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Ilhas Atlânticas da Galiza à vista

Portugal tem muitos parques naturais, mas apenas um parque nacional: o da Peneda-Gerês. Em Espanha, os parques nacionais são 16. Venha daí connosco e descubra as Ilhas Atlânticas da Galiza.

  • Texto
  • Paula Sofia Silva
13 julho 2021
  • Texto
  • Paula Sofia Silva
Praia de Rodas na Galiza

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Natureza e fuga ao bulício do dia-a-dia são essenciais para retemperar o corpo e o espírito. E não é preciso ir muito longe. Portugal oferece diversas possibilidades e, do outro lado da fronteira, também não faltam opções.

O Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza situa-se na costa sul galega, na zona das Rias Baixas (províncias de Pontevedra e Corunha), não muito longe de Caminha e de Valença. É constituído por quatro grupos de ilhas: Cíes, Ons, Cortegada e Sálvora. As suas falésias, matas, dunas, praias e os seus leitos marinhos criam uma grande variedade de habitats que albergam, entre outras espécies, as colónias mais importantes de corvo-marinho-de-crista e de gaivota-de-patas-amarelas no território espanhol. Aqui os sardões são os maiores da Europa e, no mar, há uma grande variedade de peixes, moluscos, crustáceos e, por vezes, golfinhos. A Ilha de Cortegada tem uma das maiores florestas de laurissilva monoespecífica da Europa, com espécimes que atingem os 12 metros. No fundo do mar, destacam-se as florestas de algas castanhas.

Para compatibilizar a proteção do espaço e das espécies aí existentes com a fruição dos visitantes, vigoram, entre outras medidas, um limite máximo de pessoas por ilha, a inexistência de caixotes do lixo (cada visitante deve levar consigo os seus resíduos), a obrigatoriedade de circular apenas nos trilhos assinalados e a restrição do acesso a determinados locais. O parque proporciona aos visitantes passeios gratuitos guiados nas ilhas Cíes e Ons, sujeitos a inscrição prévia. Existem centros de informação turística em todas as ilhas, junto ao ponto de chegada de barco.

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As ilhas de Cíes e de Ons têm parque de campismo. Nesta última também é possível arrendar quartos. Fora do parque, existe uma ampla oferta de alojamentos nas Rias Baixas. Os restaurantes locais, também nas ilhas Cíes e Ons, permitem saborear uma ampla oferta gastronómica em que se destacam os produtos do mar, peixe e marisco.

Arquipélago das Cíes

As Cíes formam uma barreira natural entre a Ria de Vigo e o alto-mar. As ilhas principais são Monteagudo, Faro e San Martiño, além de outros pequenos ilhéus. Por aqui foram encontrados vestígios que remontam ao Paleolítico e ao Neolítico. Também o fundo do mar esconde tesouros, entre galeões da Era Moderna, submarinos nazis da Segunda Guerra Mundial ou navios naufragados nas últimas décadas. Em terra, destacam-se alguns edifícios: o Mosteiro de Santo Estevo foi habitado por monges na Idade Média e, mais tarde, transformado num paiol. Sobre as suas ruínas encontra-se o Centro de Informação Turística da ilha. Quatro faróis assinalam a entrada para a Ria de Vigo: Farol de Cíes, de 1852, Farol do Peito, Farol da Porta e Farol dos Bicos, do século XX. Para apreciar as vistas, Pedra da Campá e Alto do Príncipe são dois dos locais recomendados. 

Atividades também não faltam. No topo da lista, tomar um banho na belíssima Praia de Rodas, que une as ilhas Monteagudo e Monte Faro, deixando de permeio uma lagoa salgada conhecida por "O Lago". Quando há cheias, a ponte sobre o lago fica submersa. Há outras praias na ilha, como a de Nosa Señora, Figueiras (tradicionalmente uma praia de nudistas) e Areiña. Existem trilhos acessíveis de apenas dois, três quilómetros, e, para descobrir os tesouros do fundo do mar, são organizadas saídas diárias. Há ainda atividades de observação astronómica. Informe-se nos serviços administrativos do parque sobre a organização destas atividades. O Centro de Informação Turística está situado a cerca de cem metros do molhe, na Praia de Rodas. Aí se encontram alguns restaurantes e um parque de campismo onde a pernoita carece de reserva.

