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5G em fase inicial traz custo extra para a maioria dos consumidores

A quinta geração móvel (5G) já chegou e promete maior velocidade e capacidade de rede. A rede instalada ainda é muito limitada e não cobre todo o País, mas o acesso pode representar um custo adicional de cinco euros por mês. Esclareça as dúvidas sobre os tarifários 5G e conheça os telemóveis 5G que já testámos. 

11 abril 2022
pessoa agarra smartphone com rede 5G

iStock

Os operadores de telecomunicações anunciaram as condições de acesso ao 5G nos seus tarifários no final de 2021. O período gratuito de acesso oferecido pela NOS, Vodafone e MEO terminava no final de janeiro, mas já foi prolongado por duas vezes: primeiro até 31 de março e agora até 15 de setembro, para todos os tarifários. Depois dessa data, na maioria dos casos, os consumidores terão de passar a pagar cinco euros por mês se quiserem manter o acesso ao 5G.

Por ser tão recente, e ter ainda pouca cobertura no território nacional, não compreendemos o custo adicional aplicado pelos operadores de telecomunicações em alguns tarifários para a utilização da tecnologia 5G, sobretudo nos pacotes com menos de 10 GB de internet. Analisámos em detalhe os pacotes da MEO, da NOS e da Vodafone e respondemos a todas as dúvidas dos consumidores sobre a tecnologia 5G. 

O que é a tecnologia 5G?

O 5G é uma nova tecnologia de rede móvel que irá permitir desempenho no fluxo de dados e velocidade de resposta superiores à rede 4G. Com muito mais capacidade do que as gerações de rede anteriores, o 5G permite que mais dispositivos estejam ligados. Esta evolução trará um grande desenvolvimento da internet das coisas (IoT), com mais dispositivos a comunicar entre si em simultâneo, potenciando a inovação em indústrias como a dos transportes, por exemplo.

Quais as principais diferenças entre o 5G e o 4G?

Numa fase inicial, a diferença entre a experiência do 4G e do 5G não será significativa. Como temos observado noutros países europeus, as velocidades mais altas deverão aproximar-se dos 200 Mbps e atingir pontualmente entre 300 e 350 Mbps. Contudo, em muitos locais, o desempenho do 5G vai apenas assemelhar-se a um bom 4G.

Já numa fase mais avançada, os consumidores poderão ter acesso a velocidades de internet próximas de 1 gigabit por segundo (Gbps) e uma latência muito inferior à do 4G, o que irá permitir, por exemplo, uma grande melhoria na experiência com jogos online, downloads de ficheiros em segundos e streaming sem esperas, etc. A capacidade da rede também será muito mais elevada, permitindo a ligação de toda a espécie de aparelhos.

Já existem telemóveis 5G?

Sim, já encontra no mercado telemóveis equipados com a nova tecnologia de rede móvel. E não precisa de gastar muito dinheiro para usufruir de um bom equipamento: consegue adquirir um telemóvel 5G por menos de 250 euros com boa autonomia, elevada qualidade de som nas chamadas, boa resistência a queda, bom desempenho e qualidade da câmara, bem como capacidade de armazenamento. Veja todos os telemóveis 5G testados.

A nossa seleção de telemóveis 5G por menos de 250 euros

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a partir de  202,29
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Escolha
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Telemóveis
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Que tarifários incluem 5G sem custos adicionais?

Na NOS, quem tenha tarifários com 10 GB de internet ou mais não terá custos adicionais pela utilização do 5G.

No caso da Vodafone, os tarifários Red 10 GB, Red Infinity, Vodafone You 10 GB e Yorn X 10 GB (todos os que têm 10 GB de internet ou mais) "livram" os consumidores de um pagamento adicional de cinco euros por mês pela utilização do 5G.

Já na MEO, só os tarifários pós-pagos ilimitados para telemóvel e para PC e tablet de 30 GB, 60 GB e todo o tráfego incluído começaram por garantir a utilização do 5G sem custos adicionais. Ao contrário da NOS e da Vodafone, na MEO também os tarifários com 10 GB de internet tinham um custo acrescido de cinco euros por mês pelo 5G. O operador começou por disponibilizar apenas uma modalidade de pagamento anual que custava, em promoção, 30 euros por ano, em vez de 60 euros. Contudo, pouco tempo depois, a MEO passou a fazer exatamente o mesmo que os outros dois operadores, isto é, a considerar nesta situação todos os tarifários pós-pagos de telemóvel ou para PC e tablet com plafond base de 10 GB ou mais.

Quanto vai pagar por mês se quiser ter acesso ao 5G?

Para tarifários com 1 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar, de acordo com os tarifários em vigor nos operadores de telecomunicações que operam em Portugal.

