Dicas

Material escolar: como poupar e evitar substâncias tóxicas

Siga os nossos conselhos para poupar quando for comprar o material escolar. Saiba como escolher produtos com menos substâncias nocivas. 

26 setembro 2022
material escolar

iStock

Com o arranque das aulas, as superfícies comerciais e as lojas online são invadidas pelos mais variados materiais escolares, desde lápis a mochilas, de todas as marcas, cores e temáticas da moda, o que pode provocar um rombo no orçamento familiar. Há algumas boas práticas a adotar para um ano letivo menos dispendioso.

3 dicas para poupar no material escolar

  1. Comece por calcular quanto pode gastar em material escolar e evite ultrapassar o valor máximo definido.
  2. Espere sempre pela lista do material escolar necessário enviada pelos professores no início do ano. Não vale a pena comprar algo que depois não será utilizado.
  3. Depois de ter a lista do que é preciso, verifique se os materiais utilizados no ano letivo anterior ainda estão em condições e se podem ser utilizados durante o novo ano. Aqueles que já não estiverem em condições para serem utilizados na escola podem ser reutilizados em casa. Além disso, existem muitos materiais escolares em perfeitas condições que deixam de ser necessários devido à progressão escolar dos mais pequenos. Pode doá-los ou guardar para um familiar ou amigo que possa vir a precisar.

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Como evitar substâncias tóxicas

O material didático não-científico é abrangido pela diretiva dos brinquedos, mas nem sempre os fabricantes a consideram. Por isso, aconselhamos cautela: dispense substâncias nocivas como o PVC, os ftalatos e o bisfenol A. Tenha também atenção aos metais pesados que podem constar nos materiais escolares. Os ftalatos são considerados perigosos, uma vez que podem estar associados a desequilíbrios hormonais, deficiências congénitas, puberdade precoce, infertilidade, asma, entre outros.

Privilegie os produtos simples, robustos, recarregáveis e à base de materiais reciclados. Evite versões de fantasia, pois tendem a passar de moda. Dê preferência aos produtos sem embalagens demasiado grandes. 

Borrachas

As borrachas em cores naturais e sem invólucro em plástico são melhores. Prefira os modelos em borracha natural ou sintética, bem como as que dizem “sem PVC” ou “sem ftalatos”, não perfumadas e sem cor. Dê também preferência a borrachas que não tenham látex e que sejam feitas a partir de material reciclado.

Recomende às crianças que evitem colocar borrachas na boca, para que não ingiram substâncias nocivas. Não comprar modelos com forma de alimento ou com aromas já é uma boa prevenção. As borrachas não são tóxicas se forem ingeridas em pequenas quantidades. No entanto, existe o risco de asfixia, pelo que deve estar atento aos mais pequenos.

Corretores

Os corretores em fita são melhores do que os líquidos, que contêm solventes tóxicos. Além de não serem tóxicos, os corretores em fita são mais seguros para as crianças utilizarem, ao contrário dos corretores líquidos que podem conter tolueno, que é altamente tóxico. A inalação do líquido do corretor pode fazer com que o coração acelere e fique com batimentos irregulares, podendo também causar danos sérios e permanentes no cérebro, nos rins, no coração e no fígado.

Evite os corretores que exibam o símbolo de perigo.

Colas

Escolha colas sem solventes, à base de água ou de base vegetal, sem organismos geneticamente modificados e em stick em vez de líquidas. As colas mais presentes no mercado contêm PVA (acetato de polivinilo), epóxi e poliuretano, por norma, todos derivados do petróleo. No entanto, já existem no mercado colas que são quase 100% de origem natural e que incorporam materiais reciclados na composição da sua embalagem.

Acompanhe as crianças quando estas utilizam cola nos trabalhos de casa, para assegurar que estas não acabam por colocar o tubo de cola na boca.

Fitas-colas

As fitas-colas em polipropileno e à base de água devem ser preferidas, pois não têm solventes. Prefira também os suportes de rolos de fita-cola feitos em polipropileno.

Antes de comprar, verifique se a fita-cola é facilmente dissolvida em água para que se dissolva aquando da reciclagem do papel. Se for compostável, no fim do seu ciclo de vida vai dissolver-se facilmente em matéria orgânica, com boas propriedades para o solo, e não irá libertar produtos químicos e prejudiciais para o ambiente.

Cadernos

Os cadernos com argolas envoltas em plástico colorido são má escolha, pois normalmente contêm PVC. O símbolo vem na embalagem. Prefira os cadernos agrafados e feitos com papel reciclado. Estes são mais leves e utilizam menos materiais para a sua conceção. Além disso, a inclusão de material reciclado é uma característica bastante importante. De acordo com dados da Environmental Paper Network, a produção de uma única folha de papel sem conteúdo reciclado é responsável pela emissão de cerca de 0,014 quilos de dióxido de carbono. Se considerarmos a produção anual de papel, este valor é bastante elevado.

