No dia 30/4, procedi à compra de dois bilhetes para o espectáculo Requiem de Mozart, a realizar no ‘Auditorium’ em Lisboa, pelos quais paguei €60 + (€3,10 - custos de envio, CTT) + (€4,66 - custos da operação, +6% do valor da transacção +IVA). A falta de informação sobre o espectáculo levantou suspeitas junto de um familiar, o recipiente dos bilhetes, que iniciou um processo de pedidos de esclarecimento junto do website ticketline.pt, das juntas de freguesia relevantes e junto da própria IGAC. Deste processo, pouca ou nenhuma informação foi obtida através do website, mas foi possível estabelecer que tal sala de espectáculos não existe na localização que é dada em vários espaços na internet associados com a instituição ‘Auditorium’.Não tendo recebido qualquer comunicação prévia por parte do website ticketline.pt em relação ao evento, foi-me hoje enviado um e-mail a comunicar o cancelamento do espectáculo e a devolução dos €60 referentes ao valor dos dois bilhetes. Os termos e condições da compra explicitam claramente que em caso de cancelamento, a ticketline.pt não procede ao reembolso dos montantes associados com os custos da operação e, em circunstâncias normais, onde o cancelamento é imprevisível e usualmente por motivos de força maior, é admissível, embora uma prática questionável, que a empresa se recuse a reembolsar os seus clientes.No caso deste e de outros espectáculos pela mesma produtora e na mesma suposta sala de espectáculos, é impossível concluir que não estamos na presença de anúncios potencialmente fraudulentos aos quais foi concedida legitimidade por serem publicitados na plataforma da ticketline.pt. É também evidente que o website não fez as diligências necessárias para assegurar que não estava a induzir os seus clientes em erro e, mais grave, tal como os links e documentos em anexo demonstram, a empresa continua a oferecer bilhetes para concertos cuja realização é, no mínimo, improvável. Ou seja, a ticketline.pt está neste momento a par de pelo menos três cancelamentos de espectáculos num auditório que, de acordo com a junta de freguesia onde a suposta sala supostamente está localizada, não existe. A ticketline.pt não só reclama o direito de não ressarcir os seus clientes nos montantes referentes à sua própria receita (os custos de operação) quando não fez aquilo que lhe competia - as diligências necessárias para garantir que se tratava de um evento e promotoras devidamente autorizados -, como continua de forma dolosa a cobrar custos de operação, ou seja, a lucrar, com o anúncio de espectáculos que todos os indícios apontam ser fraudulentos. Não é legítimo que a empresa procure lucrar com a sua incompetência e, mais grave, com anúncios potencialmente fraudulentos quando já está a par da sua natureza.O comportamento da empresa Ticket Line, Lda. é preocupante e merecedor de atenção por parte da IGAC, já que a empresa insiste em lucrar indevidamente com anúncios potencialmente fraudulentos feitos no seu espaço e não vê problemas em continuar a anunciar eventos num espaço que não existe, em relação aos quais não esclarece juntos dos clientes quaisquer dúvidas, lucrando portanto com pleno conhecimento de que os eventos poderão ser fraudulentos.