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5G em fase inicial traz custo extra para a maioria dos consumidores

A quinta geração móvel (5G) já chegou e promete maior velocidade e capacidade de rede. A rede instalada ainda é muito limitada e não cobre todo o País, mas o acesso pode representar um custo adicional de cinco euros por mês. Esclareça as dúvidas sobre os tarifários 5G e conheça os telemóveis 5G testados. 

pessoa agarra smartphone com rede 5G

iStock

Os operadores de telecomunicações anunciaram as condições de acesso ao 5G nos seus tarifários no final de 2021. O período gratuito de acesso oferecido pela NOS, Vodafone e MEO terminava no final de janeiro, mas já foi prolongado várias vezes, sendo que, atualmente, vai até 15 de outubro, para todos os tarifários. Depois dessa data, na maioria dos casos, os consumidores terão de passar a pagar cinco euros por mês se quiserem manter o acesso ao 5G.

Por ser tão recente, e ter ainda pouca cobertura no território nacional, a DECO PROTESTE não compreende o custo adicional aplicado pelos operadores de telecomunicações em alguns tarifários para a utilização da tecnologia 5G, sobretudo nos pacotes com menos de 10 GB de internet. A DECO PROTESTE analisou em detalhe os pacotes da MEO, da NOS e da Vodafone e esclarece as dúvidas dos consumidores sobre a tecnologia 5G.

Já existem telemóveis com tecnologia 5G?

Sim, já encontra no mercado telemóveis equipados com a nova tecnologia de rede móvel. Consulte o comparador com todos os telemóveis 5G testados.

A nossa seleção de telemóveis 5G por menos de 250 euros

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Que tarifários incluem 5G sem custos adicionais?

Na NOS, quem tenha tarifários com 10 GB de internet ou mais não terá custos adicionais pela utilização do 5G.

No caso da Vodafone, os tarifários Red 10 GB, Red Infinity, Vodafone You 10 GB e Yorn X 10 GB (todos os que têm 10 GB de internet ou mais) "livram" os consumidores de um pagamento adicional de cinco euros por mês pela utilização do 5G.

Já na MEO, só os tarifários pós-pagos ilimitados para telemóvel e para PC e tablet de 30 GB, 60 GB e todo o tráfego incluído começaram por garantir a utilização do 5G sem custos adicionais. Ao contrário da NOS e da Vodafone, na MEO também os tarifários com 10 GB de internet tinham um custo acrescido de cinco euros por mês pelo 5G. O operador começou por disponibilizar apenas uma modalidade de pagamento anual que custava, em promoção, 30 euros por ano, em vez de 60 euros. Contudo, pouco tempo depois, a MEO passou a fazer exatamente o mesmo que os outros dois operadores, isto é, a considerar nesta situação todos os tarifários pós-pagos de telemóvel ou para PC e tablet com plafond base de 10 GB ou mais.

Quanto vai pagar por mês se quiser ter acesso ao 5G?

Para tarifários com 1 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar, segundo os tarifários em vigor em Portugal.

Vodafone

  • Yorn XS 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,95 euros + 5 euros = 16,95 euros;
  • Vodafone RED 1 GB 3500 min. + 3500 sms com 5G: 18,90 euros + 5 euros = 23,90 euros.

MEO

  • Moche com carregamentos 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,95 euros + 5 euros = 16,95 euros;
  • MEO Móvel Pré-pago 1 GB 500 min./sms com 5G: 3,5 euros/semana + 5 euros/mês = 20,21 euros.

NOS

  • WTF 1 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 11,80 euros + 5 euros = 16,80 euros;
  • NOS Tarifário Gigas 1 GB com 5G: 16,99 euros + 5 euros = 21,99 euros.

Para quem tenha mais de 25 anos, a utilização de 5G implica gastar, pelo menos, 20 euros por mês com o tarifário de telecomunicações. Nos casos em que os cartões adicionais custam menos (+10 euros por cartão), há alguma diferença nos valores. Por exemplo, se contratar quatro cartões no tarifário Vodafone Fibra 4 Online com dois cartões de 10 GB incluídos, cada cartão pode custar-lhe 11 euros em vez destes 20 euros. Mesmo atendendo ao custo implícito dos primeiros cartões, que é de 24 euros (igual ao custo deste pacote menos o pacote equivalente, mas sem os cartões de telemóvel incluídos), o custo médio por cada cartão fica em 11 euros (o 3.º e o 4.º número custam 10 euros cada). Este já seria um valor mais interessante a pagar, com mais gigabytes incluídos.