Vodafone

  • Tarifário XS 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,95 euros + 5 euros = 16,95 euros;
  • Tarifários Vodafone RED 1 GB 3500 min. com 5G: 13,90 euros + 5 euros = 18,90 euros.

MEO

  • Tarifário Moche com carregamentos 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,95 euros + 5 euros = 16,95 euros;
  • Tarifário MEO Móvel Pós-pago 1 GB 3500 min. com 5G: 12,99 euros + 5 euros = 17,99 euros.

NOS

  • Tarifário WTF 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,80 euros + 5 euros = 16,80 euros;
  • NOS À Medida 1 GB 3000 min. com 5G: 13 euros + 5 euros = 18 euros.

Para quem tenha mais de 25 anos, a utilização de 5G implica gastar, pelo menos, 18 euros por mês com o tarifário de telecomunicações. Nos casos em que os cartões adicionais custam menos (+10 euros por cartão), há alguma diferença nos valores. Por exemplo, se contratar quatro cartões no tarifário Vodafone Fibra 4 Online com dois cartões de 10 GB incluídos, cada cartão pode custar-lhe 10 euros em vez destes 18 euros. Mesmo atendendo ao custo implícito dos primeiros cartões, que é de cerca de 23 euros (igual ao custo deste pacote menos o pacote equivalente, mas sem os cartões de telemóvel incluídos), o custo médio por cada cartão é de 10,75 euros. Este já seria um valor mais interessante a pagar, com mais gigabytes incluídos.

Em tarifários com 5 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar.

Vodafone

  • Tarifário XM 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 17,34 euros + 5 euros = 22,34 euros;
  • Tarifário Vodafone RED 5 GB 3500 min. com 5G: 16,90 euros + 5 euros = 21,90 euros.

MEO

  • Tarifário Moche com fatura 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 16,80 euros + 5 euros = 21,80 euros;
  • Tarifário MEO Móvel Pós-pago 5 GB 3500 min. com 5G: 16,89 euros + 5 euros = 21,89 euros.

NOS

  • Tarifário WTF 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 16,80 euros + 5 euros = 21,80 euros;
  • Tarifário NOS À Medida 5 GB 7000 min. com 5G: 15 + 5 euros = 20 euros.

Para um consumidor com um perfil de consumo médio (5 GB de internet), acaba por ser mais vantajoso aderir a um tarifário mais caro, uma vez que estes não têm o custo adicional de cinco euros por mês devido ao 5G. Numa situação de consumo médio (maiores de 25 anos), o consumidor paga, pelo menos, 20 euros por mês, enquanto num perfil mais intensivo de consumo, por exemplo, de 10 GB (veja abaixo), paga quase o mesmo (a partir de 19,90 por mês) pelo dobro dos dados e com o 5G incluído. Isto acontece porque os operadores não adicionaram mais custos à mensalidade que já cobram pelos tarifários de 10 GB ou mais.

Já para tarifários com 10 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar.

Vodafone

  • Tarifário Yorn XL 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 21,68 euros;
  • Tarifário Vodafone RED 10 GB 3500 min. com 5G: 19,90 euros.

MEO

  • Tarifário Moche com fatura 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 19,90 euros;
  • Tarifário MEO Móvel Pós-pago 10 GB 1000 min. com 5G: 19,49 euros.

NOS

  • Tarifário WTF 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 21,80 euros;
  • Tarifário NOS À Medida com fidelização 10 GB 10 000 min. com 5G: 19 euros.

Tarifários ilimitados em promoção em janeiro

Em janeiro de 2022, os tarifários ilimitados passaram a custar cerca de 25 euros por mês (preço mínimo = 24,90 euros), aproximadamente menos 29%-38% face aos preços anteriores. Antes custavam, pelo menos, 34,99 euros ou 39,99 com um desconto de 5 euros durante três meses.

O que é necessário para usufruir de 5G?

É necessário ter um equipamento 5G, um tarifário compatível com 5G e encontrar-se numa localização com cobertura por esta rede.

Atualmente, em que locais é possível aceder ao 5G?

Os operadores de telecomunicações prometem ir aumentando progressivamente a cobertura da rede 5G no País. A NOS comunicou que o 5G “já está disponível na maioria dos centros urbanos” e que continuará a chegar “de forma progressiva e rápida” às restantes zonas do País. A Vodafone, por sua vez, afirma que, para os seus clientes, “o 5G está disponível em todas as capitais de distrito de Portugal Continental”.

Alguns sites permitem saber que zonas de Portugal e do mundo estão cobertas pelo 5G e ainda pesquisar a cobertura disponibilizada por cada operador.

Como ativar o 5G?

