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Slime de compra e caseiro com perigos

Há slime à venda perigoso para as crianças e já denunciámos a situação às autoridades. As receitas para fazer em casa também nem sempre são seguras.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Belchior
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
22 maio 2019
  • Dossiê técnico
  • Teresa Belchior
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
slime

iStock

O slime, substância viscosa e colorida que faz a alegria das crianças por esse mundo fora, tem-se tornado muito popular nos últimos anos. Uma vez que as crianças brincam com slime nas mãos, comprámos oito produtos e enviámo-los para um laboratório especializado na avaliação da segurança química. Pedimos que pesquisassem e quantificassem 19 elementos potencialmente perigosos, como ftalatos, solventes, estanho, crómio e boro, para saber se estavam presentes em quantidades acima do permitido, que pudessem colocar em risco a saúde das crianças, por contacto, inalação ou ingestão.

Tal como ocorreu noutros países, descobrimos dois produtos com boro em excesso (Poopsie Slime Surprise e Slime Intergalactic SLI0010) e outro com valores próximos do limite máximo (Nickelodeon Slime Super Stretchy). Já denunciámos os resultados à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

slime

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O problema do boro 

Foi o alerta dado no Safety Gate — Sistema Europeu de Alerta Rápido sobre produtos perigosos não alimentares —, e a retirada de produtos das prateleiras das lojas por conterem boro em excesso, que nos levou a investigar mais a fundo o slime. O boro, mais usado sob a forma de ácido bórico, é uma substância sem cor nem cheiro, que, acima de determinados valores, está classificada, na Europa, como tóxica para a reprodução e irritante em caso de inalação ou ingestão ou em contacto com os olhos. Em excesso, pode causar diarreia, náuseas, fadiga, vómitos e cãibras. O boro é usado para dar a consistência gelatinosa, extensível e resistente ao slime.

Misturar químicos em casa

A possibilidade de fazerem o seu próprio slime é o que deixa muitas crianças em “pulgas”, fruto dos milhares de vídeos de receitas que circulam no YouTube. Há de tudo: com ou sem cola, com dentífrico, espuma da barba ou ácido bórico, com dois ou três ingredientes, entre outras combinações.

Perguntámos numa farmácia se há procura pelo ácido bórico e, assim que o fizemos, quiseram saber se íamos fazer slime. Disseram-nos ainda que, dada a procura recente por esta substância, costumam ter várias embalagens na farmácia. Pagámos 1 euro por 30 gramas. O pior foi chegar a casa e ler as advertências na embalagem: “Pode afetar a fertilidade”, “conservar em local fechado” ou “usar equipamento de proteção”. Como é possível verificar nos vídeos online, nunca se vê qualquer equipamento de proteção.
Outro perigo é a mistura de substâncias químicas sem qualquer conhecimento e sem indicação concreta das quantidades a considerar. Nos vídeos, as crianças referem vários produtos que podem existir em casa, como cola e detergentes, mas nada dizem sobre as precauções a seguir.

Cuidados a seguir

Dada a popularidade desta pasta e a facilidade com que as crianças conseguem aceder a vários ingredientes, que, sem precauções e misturados aleatoriamente, se podem tornar perigosos, deixamos algumas recomendações. As receitas caseiras devem ser supervisionadas por adultos, mesmo que se trate de kits de preparação e que refiram não conter ácido bórico. Quando brincam com slime, as crianças não devem comer ou beber e, ao terminarem, é importante lavarem as mãos. Após a brincadeira, guarde o slimenum local fechado. E não se esqueça de conservar a embalagem original, para saber a quem reclamar em caso de problemas.

8 marcas de slime em laboratório

Como entram na categoria dos brinquedos, devem respeitar os requisitos fixados na diretiva europeia para a segurança destes produtos. Das oito marcas testadas, cinco revelaram-se seguras.

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