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Picadas de peixe-aranha, alforrecas e insetos: como tratar

Algumas das alergias mais comuns têm origem em picadas de insetos e outros animais, principalmente nas épocas de calor. Se for alérgico, a zona afetada incha e pode permanecer assim uns dias. Saiba como agir.

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30 junho 2026
Senhor a ser picado por um inseto, no exterior

iStock

As picadas de insetos e de outros animais estão na origem de algumas das alergias mais comuns, sobretudo nos meses mais quentes. Na maioria dos casos, provocam apenas dor, vermelhidão e inchaço local. Contudo, em pessoas alérgicas ou perante determinadas espécies, podem desencadear reações mais graves que exigem assistência médica imediata.

Quando um inseto ou outro animal injeta veneno na pele, é normal surgir uma reação localizada. Nas pessoas alérgicas, o inchaço pode ser mais acentuado e persistir durante vários dias. Se o veneno entrar na corrente sanguínea, pode desencadear uma reação generalizada, provocando sintomas como vómitos, diarreia, dificuldade respiratória e crises de asma. Nestas situações, procure ajuda médica sem demora.

Embora Portugal não tenha espécies particularmente perigosas, as ocorrências mais comuns envolvem abelhas, vespas, escorpiões (lacraus), alforrecas, caravelas-portuguesas, peixes-aranha e serpentes.

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Como prevenir picadas

Alguns cuidados simples podem reduzir significativamente o risco de picadas de insetos e de outros animais:

  • Evite perfumes, cremes muito perfumados e odores adocicados que atraem insetos.
  • Não se aproxime de ninhos de vespas ou abelhas.
  • Evite enxotar insetos com movimentos bruscos.
  • Durante o verão, tenha especial cuidado ao consumir fruta ou bebidas açucaradas ao ar livre.
  • Não caminhe descalço na relva nem se deite diretamente sobre ela.
  • À noite, mantenha-se afastado de fontes de luz intensa, que atraem muitos insetos.

Quem sofre de alergia grave ao veneno de insetos deve consultar o médico sobre a necessidade de transportar uma caneta de adrenalina. Esta só pode ser comprada com receita médica. Veja, caso a caso, como proceder numa situação de ataque de um inseto ou outro animal e, em caso de dúvida, contacte o Centro de Informação Antivenenos, através do número 800 250 250.

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Abelhas e vespas: como retirar o ferrão?

Algumas pessoas são alérgicas ao veneno das abelhas e das vespas. O local afetado incha e podem desenvolver-se outras reações:

  • inchaço da face e dos membros;
  • crises de asma;
  • erupção cutânea;
  • nariz a pingar;
  • diarreia;
  • vómitos;
  • descida da tensão arterial. 

Em caso de picada de abelha, retire cuidadosamente o ferrão, raspando com a unha ou com um cartão multibanco. Nunca aperte a zona, nem use uma pinça, para evitar espalhar o veneno. Lave com água e sabão. 

Perante dor e inchaço, arrefeça a zona com uma compressa fria ou gelo envolto num pano. Em caso de necessidade, tome um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno). Se tiver alergia à picada destes animais, sentir dificuldade a respirar ou a tensão baixar, vá de imediato ao médico. 

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Alforreca: lavar a ferida com água do mar

Este animal gelatinoso e transparente pode "atacar" de surpresa. Os seus tentáculos continuam a ser venenosos durante várias semanas, pelo que as alforrecas são perigosas, mesmo quando aparecem inertes, à beira-mar.

     
    A alforreca é transparente e tem um aspeto gelatinoso, e a sua picada provoca uma dor intensa.

    A picada pode ser perigosa e provoca uma dor intensa, comparável a uma descarga elétrica. Se estiver numa praia vigiada, peça ajuda ao nadador-salvador. Caso contrário, proceda do seguinte modo:

    • lave a ferida com água do mar ou soro fisiológico. Não utilize água doce, pois pode rebentar as células urticantes que restam;
    • evite mexer-se, para a toxina não se espalhar pelo corpo; 
    • não deve friccionar a ferida, limpar com álcool ou vinagre;
    • retire os filamentos que restam com uma pinça ou uma luva (não toque com os dedos); 
    • para diminuir a dor, enrole gelo num pano e ponha sobre a picada. 

    Dirija-se às urgências se apresentar dificuldade respiratória, dor no peito ou se a área afetada for extensa ou particularmente sensível, como o rosto ou os genitais.

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    Caravela-portuguesa: lavar sem esfregar

    A caravela-portuguesa (Physalia Physalis) é a espécie mais perigosa da costa portuguesa. Possui uma campânula avermelhada ou vermelha-azulada e flutua à superfície do mar. Os tentáculos podem atingir até 30 metros de comprimento. É nos tentáculos que se encontram células urticantes que, ao toque, podem originar sintomas como urticária. Esta espécie surge com frequência ao longo da costa portuguesa, incluindo nos Açores e na Madeira, e é a mais perigosa de todas as que aqui habitam.