Dê também preferência a cadernos cujo papel seja proveniente de fontes sustentáveis. O rótulo FSC é um dos mais conhecidos. Por fim, tenha atenção a indicações associadas aos tipos de tintas utilizadas para colorir a capa. Dê preferência a tintas à base de água ou vegetais.

Canetas

As canetas de gel e as de cola contam com maior concentração de solventes irritantes para as vias respiratórias, a pele e os olhos. Nas canetas de feltro com aromas, concentram-se mais solventes com estas características. Há o risco de incluírem substâncias alergénicas. Prefira as canetas de feltro à base de água ou álcool, se possível com corantes alimentares e não sintéticos. Já os marcadores fluorescentes podem libertar acetona. A exposição prolongada a esta substância pode causar sonolência e tonturas.

Utilize sempre as canetas até ao fim, quer sejam descartáveis ou recarregáveis. Além disso, lembre-se de que as canetas não são recicláveis, pelo que uma caneta normal de plástico poderá demorar centenas de anos a decompor-se num aterro sanitário. Assim, é particularmente importante ter atenção ao material que as constitui e certificar-se de que estão sem tinta antes de as deitar fora; caso contrário, esta poderá libertar-se e contaminar o solo e a água. Atualmente, já existem canetas que são feitas a partir de material reciclado, por exemplo, garrafas de plástico ou papel ou jornais reciclados.

Lápis

Prefira os lápis não envernizados e com mina de cera natural. Sempre que possível, opte por lápis em madeira, com certificação FSC ou PEFC, que garantem o respeito pelas florestas no seu fabrico. As lapiseiras são mais duráveis; no entanto, têm um impacto ambiental superior ao lápis convencional, pelo que têm de ser usadas durante mais tempo. Se a criança não perder o material escolar com frequência, a lapiseira será a melhor solução. Caso contrário, opte por lápis feitos de materiais recicláveis. Há, também, lápis que contêm uma semente de planta, flor ou vegetal no seu interior que poderá plantar quando já não os conseguir utilizar mais.

Réguas

Ao escolher a régua, privilegie os modelos em metal, madeira não envernizada ou plástico reciclado. Evite os modelos flexíveis, que podem conter ftalatos. Escolha uma régua que tenha um design intemporal e que não faça referência a nenhum desenho animado da moda. Se conseguir resistir à pressão dos mais pequenos para comprar uma das réguas mais coloridas, esta poderá ser utilizada durante toda a vida escolar da criança, uma vez que nunca estará fora de moda.

Lancheiras e garrafas

Para lancheiras e frascos, procure modelos com o aviso “sem PVC” (ver fotogaleria) ou “sem BpA”. Assegure-se de que encontra o símbolo “Apto para contacto alimentar”.

Os recipientes de vidro são uma boa opção; no entanto, são mais pesados e podem-se partir, pelo que não são o mais indicado para crianças. Assim, a melhor hipótese poderá ser a compra de recipientes de alumínio. O mesmo aplica-se a garrafas de água reutilizáveis. Atualmente, existe uma vasta oferta no mercado. Além disso, ensine as crianças a optar por água da torneira em vez de água engarrafada. A água da torneira é totalmente segura.

Atenção ao peso da mochila escolar

Uma das preocupações principais, quando se trata de escolher a mochila, tem que ver com o seu peso. Postura incorreta e mochila com excesso de peso são maus hábitos que os jovens adquirem e que podem vir a causar problemas de postura, nas costas, no pescoço e nos ombros. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o peso da mochila com os livros não deverá exceder o equivalente a 10% do peso da criança.

Quando for comprar a mochila, leve a criança consigo, para que esta a experimente. Certifique-se de que o tamanho é adequado para a estatura (ajuste as alças para que fique sempre acima das ancas). Um cinto regulável é uma mais-valia. Ajuda a distribuir o peso entre os ombros e a região lombar, além de evitar oscilações.

O volume da mochila deve atender às necessidades da criança. Ao arrumar o material, coloque os objetos mais pesados e volumosos, como os livros, na vertical, o mais próximo possível das costas. O peso deve estar bem repartido, e a mochila quanto mais leve, melhor. Não deverá ultrapassar 10% do peso da criança. Pode optar por uma mochila com rodas, com pega regulável, para que se adapte à estatura da criança. Esta não deverá dobrar o braço ao puxar a mochila.

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