Guia de compras

Máquinas fotográficas: guia de compras

30 junho 2020
pessoa a tirar fotografia a criança com máquina fotográfica

Compactas, avançadas, superzoom, aventura, reflex ou híbridas, as opções são várias. Com os smartphones cada vez melhores para fotografar, nem sempre se justifica a compra de uma máquina fotográfica.

Um dos mitos da fotografia é que é necessário investir muito dinheiro para conseguir equipamento que permita obter fotografias realmente boas. Mas já existem boas máquinas a preços relativamente acessíveis. Conseguir boas fotografias vai depender mais da visão artística do utilizador e do domínio de algumas técnicas base.

Uma máquina de gama de preços mais elevada (por exemplo, uma SLR - Single Lens Reflex - ou híbrida de gama média/alta) vai oferecer vantagens em situações mais exigentes, como quando a iluminação é muito reduzida, quando é preciso uma elevada velocidade de disparo (em fotografia de vida selvagem ou desporto, por exemplo) ou maior facilidade na obtenção de um efeito “bokeh” (desfocado no fundo) natural nas fotos de retrato. Porém, isto torna-se quase irrelevante para quem ainda se encontra numa fase de experimentação e aprendizagem.

O smartphone substitui a máquina fotográfica?

Os smartphones estão permanentemente ligados à internet e permitem ver, editar e partilhar de imediato as imagens, se assim quiser. O enquadramento das fotos é facilitado pelos ecrãs cada vez melhores e maiores. As apps de edição são inúmeras e muitas são gratuitas.

As máquinas compactas tem tido um nítido decréscimo de entrada de novos modelos no mercado e uma queda acentuada nas vendas porque estão a ser substituídas pelos telemóveis.

Já as máquinas avançadas, híbridas ou reflex, equipadas de sensores de grande diagonal, zooms óticos e inúmeros controlos manuais de acesso direto (sem forçar o uso de menus), apresentam estes fatores de diferenciação importantes para os fotógrafos amadores ou que querem tirar partido dos controlos manuais. Maiores sensores permitem capturar mais luz e proporcionam imagens com melhor controlo sobre a profundidade de campo.

Para verificar as diferenças na qualidade fotográfica entre as máquinas e os telemóveis, testámos um conjunto de smartphones de gama média/alta, submetendo-os à bateria de testes das máquinas fotográficas para poder fazer uma comparação direta.

Os telemóveis dessa gama tendem a incluir lentes muito luminosas, sensores de dimensões similares às máquinas fotográficas de entrada, diversos comandos manuais (sempre através de menu), em alguns casos com um zoom ótico (mas mais limitado). Além disso, em alguns casos, incluem índices de proteção que permitem mesmo a submersão na água. A grande vantagem dos smartphones é o elevado poder computacional, que permite diversas técnicas de melhoramento das imagens finais, como a captura de várias imagens combinadas por software para fornecer a imagem final ao utilizador (stacking, HDR - High Dynamic Range, com alta qualidade e excelente brilho e contraste).

A nossa análise revelou o que já muitos consumidores sabem: os telemóveis atuais de uma gama média/alta conseguem superar a qualidade fotográfica das atuais máquinas compactas (e aventura) e mesmo a de algumas máquinas avançadas de entrada de gama (normalmente, as equipadas com um sensor de menores dimensões).

As máquinas avançadas com melhor avaliação (as híbridas e as SLR) continuam num outro patamar de qualidade na fotografia, com níveis reduzidos de iluminação.

Tipos de máquinas fotográficas

Máquinas aventura

São aparelhos compactos, mas que, tal como o nome indica, além de possibilitarem um transporte fácil, destacam-se pela robustez e resistência aos impactos, pó e salpicos. São mais indicadas para quem pretende um aparelho para utilizar em locais que possam trazer problemas às compactas, como uma praia ou durante uma caminhada num local mais acidentado. Tal como acontece com as compactas, as máquinas aventura servem para uma utilização, maioritariamente, em modo automático, pois as possibilidades manuais são escassas ou de acesso complicado (raramente existem botões de acesso direto aos ajustes manuais).