    O contacto provoca sensação de calor, ardor ou queimadura, nos primeiros 15 minutos. Podem até aparecer na pele algumas bolhas com líquido. Mais tarde, surge dor, que pode ser intensa, de instalação rápida e com sensação de formigueiro e comichão. Estas queixas são tão mais intensas quanto maior a quantidade de filamentos contactados com a pele e o tempo de duração do contacto.

     
    Os tentáculos da caravela-portuguesa podem atingir até 30 metros de comprimento e um pequeno toque pode causar urticária.

    Se tocar numa caravela-portuguesa:

    • lave, sem esfregar, a zona com água do mar (nunca com água doce);
    • remova cuidadosamente possíveis vestígios com uma pinça ou um cartão bancário;
    • pode aplicar compressas quentes ou vinagre para aliviar a dor (nunca álcool);

    Perante dificuldade respiratória, sinais de choque ou dor persistente, procure assistência médica urgente.

    Caso aviste uma caravela-portuguesa na praia ou no mar, mantenha distância e alerte outras pessoas. Localizadas nos tentáculos, as células urticantes das caravelas-portuguesas podem causar queimaduras severas, mesmo após a morte do animal. 

    Sempre que avistar um organismo gelatinoso que se assemelhe a uma alforreca ou a uma caravela-portuguesa, deve notificar as autoridades através da app ou do e-mail do programa GelAvista (plancton@ipma.pt), informando sobre a data e hora do avistamento, localização e fotografias (se possível com algum objeto que sirva de referência de escala).

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    Ouriço-do-mar: retirar os espinhos com pinça

    Os ouriços-do-mar habitam zonas rochosas pouco profundas e podem provocar ferimentos quando são pisados.

    Se pisar um ouriço-do-mar, os espinhos (que são muito frágeis) podem partir-se e penetrar na pele. 

    • retire os espinhos, se possível, com uma pinça;
    • depois, lave a zona afetada com água doce e desinfete a ferida;
    • se não conseguir retirar os espinhos, use uma gaze com água e vinagre para amolecê-los ou dissolvê-los;
    • se verificar que a ferida não está a sarar bem, vá ao médico.
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    Peixe-aranha: água quente na zona afetada

    O peixe-aranha costuma permanecer enterrado na areia, tornando-se difícil de detetar. É frequente em algumas praias portuguesas, sobretudo no Algarve.

    A sua picada provoca dor intensa e pode originar náuseas, vómitos, dores de cabeça ou diarreia.

    Em caso de picada:

    • saia imediatamente da água e, se puder, peça ajuda ao nadador-salvador;
    • se não tiver ajuda, mergulhe a zona afetada em água tão quente quanto possível, durante 30 a 90 minutos, para aumentar a temperatura no local da picada e destruir o veneno;
    • se existir algum espinho visível, remova-o cuidadosamente com uma pinça. Não toque com os dedos;
    • lave a ferida com água e sabão, passe por água fresca e deixe secar ao ar (nunca cubra a zona afetada);
    • não urine sobre a picada nem aplique sprays anestésicos.

    Vá ao médico se o ferrão não sair, se estiver numa articulação ou se a inflamação e a dor se agravarem. Nalguns casos, é necessário antibiótico e a vacina antitetânica, se não estiver em dia. Para reduzir as dores, tome um analgésico e desinfete regularmente a ferida.

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    Lacraus: aplicar gelo

    Este tipo de escorpião, frequente no nosso país, pode ser encontrado em zonas quentes, secas e de vegetação reduzida. Geralmente, esconde-se debaixo de pedras ou troncos.

    A picada de escorpião provoca uma dor intensa e vermelhidão, entre outros sintomas. O membro atacado (em regra, perna ou braço) deve ser imobilizado. O único tratamento consiste em desinfetar o local com cuidado e aplicar gelo, enrolado num pano, para reduzir a dor.

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    Serpente: imobilizar o membro afetado

    Em Portugal existem duas espécies de víboras venenosas: a víbora-cornuda (Vipera latastei) e a víbora-de-Seoane (Vipera seoanei). Embora as mordeduras normalmente não sejam fatais, podem constituir uma emergência médica. O risco é maior em idosos, crianças e pessoas doentes.

    A mordedura de víbora pode originar uma situação clínica potencialmente grave. Provoca dor intensa no imediato e inchaço progressivo do membro atingido, que pode levar a falta de circulação sanguínea nesse membro, exigindo uma intervenção médica urgente.

    Após contactar os serviços de emergência:

    • imobilize o membro afetado (o braço ao peito, por exemplo);
    • se tiver náuseas, a posição lateral de segurança é indicada para evitar engolir o líquido gástrico;
    • retire anéis, pulseiras e relógios, já que podem funcionar como garrote na zona atingida;
    • lave cuidadosamente a ferida e limpe-a com um antissético;
    • aplique gelo envolto num pano, para aliviar a dor.

    Nunca faça cortes, nem tente sugar o veneno. Evite utilizar álcool ou éter na limpeza da ferida, pois favorecem a propagação do veneno.

    Uma avaliação médica rápida é essencial para prevenir complicações.

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