Até 15 de setembro de 2022, a MEO, a NOS e a Vodafone oferecem períodos experimentais. Regra geral, se tem um tarifário com 10 GB de internet ou mais, não precisa de fazer nada, uma vez que estes pacotes já contam com 5G incluído. 

Se, por outro lado, tem um tarifário que não reúne as condições para ter o 5G já incluído, terá de aceder à app NOS e ativar a experiência gratuita ou, no caso da Vodafone, apenas precisa de garantir que a preferência de 5G está ativa nas definições do equipamento que está a usar. Em ambiente Android, para encontrar essa opção deve ir a “Definições > Ligações ou redes móveis > Cartão sim > Modo de rede”. Em iOS, para ativar o 5G deve ir a “Definições > Rede móvel > Opções > Voz e dados”. Para manter o 5G depois de 15 de setembro de 2022, terá de aderir a um tarifário que o inclua ou, em alternativa, deverá subscrever o 5G individualmente por um preço de cinco euros por mês.

Os consumidores serão obrigados a mudar para o 5G?

As redes 4G, 3G e 2G continuarão a funcionar em simultâneo com a rede 5G, pelo que os consumidores não serão obrigados a usar a nova tecnologia. A maioria dos telemóveis liga-se automaticamente à rede que oferece o melhor desempenho no local onde se encontra, escolhendo entre as redes compatíveis com o equipamento.

O 5G consome mais dados que o 4G?

Embora seja mais veloz que o 4G, tornando, por exemplo, os downloads mais rápidos, o 5G usa exatamente a mesma quantidade de dados que o 4G para fazer o download do mesmo ficheiro. Contudo, como leva menos tempo, é possível que o consumo de dados aumente devido ao maior consumo de conteúdos em menos tempo, uma vez que conseguirá, por exemplo, fazer download de mais ficheiros no mesmo dia.

Modelo de remuneração do 5G deve ser repensado

Não compreendemos o custo adicional de cinco euros aplicado pelos operadores de telecomunicações aos tarifários com menos de 10 GB de internet, sobretudo tendo em conta que se trata de uma tecnologia recente que ainda tem uma cobertura limitada a nível nacional. No final de 2021, questionámos as empresas de telecomunicações acerca deste valor, que é exatamente igual em todos os operadores, mas apenas a Vodafone respondeu. De acordo com o operador de telecomunicações, o investimento na rede móvel de quinta geração foi elevado, e o acesso gratuito foi garantido para aqueles que poderiam nesta fase beneficiar do acesso ao 5G (os subscritores dos tarifários com maior volume de dados incluídos). Além disso, a Vodafone diz que disponibilizou a oferta de um período experimental a todos os seus clientes que já tivessem um equipamento compatível com 5G. Confrontada com o facto de o investimento no 4G ter sido semelhante, ou superior, no caso da Vodafone – 146 milhões de euros versus 133 milhões –, a empresa respondeu que, no caso do 4G, os benefícios foram imediatos, tendo sido tomadas outras opções, como a criação de novos pacotes, incorporando aí o diferencial de valor.

Fora de Portugal, a Verizon também tentou aplicar um custo adicional associado ao 5G, de 10 dólares por mês. No entanto, este custo acabou por ser eliminado pelo operador. No caso de outros operadores europeus, há exemplos em que o acesso ao 5G não tem qualquer custo adicional para todos os tarifários (por exemplo, a Vodafone, em Espanha) e outros em que há diferenciação por volume de tráfego (é o caso da Orange, em França), partindo do princípio de que os consumidores vão precisar de maior volume de tráfego numa utilização 5G (maior velocidade tende a originar maior consumo de conteúdos e de gigabytes por unidade temporal).

Defendemos que o modelo de remuneração do 5G que está a ser aplicado pelos operadores de telecomunicações em Portugal deve ser repensado para que os consumidores não sejam penalizados com serviços móveis ainda mais caros. Portugal está entre os países da Europa que tem os serviços móveis com preços mais elevados para a quantidade de dados que estes incluem. Consideramos os custos adicionais que estão a ser aplicados para a utilização do 5G despropositados, não só porque as anteriores tecnologias móveis não trouxeram acréscimo de custos diretos, mas também porque, num período inicial, em que esta nova tecnologia está em fase de implementação, o 5G vai estar longe do desempenho prometido. A cobertura ainda é muito reduzida e levará algum tempo a cobrir parte significativa do território nacional, a velocidade está muito longe de 1 Gbps, mesmo nas grandes cidades, e nas zonas rurais não ultrapassará os 100 Mbps. Assim, e porque não veremos a “experiência 5G” de um momento para o outro nesta fase inicial e o benefício para o consumidor ainda é reduzido, não vemos razão para cobrar mais aos consumidores.

(Artigo originalmente publicado em 14 de dezembro de 2021)

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