Serviço de televisão da Digi: a DECO PROteste já analisou e diz-lhe se vale a pena
A Digi está a agitar o mercado das telecomunicações, com preços mais baixos e períodos de fidelização mais curtos. A DECO PROteste analisou a usabilidade do serviço de televisão, que só pode ser subscrito com o módulo de internet fixa, e destaca os pontos fortes e os aspetos que ainda têm de melhorar.
Preços e ofertas em tudo semelhantes, temperados por períodos de fidelização asfixiantes, têm caracterizado o mercado das telecomunicações, dividido entre MEO, NOS e Vodafone durante anos. O advento da Digi, em finais de 2024, veio introduzir dinamismo num mercado acometido pela letargia concorrencial. O operador romeno trouxe preços bastante mais baixos e fidelizações limitadas a três meses.
Os três grandes foram rápidos na resposta, e mobilizaram as suas low-cost para se digladiarem na arena com a Digi. Nas marcas-mãe, pouco ou nada mudou. Mas a Amigo, a Uzo e a Woo, marcas respetivas da Vodafone, da MEO e da NOS, baixaram a fidelização para três meses na internet fixa, derrubaram para menos de 10 euros os tarifários móveis com 100 GB e, tal como a Digi, passaram a disponibilizar o serviço de televisão.
A DECO PROteste quis conhecer, então, o serviço de televisão da Digi, que inspirou a concorrência a seguir a tendência. O preço é vantajoso: 12 euros por mês, se combinado com a componente de internet fixa. Cai para 10 euros, se, a esta dupla, for somado um tarifário móvel ilimitado. Mas será que, a um preço baixo, corresponde uma qualidade igualmente reduzida? A organização de consumidores considerou razoável a experiência de utilização, identificando vários aspetos a melhorar.
Acesso com box ou com app? O consumidor é que sabe
A grande maioria dos serviços de televisão permitem o acesso mediante a instalação de uma caixa descodificadora. Nas novas marcas low-cost – LigaT e Digi –, basta instalar a app do serviço num aparelho compatível. A Digi tem uma solução muito versátil: o consumidor pode optar por usar a box fornecida ou pela instalação da app do serviço, num leitor multimédia ou numa smartTV. Pode ainda, por exemplo, usar a box no painel principal e recorrer à app para os restantes televisores que tenha em casa.
Nas instalações mais recentes, a caixa descodificadora entregue com o serviço da Digi é, na verdade, um leitor multimédia com sistema operativo Android TV ou Google TV. De início, a box disponibilizada era mais básica: por exemplo, não previa o acesso aos últimos sete dias de programação. Se tiver um dispositivo de primeira geração, o mais vantajoso é aceder ao serviço através da app Digi TV, o que evita a instalação de mais um aparelho. Mas também pode, claro, pedir a troca da box ao operador.
Há muito que a DECO PROteste defende um acesso não dependente da caixa descodificadora. Assim se comprova que a box, pela qual é pago um valor mensal, não é realmente necessária para aceder ao serviço e às suas funcionalidades.
Oferta de canais já satisfatória
No arranque da operação, a grelha de programação, com 75 canais, era uma das debilidades da Digi, provavelmente por dificuldades negociais com os detentores de direitos de transmissão. De fora ficou a SIC, um dos canais generalistas de maior audiência. SIC Notícias, CMTV e NOW estavam também ausentes. O mesmo aconteceu, de resto, aos serviços de televisão propostos pelas marcas low-cost dos três principais operadores. Na Amigo, na Uzo e na Woo, as ausências eram estranhamente similares: ao sublinharem uma artificial diferença de qualidade para as low-cost, as marcas-mãe procuravam justificar o seu preço muito mais elevado.
De momento, a Digi também não faculta a subscrição de canais premium, como os de desporto. A Sport TV, por exemplo, está restrita aos principais operadores. Já a DAZN pode ser subscrita diretamente no respetivo site, ainda que depois seja necessário usar a app do serviço, pois não há acesso através da caixa descodificadora da Digi.
O operador romeno conseguiu recuperar algum terreno, e a oferta de canais, atualmente em cerca de 80, supera a das marcas low-cost do trio da frente, sendo mais do que suficiente para a generalidade dos consumidores. Mesmo assim, a CMTV e a NOW continuam ausentes.
Várias plataformas para visualização do serviço
Leitor multimédia, smartphone e smartTV: o serviço de televisão da Digi pode ser usado nas plataformas habituais. Em televisores inteligentes, é compatível com os principais sistemas operativos, como o Android TV e o Google TV, encontrados em marcas como a Sony, a Panasonic, a Philips, a TCL e a Xiaomi. Também corre no Tizen, desenvolvido pela Samsung, e no WebOS, pela LG.
Na instalação do serviço, o operador fornece um leitor multimédia com o Android TV, em que a app Digi TV vem instalada. Mas também é possível instalar a app em vários outros televisores compatíveis que tenha em casa. Não sendo compatíveis, pode usar mais leitores multimédia para fazer a ponte com a app. Se precisar de comprar, considere as seguintes versões do Chromecast: Google TV ou Google TV Streamer 4K, dependendo da resolução do televisor onde será usado.