Arquipélago de Ons

Situa-se à entrada da Ria de Pontevedra, que protege dos ventos fortes de oeste e sudoeste. Ons é a principal ilha do arquipélago, seguida da vizinha Onza. Tem abundantes riachos sazonais, fontes e aquíferos (sem garantias sanitárias). Em 899, o arquipélago era propriedade dos reis da Galiza, passando mais tarde para a Igreja, até ao século XVI, quando as ilhas foram doadas à família Montenegro e, mais tarde, a outras famílias nobres. Em 1943, com a intenção de instalar uma base submarina que nunca foi construída, o Governo expropriou a Ilha de Ons, até que, em 1982, ficou sob administração da Xunta de Galicia. Os habitantes tinham o estatuto de colonos, com uma concessão por 75 anos, e, atualmente, reivindicam o direito de propriedade das casas que eles e os seus antepassados construíram. Ao longo dos anos, a pesca tem sido a atividade principal, complementada com a agricultura e a criação de gado. Ons é a única das ilhas atlânticas com uma população estável, que no verão pode chegar às 80 pessoas. Existem nove pequenos bairros, dos quais O Curro é o mais popular. Entre as atrações locais destacam-se o Buraco do Inferno (uma gruta marinha, numa falésia, cujo teto abateu), a Fortificação do Castelo, a Igreja de San Joaquín e o Farol de Ons, um dos de maior alcance em Espanha, situado na parte mais alta da ilha. Acendeu-se pela primeira vez em 1865.

Para os visitantes, as principais atividades são percorrer os trilhos pedestres ou ir a banhos em várias praias da ilha: Canexol, Das Dornas, Area dos Cans e Melide (de tradição nudista). O Centro de Visitantes, situado na antiga escola, alberga uma exposição sobre a história e os costumes dos habitantes de Ons. Também conta com um restaurante e um parque de campismo, mas é necessária autorização prévia para acampar.

Arquipélago de Sálvora

A Ilha de Sálvora situa-se na foz da Ria de Arousa, a cerca de três quilómetros de terra firme. Pertence ao município de Riveira e ocupa uma superfície de 248 hectares, com uma cota máxima de 71 metros. A ilha está totalmente desabitada, mas já existiu aqui uma pequena aldeia. Expropriada pelo Estado em 1904, a família Otero-Goyanes recuperou a propriedade em 1958, por um período de 99 anos, e transformou-a numa coutada de caça privada. Aos poucos, os colonos foram abandonando a ilha: o último habitante partiu em 1972. Resta agora a Sereia de Sálvora, a estátua que vigia a linha do horizonte a partir das rochas da praia do porto. Como património edificado, destacam-se o Farol de Sálvora, operado por faroleiros até 2018, o Paço de Goián ou Paço de Sálvora e a Capela de Santa Catalina.

O Trilho do Farol e o Trilho da Aldeia, com uma distância a percorrer inferior a dois quilómetros, são acessíveis à maioria das pessoas, mas o segundo só pode ser efetuado com guias autorizados. Para banhos de mar, terá de rumar à Praia do Armazém.

Arquipélago de Cortegada

Além da Ilha de Cortegada, a maior de todas, o arquipélago conta com outros grupos de ilhéus: Ilhas Malveiras, Ilhas Briñas e O Con. Situa-se no interior da Ria de Arousa, separada da costa por um canal de cerca de 200 metros de largura, um grande banco de areia convertido, há vários séculos, num viveiro de marisco, onde é cultivada a amêijoa de Carril, com denominação de origem. Tem uma superfície terrestre de 54 hectares de terreno plano (o ponto mais alto atinge os 22 metros). O único curso de água é um riacho que corre junto à ermida e que não oferece garantias sanitárias. Mesmo ao lado do cais de embarque, na parte sul da ilha, podem ver-se as ruínas da antiga povoação: casas, fornos de pedra, bebedouros e os típicos faladoiros (bancos junto ao parapeito das janelas, onde as pessoas conversavam). A Igreja da Virgem dos Milagres, já em ruínas, ainda que relativamente bem conservadas, é a construção mais proeminente da ilha. Pode visitá-la fazendo o Trilho da Igreja, um percurso circular com pouco mais de três quilómetros e com um grau de dificuldade baixo. Não deixe de ir ver as vistas ao Miradouro da Ria, situado em frente às Ilhas Malveiras.

Os naufrágios das Ilhas Atlânticas

Ao longo da história, foram documentados numerosos naufrágios em frente às Ilhas Atlânticas. Os temporais, típicos desta zona do Atlântico, fizeram estragos, inúmeras vítimas e desastres ambientais, como a maré negra provocada pelo petroleiro Prestige, em 2002, depois de encalhar em frente à Costa da Morte. O naufrágio com mais perdas humanas ocorreu nos primeiros dias de 1921, em frente à Ilha de Sálvora, quando, em condições meteorológicas particularmente adversas, se afundou o navio de passageiros Santa Isabel. Morreram 213 pessoas e sobreviveram 56, graças à intervenção dos poucos habitantes que se encontravam na ilha, entre os quais quatro mulheres que se fizeram ao mar em pequenas embarcações tradicionais. Foram mais tarde condecoradas e recordadas como "as Heroínas de Sálvora".

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