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SMS fraudulentos: burla em nome do Ministério da Saúde exige pagamento indevido

Recebeu uma mensagem em nome do Ministério da Saúde para efetuar um pagamento, com a referência multibanco 21800? Não pague e não clique no link que a mensagem contém. É fraude, e o único objetivo é extorquir dinheiro.

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30 março 2026
Pessoa sentada num sofá numa sala moderna, segurando um telemóvel e olhando para o ecrã com ar intrigado, com estante cheia de livros e objetos decorativos ao fundo.

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Recebe um sms no telemóvel e clica para ver. Na mesma conversa de outras comunicações legítimas, uma mensagem alarmista pede-lhe uma ação rápida. Refere um "valor em incumprimento” com prazo curto (“até 5 dias”) para efetuar o pagamento.

É o incitamento típico da burla: tentar levar a agir de forma precipitada. O pedido de pagamento inclui a referência multibanco, precedido pela entidade 21800, que não pertence ao Ministério da Saúde e que, aliás, tem sido usada para outras fraudes similares. Trata-se de uma mensagem que tem vindo a circular em nome do Ministério da Saúde. Um pormenor importante: o Ministério da Saúde não envia mensagens com referências bancárias para pagamento. Este tipo de mensagem não é novidade. Há também esquemas em nome do SNS 24.

Embora também seja usado para fins legais por empresas a relembrar o pagamento de faturas, este método é frequentemente usado em burlas, uma vez que não permite identificar facilmente o beneficiário e deixa o consumidor vulnerável. Não clique em links, nem faça pagamentos.

 
A mensagem surge na sequência de outras mensagens legítimas do Ministério da Saúde e apela diretamente ao pagamento de dinheiro em dívida. Nos dados para pagamento, a entidade 21800 já foi usada em várias fraudes. 

O que deve fazer se receber uma mensagem de um "valor em incumprimento"?

Antes de mais, não clique em links, nem faça qualquer pagamento. Se estranhar o pedido de pagamento, comece sempre por pesquisar num motor de busca pela entidade mencionada. No caso da entidade 21800, facilmente encontra relatos da sua utilização para fraudes. Se receber uma mensagem no telemóvel a dar-lhe instruções para fazer algo, desconfie. Confirme a legitimidade de quem está a pedir informações ou dados. Se a resposta não o convenceu, apague o SMS.

Há muitos exemplos de ciberameaças por telemóvel, e os objetivos são sempre os mesmos: através de uma técnica, designada de spoofing, disfarçam-se de entidades fidedignas e reconhecidas, tentando depois levar as vítimas a fazer pagamentos indevidos ou, através de um link, obter as credenciais de acesso a serviços diversos, entre os quais o homebanking.

Que tipo de linguagem é usada nas mensagens fraudulentas?

A linguagem usada é muito genérica e pouco cuidada. “Tem um valor em incumprimento” não especifica o tipo de dívida, por exemplo. A mensagem não fornece qualquer contacto institucional, nem um número de processo para se compreender a origem do valor. 

O que é o spoofing?

É uma técnica que permite aos burlões alterarem o identificador do remetente (Sender ID), trocando-o por um de uma entidade legítima (MIN.SAUDE). Esta é a parte mais perigosa. O identificador pode ser falsificado. O sistema de SMS permite enviar mensagens com nomes personalizados (Banco, CTT, MIN.SAUDE, etc.). Muitas mensagens passam por operadores internacionais e redes intermédias, nos quais os controlos são mais fracos, e o spoofing é mais simples. Os telemóveis Android e iOS agrupam as mensagens do mesmo número de telemóvel ou do mesmo “Sender ID”. Como o Ministério da Saúde usa um “Sender ID”, os burlões replicam exatamente o mesmo, para que estas mensagens fiquem agrupadas com as restantes.  

Os SMS são completamente seguros?

O SMS foi desenhado há décadas e não tem um sistema universal forte de autenticação do remetente. Alguns operadores já implementam filtros anti-spam e listas de remetentes confiáveis, mas ainda não há um sistema eficaz global. 

 

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