O peso destas máquinas está quase sempre abaixo das 250 gramas. Quase nunca conseguirá encontrar modelos com visores oculares. Tem de recorrer sempre ao ecrã LCD. 

Máquinas superzoom

Estas máquinas dispõem de um alargado leque de distâncias focais. Para estarem nesta categoria terão de ter um zoom ótico com um mínimo de 15 ampliações (em relação à distancia focal mínima). Caso um determinado aparelho tenha todas as funções necessárias para poder ser considerado avançado, é colocado nessa categoria, por isso, existem diversas máquinas fotográficas na categoria das avançadas com um zoom acima das 15x. Os zoom óticos que equipam esta classe de aparelhos são sempre bastante potentes (embora tal possa sacrificar alguma sensibilidade à luz), podendo, nalguns casos, chegar a valores acima das 60x.

Máquinas avançadas

São aparelhos bem equipados, com diversas regulações manuais, como, por exemplo, a possibilidade de definir o valor de abertura do diafragma, a velocidade de obturação, a possibilidade de efetuar a focagem de forma manual e de gravar ficheiros em formato RAW.  De dimensões superiores aos modelos compactos, existem alguns destes modelos que integram já sensores de dimensões mais generosas, possibilitando uma boa sensibilidade à luz. Os zoom óticos que equipam esta classe de aparelhos são, em muitos casos, bastante potentes, podendo chegar a valores acima das 30x.

As máquinas avançadas são aparelhos indicados para quem pretende uma máquina versátil e que lhe permita efetuar várias regulações manuais. É uma opção interessante para quem tem alguns conhecimentos de fotografia ou quer adquiri-los. Alguns destes modelos apenas diferem dos modelos reflex ou híbridos por não permitirem a mudança das lentes do aparelho. No entanto, muitos deles possuem zooms óticos bastante potentes, permitindo utilizar um leque alargado de distâncias focais. Nesse caso, poderá nunca sentir necessidade de trocar as lentes.

Máquinas híbridas

São aparelhos bastante bem equipados, com diversas regulações manuais, como, por exemplo, a definição do valor de abertura do diafragma, a velocidade de obturação ou a possibilidade de efetuar a focagem de forma manual. Tal como as máquinas reflex, dispõem de objetivas intermutáveis (também aqui o desempenho pode mudar de forma significativa ao recorrer a outras lentes). 

As máquinas híbridas são muito similares aos modelos reflex, no entanto, ao não integrarem o espelho (que todas as reflex tem) no seu interior, são aparelhos bastante mais compactos e as próprias objetivas tendem a ser mais pequenas e leves. São aparelhos indicados para quem pretende um aparelho versátil, que lhe permita efetuar regulações manuais e que esteja interessado na utilização de diferentes lentes que possibilitem tirar o melhor rendimento em condições específicas. 

Máquinas reflex

As máquinas reflex são aparelhos bastante bem equipados, com diversas regulações manuais, como a possibilidade de definir o valor de abertura do diafragma, a velocidade de obturação ou a possibilidade de efetuar a focagem de forma manual. São, normalmente, aparelhos bastante volumosos, podendo pesar mais que 800 gramas. As lentes deste tipo de aparelhos são intermutáveis, o que permite adquirir lentes para usos específicos: uma teleobjetiva para efetuar ampliações significativas, uma lente macro, uma lente com focal fixa para melhor desempenho em condições de luz difíceis são alguns dos exemplos.

Verificamos que, na maior parte dos kits analisados, as lentes que acompanham os aparelhos reflex não são de grande qualidade. O desempenho de todos os aparelhos analisados pode melhorar bastante se utilizar umas lentes de qualidade superior. As máquinas reflex são aparelhos indicados para quem pretende um aparelho versátil, que lhe permita efetuar regulações manuais e que esteja interessado na utilização de diferentes lentes que lhe permitam tirar o melhor rendimento em condições específicas.

Qual é a melhor máquina fotográfica?

A melhor máquina fotográfica para cada caso depende muito da utilização que lhe quer dar e do objetivo final ao fotografar. Há várias características a ter em conta ao escolher uma máquina fotográfica.

