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Queda de cabelo: descubra o que funciona de verdade

A queda de cabelo é comum, mas nem todos os tratamentos funcionam. Entre suplementos alimentares, champôs e loções, medicamentos e transplantes capilares, há muita desinformação. A DECO PROteste diz-lhe o que tem eficácia comprovada, o que é inútil e quando deve procurar ajuda médica. Aproveite ainda para testar os seus conhecimentos sobre o tema.

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18 maio 2026
Homem a observar as entradas no cabelo

iStock

A queda de cabelo afeta homens e mulheres. Pode ter várias causas, desde situações temporárias até calvície permanente. Entre promessas de champôs milagrosos, suplementos alimentares que dão força ao cabelo e tratamentos caros, nem tudo funciona.

Mas há tratamentos com efeitos demonstrados. Continue a ler para saber quais são e quando deve agir.

Queda de cabelo: normal ou sinal de problema?

A queda de cabelo temporária é normal. Por norma, perdemos entre 50 e 100 fios de cabelo por dia sem que reparemos. 

O problema surge quando essa queda se torna persistente, visível ou acompanhada de outros sintomas.

Marque consulta com o médico de família ou com um dermatologista se:

  • a queda ultrapassar regularmente 100 cabelos por dia (mais ou menos uma madeixa);
  • dor;
  • comichão;
  • irritação do couro cabeludo;
  • surgirem peladas (áreas sem cabelo).

Queda de cabelo ou calvície: qual a diferença?

A queda de cabelo tem diferentes causas, características e durações. De vez em quando, ocorre uma queda anormal de cabelo (alopecia).

Na maior parte das vezes é temporária, e o crescimento do cabelo retoma a normalidade passado algum tempo, mas noutras é irreversível. Perceber as diferenças é essencial para escolher o tratamento certo.

TIPOS DE QUEDA DE CABELO
Tipo de queda de cabelo Características Evolução prevista
Alopecia pós-parto Ocorre especificamente após o parto O crescimento do cabelo retoma a normalidade passado algum tempo
Alopecia ocasional Após doença grave que tenha provocado febres prolongadas, perturbações hormonais ou certos tratamentos, como a quimioterapia A queda é temporária e resolve-se com o tempo
Alopecia seborreica Causada pela produção excessiva de sebo, em consequência de um desregulamento hormonal ou de diversas circunstâncias ligadas ao modo de vida, como o stresse muito intenso, um choque emocional, entre outros A queda diminui quando as causas desaparecem
Alopecia areata Perda súbita de cabelo só em determinadas zonas, geralmente em placas redondas ou ovaladas (peladas), após um evento importante na vida (doença, gravidez, trauma, etc.). As causas são desconhecidas, mas o sistema imunitário pode estar na origem Em geral, resolve-se, de forma natural, após alguns meses (caso contrário, marque consulta num dermatologista)
Alopecia androgénica (calvície) Queda de cabelo difusa, mais evidente na coroa, geralmente acompanhada por diminuição progressiva da espessura do cabelo e aumento da produção de sebo. Atinge cerca de metade dos homens adultos e é causada sobretudo por fatores hereditários e hormonais. Pode afetar as mulheres após a menopausa, mas em menor proporção Irreversível

Soluções para a queda de cabelo

Quando os cabelos começam a partir sem bilhete de regresso, como sucede no caso da alopecia androgénica, normalmente de origem genética, há três soluções possíveis, mas só o transplante permite o repovoamento do couro cabeludo.

1. Medicamentos

O uso de medicamentos, como a solução tópica de minoxidil e os comprimidos de finasterida, demonstrou alguma eficácia, mas os resultados são variáveis e limitados. Devem ser seguidos sem interrupção durante toda a vida, e ambos os produtos contam com efeitos secundários. Fale com o médico antes de usá-los, até porque a finasterida só é dispensada com receita.

Minoxidil

Vendido em solução de 2% e 5% (não há diferença de efeito), deve ser aplicado no couro cabeludo duas vezes por dia, durante alguns meses.

É mais eficaz para tratar áreas pequenas (5 a 10 centímetros) e em perdas de cabelo recentes (menos de cinco anos).

Os benefícios, quando existem, começam a ser visíveis ao fim de quatro a seis meses.

Finasterida

A finasterida pode ter alguma eficácia na calvície dos homens, mas apresenta alguns riscos, como alterações da libido. Só é dispensada com receita médica.

2. Transplante capilar

Consiste em retirar pequenos pedaços do couro cabeludo ou folículos capilares individuais, em geral, da parte de trás da cabeça, implantando-os na zona calva.

Trata-se de uma operação cirúrgica, sob anestesia local, pelo que deve ser da responsabilidade de um médico, de preferência, com conhecimentos em tricologia, área da dermatologia que se dedica ao tratamento de distúrbios capilares.