A app não exige configuração inicial, pelo que, uma vez instalada, basta abri-la para começar a usar o serviço. A estrutura de menus da interface não difere muito da proposta pelos serviços dos três principais operadores. Mas tem menos funcionalidades. Por exemplo, estão ausentes opções úteis, como a gravação de programas e a gestão da lista de canais.
Sem possibilidade de gerir canais
Com uma oferta aproximada de 80 canais, vem a necessidade de opções de gestão. Mas o serviço da Digi nada prevê. Presentes em alguns serviços de outros operadores, as listas de favoritos, a ordenação de canais e os destaques, no menu, dos conteúdos mais visionados seriam muito úteis.
Em jeito de atenuante, ao clicar nas teclas cursoras laterais, surge uma listagem vertical catalogada por categoria, que permite alternar, por exemplo, entre canais de desporto, de notícias ou de música. Outro ponto forte é a rápida navegação entre categorias de canais.
Fluidez a recuar nos conteúdos emitidos e consultar programação
São duas as opções para aceder às gravações automáticas: através do guia eletrónico de programas ou do menu Flashback. A estrutura do menu das gravações automáticas, ao qual também é possível aceder a partir do ecrã inicial, está muito bem conseguida. Aqui, facilmente se chega à lista de filmes, séries, programas, conteúdos infantis e de desporto que passaram nos sete dias anteriores.
Recuar na programação sete dias e consultar o que está previsto para a semana seguinte são possibilidades muito apreciadas pelos utilizadores, que estão presentes na Digi como nos serviços dos principais operadores. A estrutura do guia eletrónico de programas é também a clássica, com um uso muito intuitivo.
Simples é ainda a reprodução desde o início de um programa que se começou a visualizar a meio. O mesmo se aplica à localização de conteúdos. Há duas formas de o fazr: usando a caixa de pesquisa de texto, que funciona bem, e através do guia eletrónico de programas.
Pesa, pela negativa, a impossibilidade de efetuar gravações, prevista pelos serviços de todos os outros operadores.
Facilidade a pausar emissões em direto
Interromper emissões em direto é mais uma possibilidade muito útil, que funciona bem no serviço da Digi. Basta premir o botão central para surgir o menu de navegação. Aqui, é possível pausar ou regressar à emissão, mas também reproduzir um programa desde o início.
Como é evidente, pode ainda usar os comandos de recuo e avanço rápido, embora o serviço da Digi não preveja diferentes velocidades de navegação, ao contrário do que sucede na generalidade da concorrência.
Zapping de canais lento na app
Em qualquer serviço, o zapping convencional, ou seja, aquele que permite alternar o canal e esperar pela imagem e pelo som, é um processo com tendência para a lentidão e que, perante a quantidade de canais disponíveis nos pacotes, vem sendo menos adotado. Uma forma de minimizar este inconveniente passa por navegar com teclas cursoras. O canal atual continua a ser visualizado em fundo, mas é possível alternar no ecrã, através dos ícones e dos nomes dos programas dos vários canais.
O comando do leitor multimédia entregue pela Digi traz teclas para mudar de canal. No entanto, conte com um lento zapping convencional, no caso de usar a app do serviço num televisor inteligente da Samsung ou da LG, as marcas mais vendidas. A DECO PROteste contabilizou mais do dobro do tempo gasto pela concorrência. Já ao usar a box, os resultados são mais satisfatórios.
Esta velocidade também depende do aparelho em que a app da Digi é instalada. A DECO PROteste experimentou com um televisor Samsung, e verificou que os botões para mudar de canal foram reconhecidos pela app, permitindo um zapping cómodo. Mas, quando usou um leitor multimédia, que não possui esses botões, mas apenas teclas cursoras, foram necessários dois cliques por cada alternância de canal, o que complicou bastante o processo.
Aplicação mobile Digi TV com as mesmas funcionalidades
O layout e as possibilidades oferecidas pela app para telemóvel são exatamente os mesmos de que é possível usufruir acedendo ao serviço por via de um televisor inteligente ou de um leitor multimédia. Verifica-se apenas um par de diferenças.
A navegação, após pausa da emissão, é mais simples na app. É possível deslocar a barra para o local pretendido, sem esperar pelo recuo ou avanço rápido. Além disso, a estrutura do guia eletrónico de programas é ligeiramente diferente, devido às restrições de espaço no ecrã de um telemóvel, mas está bem-adaptada e oferece um uso cómodo.
Preço derrota a concorrência
O serviço de televisão da Digi, com preço de 12 euros mensais, não pode ser contratado isoladamente: vem sempre com o módulo de internet por fibra ótica. Comparando as ofertas de pacotes com internet fixa de velocidade de download mínima de 200 Mbps e televisão com, pelo menos, 50 canais incluídos e fibra ótica, a Digi tem o preço mais interessante. A fidelização é de três meses, contra os 24 meses dos principais operadores.
Seguem-na, de muito perto, as marcas low-cost dos três principais operadores (Amigo, Uzo e Woo). Depois, vem a NOWO, entretanto adquirida pela Digi, com velocidade de download do serviço de internet limitada a 250 Mbps, o que torna a sua oferta menos apetecível. Já o período de fidelização, após a fusão com a Digi, passou também para três meses.
Análise da DECO PROteste: o que agradou mais e menos
Pontos positivos
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Pontos negativos
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