Resolução e tamanho dos sensores

Este é apenas um dos vários fatores que influenciam a qualidade de imagem e que, atualmente, está longe de ser o mais importante. A resolução de um aparelho (MP) representa a quantidade de pontos que definem uma imagem. Quanto maior este valor, mais nítida será a imagem. Valores elevados permitem efetuar ampliações superiores quando manipular a foto em computador, tal como a possibilidade de se poder imprimir as fotos em dimensões superiores sem perda de nitidez.

Todas as máquinas testadas oferecem, no mínimo, 13 MP (podendo chegar aos 30 MP). Para a esmagadora maioria dos utilizadores estes valores são mais do que suficientes.

As diferenças de qualidade prendem-se, essencialmente, com o sensor usado e com a qualidade ótica das lentes utilizadas pelo aparelho, além da eficácia do processamento digital posteriormente feito às imagens. As lentes mais  fracas podem provocar distorções e reflexões ou podem necessitar de mais luz.

A conjugação de um aparelho que ofereça valores de resolução muito altos com um sensor de pequenas dimensões acaba por ser contraproducente. O tamanho com que cada recetor individual (foto-sensor) fica é de tal forma diminuto que a sensibilidade à luz fica afetada.

A presença de ruído faz com que o valor de resolução do aparelho seja indiferente, visto que este prejudica muito mais o resultado final do que uma resolução diminuta.

Lentes e sensibilidade à luz

A qualidade ótica das lentes faz toda a diferença. Umas lentes mais luminosas permitem tempos de obturação mais reduzidos para a mesma sensibilidade ISO. Ou seja, a probabilidade de se conseguirem fotos desfocadas ou com ruído diminui com o aumento da qualidade das lentes. Estas, quando são de qualidade inferior, podem ainda introduzir distorções na imagem, efeitos de refração de luz, entre outros problemas. 

Potência do zoom ótico e significado das distâncias focais

O valor de distância focal de uma lente zoom é sempre expresso por um par de valores (por exemplo: 35-105mm). Significa que a lente faz 35mm com o zoom totalmente recolhido e 105mm com todo o zoom aplicado. Na realidade, os valores apresentados são equivalências aos valores que são usados nos aparelhos de filme (35mm). Os valores “reais” dos aparelhos digitais, dependendo do tamanho do sensor, podem bem mais pequenos.

A relação entre a distância focal real e a equivalente 35mm é dada pelo fator de corte (crop factor). Este fator aumenta, de forma inversamente proporcional às dimensões do sensor: sensores mais pequenos têm um maior fator de corte.

Os fabricantes anunciam, normalmente, as distâncias focais equivalentes a 35mm, que não se referem a uma distância real, mas a um cálculo. Valores mais reduzidos de distâncias focais implicam que os objetos são reduzidos, mas o ângulo de visão aumenta e, assim, consegue-se enquadrar uma área maior na foto (pode ser útil para paisagens, monumentos, fotos de grupo, entre outros). Valores mais elevados ampliam as imagens, mas reduzem o ângulo de visão.

Abertura do diafragma

Um valor de abertura mais alto não significa sempre uma máquina com melhor sensibilidade à luz.

Pensemos, por exemplo, no caso dos telemóveis atuais (muito em particular nos de uma gama mais alta). Olhando aos números, estes apresentam valores de abertura superiores aos da esmagadora maioria das máquinas fotográficas analisadas. Isso deveria significar uma maior sensibilidade à luz.

O valor de abertura (expresso pelo indicador f) é estipulado pela ação do diafragma. Trata-se de um conjunto de lâminas (normalmente na traseira das lentes) cuja abertura ou fecho determina o caudal de luz que atravessa as lentes e incide sobre o sensor.

Os valores de abertura f mais baixos (ex: f/1.8) refletem-se numa abertura física maior do diafragma, aceitando uma maior quantidade de luz a atravessar a lente.

Mesmo usando uma abertura que permita que a maioria da área do sensor receba luz, se este for diminuto, a sensibilidade final à luz nunca poderá ser realmente boa.


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