Existem, principalmente, duas técnicas de transplante:

  • FUE (do inglês follicular unit extraction) – o cabelo é extraído e, posteriormente, implantado apenas o folículo capilar (uma espécie de fábrica celular, que produz entre um e quatro fios de cabelo). Exige que se rape o cabelo. Na zona dadora, ficam tantas microcicatrizes circulares quantos os folículos extraídos;
  • FUT (do inglês follicular unit transplant) – retira-se uma pequena faixa de pele, que, depois, é dissecada. O folículo é implantado juntamente com algum tecido envolvente. Deixa uma cicatriz mais longa e linear.

A opção por uma ou outra é feita caso a caso, sendo que ambas podem dar bons resultados.

Antes de avançar para um transplante de cabelo, o candidato deve ser avaliado por um médico. Entre outros aspetos, é importante que o profissional determine:

  • a origem da calvície;
  • o estilo de vida do paciente;
  • as expectativas do paciente;
  • se existe uma doença inflamatória no couro cabeludo que impeça os implantes;
  • a disponibilidade de uma zona dadora saudável – em geral, na parte de trás da cabeça –, com folículos suficientes e de qualidade.

3. Perucas

As perucas são uma solução imediata, sem dor e sem riscos, mas a fixação pode não ser total.

É possível que se desloque durante o sono, em caso de transpiração abundante, por exemplo.

Existem dois tipos de perucas:

  • cabelo natural – bastante mais caras do que as sintéticas, duram entre três e quatro anos, e suportam penteados;
  • cabelo sintético – são mais baratas do que as naturais, mas duram apenas seis a nove meses, podem dar comichão e calor, e não permitem alterações. A cor mantém-se com o sol.

O que não funciona para a queda de cabelo?

  • Suplementos alimentares: a carência de vitaminas e minerais pode afetar o cabelo (por exemplo, o défice severo de zinco causa calvície e problemas no couro cabeludo, e a falta de ferro está relacionada com a queda temporária de cabelo). Nestes casos, pode haver justificação para tomar suplementos. Contudo, as verdadeiras carências alimentares são raras e devem ser diagnosticadas pelo médico, que indicará a forma correta de as colmatar. O consumo desadequado de suplementos alimentares pode até implicar riscos para a saúde, pelo que só devem ser usados se houver um diagnóstico médico de carência, e com indicação deste profissional.
  • Champôs, ampolas e loções antiqueda: há uma grande variedade de produtos que garantem tratar e/ou prevenir a queda de cabelo, ou até favorecer o crescimento. No entanto, a eficácia de loções, ampolas e companhia nunca foi demonstrada, e os champôs antiqueda também não têm qualquer efeito.
  • Procedimentos de estética: todos os dias há novas técnicas que prometem combater a calvície, como a ozonoterapia, o laser ou a estimulação mecânica por massagem. Embora inofensivos, só conseguem melhorar a aparência do cabelo.

Como prevenir a queda de cabelo?

Não é possível prevenir a queda de cabelo, sobretudo quando as causas são genéticas. No entanto, manter um estilo de vida saudável é importante para o seu estado de saúde em geral, e do seu cabelo em particular.

  • Mantenha uma alimentação equilibrada.
  • Evite stresse extremo.
  • Pratique atividade física.

Produtos naturais para a queda de cabelo

Está por demonstrar a presumida eficácia de extratos botânicos, como os derivados do chá verde, a levedura de cerveja, as sementes de abóbora e a laranja. A cafeína e a capsaicina parecem ter algum potencial para fazer crescer o cabelo, embora sejam necessários mais e melhores estudos.

Veja em seguida o comentário a algumas mezinhas à base de produtos naturais que podem ser encontradas na internet.