Em tarifários com 5 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar.

Vodafone

  • Yorn XM 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 17,34 euros + 5 euros = 22,34 euros;
  • Vodafone RED 5 GB 3500 min. + 3500 sms com 5G: 24,90 euros + 5 euros = 29,90 euros.

MEO

  • Moche com fatura 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 16,80 euros + 5 euros = 21,80 euros;
  • MEO Móvel Pré-pago 5 GB 500 min./sms com 5G: 21,73 euros + 5 euros = 26,73 euros.

NOS

  • WTF 5 GB (para menores de 25 anos) com 5G: 16,80 euros + 5 euros = 21,80 euros;
  • NOS Tarifário Gigas 5 GB 1000 min./sms com 5G: 22,99 euros+ 5 euros = 27,99 euros. O Tarifário Like 5 GB custa menos no primeiro mês (10 euros + 5 euros) mas depois passa a custar 30 euros + 5 euros (35 euros).

Para um consumidor com um perfil de consumo médio (5 GB de internet), acaba por ser mais vantajoso aderir a um tarifário mais caro, uma vez que estes não têm o custo adicional de cinco euros por mês devido ao 5G. Numa situação de consumo médio (maiores de 25 anos), o consumidor paga, pelo menos, 27 euros por mês, enquanto num perfil mais intensivo de consumo, por exemplo, de 10 GB (veja em baixo), paga o mesmo (a partir de 26,99 euros mensais) pelo dobro dos dados e com o 5G incluído. Isto acontece porque os operadores não adicionaram mais custos à mensalidade que já cobram pelos tarifários de 10 GB ou mais.

Já para tarifários com, pelo menos, 10 GB de internet com 5G, estes serão os valores mínimos a pagar.

Vodafone

  • Yorn XL 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 21,68 euros (11,92 euros durante 6 meses);
  • Vodafone RED 10 GB 3500 min. + 3500 sms com 5G: 28,90 euros.

MEO

  • Moche com fatura 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 19,90 euros (12,50 euros durante 9 meses);
  • MEO Móvel Pós-pago 10 GB 3500 min. + 3500 sms com 5G: 29,99 euros.

NOS

  • WTF 10 GB (menores de 25 anos) com 5G: 21,80 euros (10 euros durante 6 meses);
  • NOS Tarifário Mais Gigas 10 GB 10 000 min./sms com 5G: 26,99 euros. O Tarifário Like 10 GB custa menos no primeiro mês (12,50 euros) mas depois passa a custar 32 euros mensais. 

O que é necessário para usufruir de 5G?

É necessário ter um equipamento 5G, um tarifário compatível com 5G e encontrar-se numa localização com cobertura por esta rede.

Atualmente, em que locais é possível aceder ao 5G?

Os operadores de telecomunicações prometem ir aumentando progressivamente a cobertura da rede 5G no País. A NOS comunicou que o 5G “já está disponível na maioria dos centros urbanos” e que continuará a chegar “de forma progressiva e rápida” às restantes zonas do País. A Vodafone, por sua vez, afirma que, para os seus clientes, “o 5G está disponível em todas as capitais de distrito de Portugal Continental”.

Alguns sites permitem saber que zonas de Portugal e do mundo estão cobertas pelo 5G e ainda pesquisar a cobertura disponibilizada por cada operador.

Como ativar o 5G?

Até 15 de outubro de 2022, a MEO, a NOS e a Vodafone oferecem períodos experimentais. Regra geral, se tem um tarifário com 10 GB de internet ou mais, não precisa de fazer nada, uma vez que estes pacotes já contam com 5G incluído. 

