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Produtos recondicionados: um em cada dez portugueses não conhece

Doze por cento dos portugueses que participaram num inquérito da DECO PROteste nunca tinham ouvido falar sobre produtos recondicionados. E metade ainda não tinha comprado um artigo deste tipo. Dos que compraram, no geral, a experiência foi positiva e para repetir.

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20 janeiro 2026
Mulher em loja de telemóveis recondicionados

iStock

Sabe o que são produtos recondicionados? Se respondeu negativamente, não está só. A DECO PROteste realizou um inquérito sobre produtos em segunda mão e recondicionados, e mais de um em cada dez (12%) dos participantes portugueses não estavam cientes do que são os recondicionados.

Se, nos 12 meses anteriores ao inquérito, 74% dos inquiridos tinham comprado algum artigo em segunda mão, apenas 38% tinham alguma vez na vida adquirido um produto recondicionado. Metade dos participantes nunca havia experimentado comprar estes produtos.

Telemóveis, computadores e pequenos eletrodomésticos são recondicionados mais comprados

Os bens recondicionados são recolocados à venda após utilização prévia ou devolução. No entanto, antes de voltarem ao mercado, são inspecionados, preparados, verificados e testados por um profissional. Têm de ser vendidos com a indicação de serem recondicionados.

De acordo com o inquérito da DECO PROteste, os grupos de produtos mais comprados no mercado de recondicionados são:

  1. telecomunicações – 57% dos compradores já tinham adquirido este tipo de artigos (por exemplo, smartphones);
  2. tecnologia computadores, tablets, impressoras e outros bens desta categoria foram adquiridos por 35% dos compradores;
  3. pequenos eletrodomésticos – produtos como aspiradores e micro-ondas, entre outros, foram a escolha de 22% dos compradores;
  4. brinquedos e jogos – consolas, videojogos, bonecas ou carros de brincar, por exemplo, foram bens adquiridos por 20% dos compradores;
  5. grandes eletrodomésticos e áudio/vídeo – 13% dos compradores optaram por artigos destes grupos, como frigoríficos, máquinas de lavar roupa, televisores, máquinas fotográficas, etc.

Maioria dos compradores satisfeitos e não excluem voltar a comprar recondicionados

Com base na compra mais recente que haviam feito à altura do inquérito, percentagens elevadas de consumidores que compraram bens recondicionados consideraram que a experiência tinha sido positiva e admitiam voltar a comprar. Foram muito menos os inquiridos que, apesar de terem gostado da experiência, não voltariam a repeti-la.

Uma pequena minoria de inquiridos considerou a compra negativa. Alguns ainda admitiam voltar a comprar um bem recondicionado, mas outros não tencionavam repetir.

Veja o resumo das experiências dos inquiridos na tabela abaixo.

BALANÇO DA COMPRA MAIS RECENTE DE PRODUTOS RECONDICIONADOS
Tipo de produto Positivo e admite voltar a comprar Positivo, mas não volta a comprar Negativo, mas admite voltar a comprar Negativo e não tenciona voltar a comprar
Telecomunicações 77% 14% 4% 5%
Tecnologia 81% 13% 4% 2%
Pequenos eletrodomésticos 72% 22% 3% 3%
Brinquedos e jogos 86% 6% 8% -

Homens jovens com mais tendência para comprar recondicionados

De acordo com os dados do estudo, quem tem maior probabilidade de comprar produtos recondicionados são homens com menos de 32 anos. Dos 38% de inquiridos que já compraram, quase dois terços encaixam-se neste perfil.

Por outro lado, mulheres a partir dos 35 anos são as que têm menor probabilidade de comprar este tipo de artigos. Menos de um quarto das inquiridas dessas idades tinha comprado um produto recondicionado.

Opiniões sobre produtos recondicionados dividem-se

Os produtos em segunda mão reúnem mais consenso do que os recondicionados. A grande maioria dos inquiridos considerava que alguns bens usados são quase tão bons como os novos e até que não vale a pena comprar um novo, sobretudo quando é para usar apenas algumas vezes.

No caso dos produtos recondicionados, somente 38% admitiram que sejam tão bons como os novos. No entanto, tendo em consideração apenas os inquiridos que já compraram um bem deste tipo, metade destes concordaram com a afirmação. Quando questionados sobre se a diferença de preço justifica a opção por um artigo recondicionado, apenas 29% dos inquiridos concordaram, contra 47% dos que já tinham feito esta compra.

Estes dados podem revelar que muitas opiniões são mais baseadas em preconceito do que em experiência. É importante saber que, desde 2022, apesar de serem bens já com alguma utilização, os produtos recondicionados gozam de três anos de garantia, tal como os novos. Durante os primeiros dois anos presume-se que as avarias se devem a defeitos de origem. Depois desse período, terá de ser o consumidor a provar que a avaria já existia quando o bem lhe foi entregue. Contudo, é verdade que faltam regras claras na comercialização dos produtos, que criem um clima de maior confiança junto dos consumidores.

Neste estudo foram recebidas 1047 respostas válidas para Portugal, tendo sido a amostra ponderada por género, idade (18 aos 74), região e nível de escolaridade, para refletir as tendências nacionais. Os resultados espelham as opiniões e experiências dos inquiridos.

euroconsumers Este projeto é uma iniciativa conjunta da Euroconsumers. Reunindo cinco organizações nacionais de consumidores e dando voz a um total de mais de 1,5 milhões de pessoas em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Brasil, a Euroconsumers é o principal grupo de consumidores do mundo em informação inovadora, serviços personalizados e defesa dos direitos dos consumidores.

 

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