M.L, cidadã portuguesa , residente na cidade do Porto vem por este meio expor a seguinte situação, que considera exigir a vossa atenção e consequente tomada de atitude, relacionada com o atendimento pós venda ao cliente, por parte da Caetano Gamobar, concessionário, reparador autorizado, distribuidor de peças da Peugeot, situado na Rua Delfim Ferreira, Porto,- Portugal.
Contextualização
Em dezembro de 2023 comprei uma viatura Peugeot 2008, através do referido concessionário.
Esta compra realizou-se a partir da entrega de um outro Peugeot, anterior a este, adquirido no mesmo concessionário, o que significa que é o segundo veículo que compro à Caetano Gamobar.
Mal comprei o referido automóvel, em Dezembro de 2023, apercebi-me de uma certa dificuldade na condução, visto que o volante, travava a direção que eu lhe dava.
Logo no primeiro contacto telefónico, chamei a atenção para este facto de o volante, constantemente, prender e dar uma espécie de golpe na direção contrária à que eu indicava. A condução parecia-me pouco fluída e, até, pesada.
Eis agora o relato dos factos.
1.Pouca importância dada às indicações do cliente, na situação de acompanhamento pós venda
Factos: Relatei a situação em várias ocasiões. No primeiro telefonema que me fizeram depois da compra e nos momentos das revisões, sempre realizadas nas instalações da Gamobar onde o tinha adquirido. Responderam -me que era uma questão de segurança, que o automóvel reagia quando se aproximava de uma linha contínua ou tracejada. Argumentei que isso não correspondia à realidade, porque não se verificava apenas nessa circunstância, mas durante toda a condução. Disseram sempre que iam verificar, o que nunca aconteceu.
2.Regras pouco claras, desadequadas e penalizadoras do cliente, nos momento de vistoria marcada previamente e reparação. Prazos completamente ultrapassados. Penalização dos clientes através de sistemas de automóvel de substituição absolutamente absurdo.
Factos: Só na última revisão , em 7 de janeiro de 2026, depois de eu exigir que alguém da parte mecânica me acompanhasse para confirmar o que eu afirmava, e depois da referida confirmação, me agendaram, uma outra data,12/01 de 2026, para verificar o diagnóstico da situação.
Mais: essa reparação, apenas ficou pronta em 30 de janeiro, pelo que tive de aceitar um automóvel de substituição, para o qual fui obrigada a deixar uma caução de 1.250 euros, situação que já tinha sucedido na revisão anterior,(caução de 1000 euros) visto que o carro tinha ficado na oficina dois dias
Situações que se repetem: quando se marca uma revisão, com agendamento, os horários devem ser cumpridos, quer pelo cliente, quer, e principalmente, pela oficina da Caetano Gamobar. No entanto, isso não acontece. Na primeira revisão, pedi que me fosse feita a lavagem interior e exterior do automóvel. Quando fui buscar o carro, na hora contratualizada, foi-me informado que não estava pronto, pelo que tive de esperar um tempo infinito. Quando exigi que me entregassem o carro, pois tinha de ir buscar uma criança ao infantário, sem falta, informaram-me que não podiam fazer a lavagem do carro, porque não tinham tido tempo. Para “compensar a situação” fariam a lavagem , sem custos, na revisão seguinte. Sobre a questão do volante, nada a registar.
Nota: no entanto, já vi aceitarem, à minha frente, automóveis para revisão ou reparação sem hora marcada ( apesar de os acessores de receção dizerem ao cliente que não podem aceitar...basta que o cliente seja “insistente “).
3.Negligência e falta de profissionalismo.
Factos: Na segunda vistoria (Janeiro de 2026) houve um outro incidente, grave, e que colocou em causa a minha segurança.
Ao retirar o automóvel, que tinha sido vistoriado nesse mesmo dia, logo à saída da Gamobar( mais ou menos 30 a 50 metros) , a potência do automóvel começou a falhar e as luzes de alarme e avarias várias a acender e a sensação que o automóvel ia apagar-se completamente, no meio da rua. Parei o automóvel e dirigi-me , de novo, à receção. Aconselharam-me a deixar o carro de novo, para ser visto, de novo, no dia seguinte. Fiquei sem carro nesse dia, tendo de me deslocar de taxi para casa.
No dia seguinte, chamaram-me. Fui, de novo, de taxi. Perguntei o que tinha sido. Disseram-me, depois de uma pequena conversa impercetível entre dois funcionários, que tinha sido uma vela, que viera com defeito de origem. Assim. Sem mais nem menos.
Pergunta: Então e ninguém da parte técnica /mecânica reparou nesta circunstância?
Não se testa o funcionamento do automóvel no final da manutenção? Não se detecta uma peça que coloca em causa a segurança do cliente. À saída de uma vistoria caríssima?
A minha falta de confiança no acompanhamento e manutenção realizado sempre na oficina da Gamobar, que já estava bastante abalada, aumentou consideravelmente. Nunca vi qualquer peça estragada, nem a que a substituiu. Nunca ninguém me abordou, da parte da mecânica, para me explicar o que quer que fosse. As pessoas que fazem o atendimento direto ao cliente nunca sabem de nada.
4.Consequências para a saúde física e mental do cliente
Todo este processo me abalou terrivelmente. O facto é que a tensão provocada pela condução dura e constantes solavancos provocados pelo funcionamento deficiente do volante me provocaram pressões musculares , principalmente no ombro esquerdo e cervical, tendo sido identificada uma situação de “alterações compatíveis com tendinose do supra-espinhoso” ( excerto de relatório médico de 25 /06/2025). Além disso, todo este processo me tem colocado numa situação de stress que se plasma na vida diária e, principalmente, na relação com a família e amigos.
5.Conclusão
Em suma, considero que a monitorização dos procedimentos no atendimento ao cliente, por parte da Caetano Gamobar, deve ser avaliada em pormenor e revista na sua concretização.
Além disso, e tendo em conta o exposto, considerando que o veículo se encontra dentro do prazo de garantia e visto que a minha confiança na fiabilidade e segurança do referido veículo ficou completamente destruída, solicito que me seja atribuído um veículo novo, da mesma marca e caraterística, sem que me seja exigido qualquer custo ou despesa adicional.
P.S. - Enviei este email de reclamação para três alegados responsáveis a saber: diretora da Peugeot na Península Ibérica; Diretor da comunicação da Peugeot; CEO do grupo Salvador Caetano.
Passados alguns dias, recebi um telefonema de uma pessoa do serviço de atendimento ao cliente, que embora sempre simpática, me fez voltar a explicar tudo aquilo que está escrito, e que penso ser claro.
No final, o conselho que me deu e que, segundo ela, dá a todos os clientes, foi o seguinte: "quando o cliente não está contente com a oficina, mude de oficina". Pasme-se perante tal lucidez...
Considero, assim, que todo este final, que foi concluído com um email a dizer que assim se dava por terminado o processo, justifica, mais uma vez, o desprezo com que estas empresas, tanto a Peugeot como a Gamobar Porto, lidam com os seus clientes, que cumprem as regras, e que ilusória e ingenuamente, confiam nos seus serviços.
Não me conformo com esta circunstância.
Porto, 2 de fevereiro de 2026