Se, por outro lado, tem um tarifário que não reúne as condições para ter o 5G já incluído, terá de aceder à app NOS e ativar a experiência gratuita ou, no caso da Vodafone, apenas precisa de garantir que a preferência de 5G está ativa nas definições do equipamento que está a usar. Em ambiente Android, para encontrar essa opção deve ir a “Definições > Ligações ou redes móveis > Cartão sim > Modo de rede”. Em iOS, para ativar o 5G deve ir a “Definições > Rede móvel > Opções > Voz e dados”. Para manter o 5G depois de 15 de outubro de 2022, terá de aderir a um tarifário que o inclua ou, em alternativa, deverá subscrever o 5G individualmente por um preço de cinco euros por mês.

Os consumidores serão obrigados a mudar para o 5G?

As redes 4G, 3G e 2G continuarão a funcionar em simultâneo com a rede 5G, pelo que os consumidores não serão obrigados a usar a nova tecnologia. A maioria dos telemóveis liga-se automaticamente à rede que oferece o melhor desempenho no local onde se encontra, escolhendo entre as redes compatíveis com o equipamento.

O 5G consome mais dados do que o 4G?

Embora seja mais veloz do que o 4G, tornando, por exemplo, os downloads mais rápidos, o 5G usa exatamente a mesma quantidade de dados que o 4G para fazer o download do mesmo ficheiro. Contudo, como leva menos tempo, é possível que o consumo de dados aumente devido ao maior consumo de conteúdos em menos tempo, uma vez que conseguirá, por exemplo, fazer download de mais ficheiros no mesmo dia.

Modelo de remuneração do 5G deve ser repensado

A DECO PROTESTE não compreende o custo adicional de cinco euros aplicado pelos operadores de telecomunicações aos tarifários com menos de 10 GB de internet, sobretudo tendo em conta que se trata de uma tecnologia recente que ainda tem uma cobertura limitada a nível nacional. No final de 2021, questionou as empresas de telecomunicações acerca deste valor, que é exatamente igual em todos os operadores, mas apenas a Vodafone respondeu. De acordo com o operador de telecomunicações, o investimento na rede móvel de quinta geração foi elevado, e o acesso gratuito foi garantido para aqueles que poderiam nesta fase beneficiar do acesso ao 5G (os subscritores dos tarifários com maior volume de dados incluídos). Além disso, a Vodafone diz que disponibilizou a oferta de um período experimental a todos os seus clientes que já tivessem um equipamento compatível com 5G. Confrontada com o facto de o investimento no 4G ter sido semelhante, ou superior, no caso da Vodafone – 146 milhões de euros versus 133 milhões –, a empresa respondeu que, no caso do 4G, os benefícios foram imediatos, tendo sido tomadas outras opções, como a criação de novos pacotes, incorporando aí o diferencial de valor.

Fora de Portugal, a Verizon também tentou aplicar um custo adicional associado ao 5G, de 10 dólares por mês. No entanto, este custo acabou por ser eliminado pelo operador. No caso de outros operadores europeus, há exemplos em que o acesso ao 5G não tem qualquer custo adicional para todos os tarifários (por exemplo, a Vodafone, em Espanha) e outros em que há diferenciação por volume de tráfego (é o caso da Orange, em França), partindo do princípio de que os consumidores vão precisar de maior volume de tráfego numa utilização 5G (maior velocidade tende a originar maior consumo de conteúdos e de gigabytes por unidade temporal).

A DECO PROTESTE defende que o modelo de remuneração do 5G que está a ser aplicado pelos operadores de telecomunicações em Portugal deve ser repensado para que os consumidores não sejam penalizados com serviços móveis ainda mais caros. Portugal está entre os países da Europa que tem os serviços móveis com preços mais elevados para a quantidade de dados que estes incluem. Considera ainda os custos adicionais que estão a ser aplicados para a utilização do 5G despropositados, não só porque as anteriores tecnologias móveis não trouxeram acréscimo de custos diretos, mas também porque, num período inicial, em que esta nova tecnologia está em fase de implementação, o 5G vai estar longe do desempenho prometido. A cobertura ainda é muito reduzida e levará algum tempo a cobrir parte significativa do território nacional, a velocidade está muito longe de 1 Gbps, mesmo nas grandes cidades, e nas zonas rurais não ultrapassará os 100 Mbps. Assim, e porque não veremos a “experiência 5G” de um momento para o outro nesta fase inicial e o benefício para o consumidor ainda é reduzido, não existe razão para cobrar mais aos consumidores.

(Artigo originalmente publicado em 14 de dezembro de 2021)

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