão de açúcar?

Há evidências consistentes de que a ingestão frequente de alimentos e bebidas açucarados pode aumentar o risco de cáries dentárias e estar associada ao ganho de peso, entre outros, mas isso não implica eliminar completamente o açúcar da alimentação.

Quanto açúcar posso consumir por dia?

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) indica que não é possível definir um limite máximo ou um nível seguro para a ingestão de açúcares. Porém, recomenda um consumo tão baixo quanto possível, dentro de uma dieta nutricionalmente equilibrada. Já a OMS aconselha a manter o consumo de açúcares simples (incluindo os adicionados aos alimentos) abaixo de 10% da energia diária – 50 gramas, para uma pessoa que precise de 2000 quilocalorias. Mas salienta que os maiores benefícios se alcançam com menos de 5%, o que, para o perfil indicado, representa cerca de cinco pacotinhos de açúcar. Refira-se que uma única lata de refrigerante ultrapassar essa quantidade.

Os diabéticos não podem consumir açúcar?

Podem, desde que de forma controlada. No entanto, quem tem diabetes do tipo 1 deve mesmo evitar bebidas com muito açúcar, como certos refrigerantes. Os diabéticos do tipo 2 com excesso de peso também podem ter interesse em recorrer a edulcorantes pobres em calorias.

As crianças podem ingerir edulcorantes?

O uso de edulcorantes, sobretudo dos intensos, por crianças não é recomendado, pois a dose diária admissível pode ser facilmente ultrapassada e o hábito do sabor doce deve ser evitado desde cedo.

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