Net Viva e Segura: o que falta fazer para melhorar a relação dos jovens com a inteligência artificial?
A 8.ª edição do fórum Net Viva e Segura relança o debate sobre a necessária proteção dos jovens e adolescentes na sua relação com os serviços digitais.
A inteligência artificial esteve no centro das atenções na 8.ª edição do Google Net Viva e Segura, um projeto que une a Google e a DECO PROteste na capacitação de crianças e jovens para a literacia digital. O fórum de discussão "AcademIA" reuniu, em Lisboa, diferentes pontos de vista sobre a forma como os serviços digitais podem e devem ser utilizados pelos adolescentes.
Margarida Balseiro Lopes: segurança e privacidade são questões exigentes
Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, reconhece que a crescente presença dos jovens no mundo digital traz “novas possibilidades de aprendizagem, mais flexíveis e mais adaptadas a diferentes ritmos e realidades” e permite “alargar horizontes, aproximar pessoas, aproximar culturas e experiências que há não muito tempo estariam mais distantes e nalguns casos até inacessíveis”.
Contudo, a governante lembra que “é precisamente esta presença constante e esta facilidade de acesso que também nos coloca muitos desafios”. Para Margarida Balseiro Lopes, não há dúvida de que “o ambiente digital levanta questões profundamente exigentes, ao nível da segurança, da privacidade e da forma como se constroem relações e identidades neste espaço”.
Questões que se tornam “ainda mais relevantes quando falamos de crianças e de jovens, que estão a crescer no contexto em que a distinção entre aquilo que é o online e aquilo que é o offline nem sempre é muito evidente”, aponta a governante.
Cláudia Webster-Saraiva: regulamento traz regras mais claras para proteger os mais novos
Em representação da Comissão Europeia em Portugal, Cláudia Webster-Saraiva explica as virtudes do regulamento dos serviços digitais (“Digital Services Act”) como uma das ferramentas para proteger os menores, numa altura em que o cyberbullying, o grooming e o adictive design são riscos reconhecidos para os mais novos.
“A nossa preocupação é a de que as crianças se sintam seguras e protegidas no contexto digital. Uma das obrigações constantes do regulamento é que as plataformas garantam clareza nos termos e condições dos serviços que providenciam”, destaca.
“Sabemos que a maior parte dos utilizadores da internet não lê os termos e condições. Mas as crianças, sendo particularmente vulneráveis, precisam que seja adotada uma linguagem ainda mais acessível, para que possam perceber quais as regras de utilização desse serviço”, exemplifica a responsável da Comissão Europeia.
Cláudia Webster-Saraiva lembra que a União Europeia é um mercado com 450 milhões de consumidores, cujos direitos devem ser protegidos pelas plataformas de serviços digitais. “Porque é importante que as plataformas tenham em conta o impacto que os seus serviços têm no bem-estar físico e mental das crianças”, alega.
Na mesa-redonda dedicada à relação dos jovens com os serviços digitais e com a inteligência artificial, a representante da Comissão Europeia esteve acompanhada pela investigadora Joana Gonçalves de Sá, pelo professor universitário Luís Barreto Xavier e pelo especialista em Inovação e Transformação Digital no Setor Público Tiago Cunha Martins. Em cima da mesa estiveram as diferentes velocidades a que andam a tecnologia, o direito e a educação, com múltiplos impactos no crescimento dos jovens em contexto digital.
Sofia Marta: uma responsabilidade que vai além das plataformas
Sofia Marta, country manager da Google Cloud em Portugal, reconhece que “não é fácil conseguir acompanhar esta evolução e traduzi-la para as nossas soluções da forma que acreditamos ser mais segura. Mas levamos muito a sério todas as questões ligadas à inteligência artificial generativa”, assegura.
“Como plataforma, temos a responsabilidade de traduzir nas nossas soluções a melhor maneira de a utilizar. E isto acontece de modo contínuo e progressivo”, admite Sofia Marta. “Mas a responsabilidade não é só das plataformas, nem só dos governos”, alega a responsável da Google. “É de todos nós, enquanto parte da sociedade, sejamos pais ou não. Todos devemos ter a curiosidade de querer saber mais”, sustenta.
João Ribeiro: capacitar jovens para decisões mais conscientes
É precisamente esta abordagem colaborativa que destaca João Ribeiro, country manager da DECO PROteste. “Temos de trabalhar em conjunto. É assim que consideramos possível capacitar os jovens com ferramentas para tomarem melhores decisões, serem críticos e serem capazes de aproveitar todo o potencial que esta nova realidade nos traz”, sublinha o responsável da DECO PROteste, reconhecendo o trabalho feito nos oito anos do projeto Net Viva e Segura, em parceria com a Google.
“Que seja mais um dia em que podemos reforçar o nosso saber para capacitar os nossos jovens para a literacia digital e para a inteligência artificial, que é hoje uma realidade da qual não podemos fugir”, reforça João Ribeiro.
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