  • Aplicação com óleo de alecrim: supostamente, melhora o fluxo sanguíneo local, reduz a inflamação e, possivelmente, inibe a ação da enzima 5-alfa-redutase e da DHT, mecanismos envolvidos na queda de cabelo. Embora promissor, ainda não existem evidências clínicas suficientes para confirmar a eficácia do óleo de alecrim na alopecia androgénica.
  • Máscara de óleo de coco: é rico em ácido láurico, que, pela sua natureza química, penetra facilmente no cabelo, tornando-o mais maleável e protegendo-o de danos e perda de proteínas durante a lavagem. Acredita-se também que possui propriedades antibacterianas e antioxidantes benéficas para o couro cabeludo, mas até ao momento não existem dados que comprovem propriedades antiqueda.
  • Aplicação de azeite: apesar de o azeite ser rico em antioxidantes e ácidos gordos essenciais, a sua utilidade para a queda de cabelo não vai além de relatos informais. Em laboratório, a capsaicina demonstrou promover o crescimento capilar (aumentando a síntese local de um importante fator de crescimento), mas, para além disso, não existem dados clínicos para tirar conclusões.
  • Aplicação de óleo da árvore do chá (tea tree): foi testado como remédio antialopecia num pequeno estudo clínico com cerca de 30 voluntários jovens do sexo masculino. No entanto, o óleo foi combinado com minoxidil 5% e diclofenac (um anti-inflamatório). Embora esta combinação se tenha mostrado mais eficaz do que o minoxidil isoladamente na redução da queda de cabelo (percecionada), comichão e sebo, nada pode ser afirmado sobre o óleo da árvore do chá com base neste estudo.
  • Envolvimento com borra de café: em laboratório, a cafeína do café mostrou ser capaz de estimular a proliferação celular na matriz capilar. Num pequeno estudo com 40 voluntários, um champô com 5% de cafeína foi mais eficaz do que o veículo para o crescimento capilar isoladamente, mas tal é insuficiente sustentar qualquer tipo de alegação.
  • Envolvimento com cerveja: a utilização pode surgir da noção de que o lúpulo contém naturalmente concentrações elevadas de um fitoestrogénio, o 8-PN, cuja utilização regular poderá ser útil na menopausa. Infelizmente, faltam dados em ambos os contextos: sintomas da menopausa e queda de cabelo.
  • Aplicação de sumo de cebola: o sumo de cebola foi testado como agente pró-crescimento em 45 indivíduos com alopecia areata. Após oito semanas, a aplicação de sumo de cebola resolveu a alopecia areata em cerca de nove em cada dez indivíduos, enquanto apenas um em cada dez no grupo placebo (constituído por 17 pessoas que aplicaram apenas água) apresentou melhorias. No entanto, este tipo de estudo dificilmente constitui uma prova de eficácia.

Questões frequentes

Nem tudo o que se diz sobre queda de cabelo é verdade. Há vários mitos que levam a dúvidas por parte dos consumidores. Respondemos às mais frequentes. 

O cabelo cai mais no outono?

Não é mito: as pesquisas sugerem que há um pico de queda de cabelo entre outubro e novembro. A razão é desconhecida, mas investigadores suecos descobriram que o cabelo das mulheres cresce mais no verão e isso pode dever-se à necessidade de proteger o couro cabeludo da radiação ultravioleta. Note, contudo, que perder cabelo todos os dias não significa que se está a ficar careca.

Usar secador, alisador, chapéu, laca, gel, mousse, peruca ou capachinho faz cair o cabelo?

Temos boas notícias: todas essas afirmações são mitos. Estas práticas não influenciam a vida do cabelo e não o fazem cair mais. Pode lavá-lo quantas vezes quiser, porque o champô só remove os fios que efetivamente já tinham caído. Apanhar sol também é inofensivo.

Cortar o cabelo frequentemente torna-o mais forte?

É irrelevante massajar o couro cabeludo ou cortar mais vezes o cabelo para fortalecê-lo. Não há evidências científicas que o comprovem. Contudo, ficamos com essa perceção porque ao cortar notamos mais o seu crescimento. Por outro lado, no seu processo normal de crescimento, os pelos/cabelos são mais grossos junto à raiz e vão-se tornando mais finos até à ponta. É por isso que quando crescem parece que engrossaram.

Fazer o pino faz parar a queda de cabelo?

Não. Esta posição faz aumentar a circulação sanguínea no couro cabeludo, mas não é por isso que cura o problema.

Fazer sexo com frequência ajuda a prevenir a queda de cabelo?

 A verdade é que fazer sexo com frequência não previne a queda do cabelo.

Apanhar sol na cabeça provoca calvície?

Não. Apanhar sol também não contribui para a queda do cabelo.

As pessoas com cabelo finos e oleosos têm mais problemas de queda?

Estas características (cabelo fino e oleoso) estão associadas ao padrão genético habitual das pessoas com alopecia androgénica. Por isso, sim, as pessoas com cabelos finos e oleosos têm mais problemas com a queda de cabelo.

Escovar e pintar o cabelo com frequência acelera a queda de cabelo?

Não. Escovar muito o cabelo e pintá-lo com frequência enfraquece o cabelo e fá-lo, sim, partir-se mais. Certos penteados também são prejudiciais, como tranças apertadas, tranças africanas, rabos-de-cavalo e rolos.

O uso de esteroides pode causar calvície?

É verdade que o uso de esteroides aumenta a calvície, uma vez que estes aumentam o nível de hormonas responsáveis pelo problema.

Usar chapéus ou escovas de pessoas com queda de cabelo transmite o problema?

Sim, mas apenas em casos de infeções do couro cabeludo, que não correspondem à maioria das queixas crónicas de queda de cabelo.

A calvície é genética?

Sim. É fundamental aceitar esta evidência e compreender as características do cabelo ao longo da vida. O ciclo de crescimento e de queda não é aceite por muitas pessoas, que buscam explicações alternativas. A calvície não se herda só da mãe; herda-se de todos os ramos da família.

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